Liderança padrão
A carência empresarial por grandes líderes aliada à ambição dos jovens profissionais por altos cargos, gerou uma grande demanda por soluções mágicas para transformar qualquer um em líder. Mas, será que elas funcionam?
Mas, neste cenário, o que muitos não consideram é que a cultura de cada empresa define o tipo de líder mais adequado. Por exemplo, líderes "maternais" podem se adequar melhor em empresas mais conservadoras, ou naquelas onde a cultura brasileira é predominante. Diferente da maioria das empresas americanas que tem uma cultura mais meritocrática, ou das alemãs que tem um perfil mais objetivo. Enfim, as variações são inúmeras.
Além disto, a estratégia da empresa e suas políticas de gestão de pessoas também influenciam diretamente neste perfil. Por exemplo, líderes fortes exigentes e, ao mesmo tempo, motivadores, são mais adequados às empresas com uma política de gestão de pessoas mais agressiva, normal em organizações que adotam uma estratégia de mercado arrojada.
Outro fator importantíssimo que muitas vezes é esquecido é o perfil dos liderados. Existe uma diferença enorme entre liderar uma equipe de geração Y ou Z, do que profissionais mais maduros e experientes.
Será que um determinado perfil de líder teria o mesmo impacto frente a um grupo de pessoas de Marketing, que, normalmente são menos convencionais e mais criativos, e uma equipe de Contabilidade que, usualmente, é composta por pessoas mais centradas e objetivas?
E o tamanho do grupo? É lógico que nunca seria a mesma coisa conduzir 6 ou 60 pessoas. Quando a equipe é menor, o líder tem uma oportunidade maior de conhecer pessoalmente cada membro, acompanhar de perto tanto seu desempenho profissional quanto sua vida pessoal. Quando a equipe é grande, as ações tendem a ser mais coletivas, até porque, não existe tempo suficiente para atuar de forma diferente.
Portanto, antes de esgotar-se em inúmeros cursos e afundar o nariz em tanta literatura, analise cuidadosamente:
1. A empresa, sua cultura, diretrizes estratégicas, políticas de gestão de pessoas, etc;
2. O grupo, tamanho, distribuição, perfil, idade, escolaridade, maturidade, comportamentos, etc;
À partir de então, aquele que ambiciona ser o líder perfeito, deve analisar-se para ter clareza de seus talentos e suas limitações. Ciente de seu perfil, este profissional saberá seu estilo de liderança e, portanto, a qual contexto (empresa e grupo) suas habilidades se encaixariam com mais facilidade. Além, é claro, de saber quais competências deve desenvolver e quais deve valorizar.
O mais importante, é lembrar que, quando se trata de liderança, deve-se tomar cuidado com receitas prontas e "competências universais", pois você corre o risco de dar uma de Gladiador com a espada em riste e brados de guerra no meio de um departamento com pessoas te olhando com assombro ou contendo o próprio riso. Você é quem sabe...
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