Mea culpa, preconceito e a multidão 2.0
..Os importantes e urgentes temas eram as possibilidades de corrupção, negociação de passes, jogo desleal, uso de estimulantes químicos, racismo, violência, má imagem pública de atleta, árbitros, dirigentes e instituições ligadas aos outros esportes...
As recorrentes manifestações de preconceito das grandes torcidas aqui e acolá nos surpreendem negativamente. Nos primeiros casos registrados de preconceito da multidão 2.0 – que chamaremos de 'sentimento discriminatório transformado' – tais manifestações eram vistas em campos de futebol na Europa, cujos gramados testemunhavam o uso da agressão moral como um último recurso contra o talento. Contra os dribles desconcertantes, bananas e outras evidências para colocar cada um no seu devido lugar.
Prática que parecia encerrada a certas correntes de opinião distantes, agora se espraia para o futebol e outros esportes dentro do Brasil. Chegou a vez do vôlei com o episódio da homofobia na partida Cruzeiro x Vôlei Futuro. Fazemos um mea culpa e admitimos: organizadores do código de ética da Confederação Brasileira de Voleibol, em 2001, deixamos de contemplar esta possibilidade, agora renascida na 1ª partida da semifinal, em Minas Gerais.
Deixamos de fora a homofobia, não porque fosse menos importante há dez anos, mas porque havia um movimento de aceitação à diversidade, ao exercício de novos comportamentos e a premissa de que o vôlei atraía um público menos propenso a atos de discriminação. Esse pressuposto era amparado pelo público que frequentava os estádios. Os que assumiam ser homofóbicos davam asas à agressividade em espaços restritos e fechados. Não tinham coragem de fazê-lo aberta e publicamente. Como também escondidos estavam os intolerantes religiosos... Os importantes e urgentes temas eram as possibilidades de corrupção, negociação de passes, jogo desleal, uso de estimulantes químicos, racismo, violência, má imagem pública de atleta, árbitros, dirigentes e instituições ligadas aos outros esportes no país e no exterior.
Inclusive, tínhamos uma visão de que a forma de se conceituar 'multidão' era algo ultrapassado. Fazia mais sentido falar de 'público'. Um refinamento da visão de que a massa é irracional e perigosa quando seus integrantes estão anônimos, passando para o pólo positivo da reunião em grande escala de diferentes indivíduos capazes de compartilhar o espaço público (no caso, os estádios) imbuídos dos valores do convívio e da tolerância.
Uma saída possível para explicar a reação homofóbica da multidão seria o desejo da arquibancada em tentar desequilibrar o atleta adversário. Um recurso desleal, que não combina com o espírito esportivo.
Naquela época, o código de ética se prestava a revelar de forma explícita e formal aquilo que se via nas arquibancadas, em dias de jogos de vôlei, de forma implícita e informal: alegria, amor ao esporte, espírito de competição, alternativa profissional, impacto do esporte nas comunidades, igualdade, lealdade, responsabilidade e transparência.
Parece, no entanto, que precisamos atualizar não somente o código de ética da CBV- tal e qual outros códigos que já foram adaptados às novas opções, novos valores e novos tempos-, mas também nossas crenças sobre a multidão, que reaparece na sua versão 2.0 com valores transformados de tolerância e competição. E agora com poder de voz ainda maior com a emergência da comunicação todos- todos.
Profs e consultores Luiz Affonso Romano, José Maria Noronha e Anderson Ortiz (equipe que elaborou o Código de Ética da CBV, em 2001).
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Consultor Organizacional( há 40 anos) e Coach de Consultores.
Professor dos Cursos de Desenvolvimento de Consultores e Planejamento de Vida e Carreira/Trabalho e do MBA Formação de Consultores.
Coordenador do Perfil da Consultoria no Brasil set. 2011
Diretor de Consultoria Organizacional do IBEF( 2010/12)
Colunista do Administradores.com.br
Coordenador da Comissão de Ética do IBEF (1998/2012).
Conselheiro da Comissão Ética da Associação Comercial do RJ (2006/12)
Conselheiro do IBEF (2009/12).
Conselheiro do IARJ Instituto de Administração do Rio de Janeiro (2009/12).
Conselheiro da FGV Jr (2008/10)
Consultor da FGV- IBRE Instituto Brasileiro de Economia e da Projetos/ Consultoria (2002/8)
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Diretor da Escola de Marketing da UniverCidade( IM e Consultoria 2002).
Editor do Informativo COP - análise econômico- financeira e gestão( décadas de 70, 80 e 90) e Ouvimos por aí (2010/12).
Autor do livro Intervenção e Regulação no Brasil (história do Controle de Preços no Brasil)- edição COP Editora e Febrafarma (em 1971, 1980 e 2005)
Idealizador, cocoordenador e professor do MBA da Indústria Farmacêutica EESP FGV Febrafarma (2005/6/7/8/ 9/10, 6 turmas)
Coordenador e coautor do Código de Ética do IBEF (1998 e 2004) e do da Confederação Brasileira de Voleibol –CBV (2001).
Coordenador das Análises de Desempenho Econômico- Financeiro do Setor Farmacêutico (publicadas ed. Febrafarma,em 2004 e 2007).
Palestrante e articulista, desde a década de 70.
Fundou e presidiu o instituto dos Consultores, em 1983/6, 1992/6 e 2006/10 e é conselheiro vitálicio( desde 1987).
Diretor de T&D do IBEFRio, chairman de T$D da AMCHAM (década de 1990).
Assessor, chefe de Gabinete e Diretor, na década de 60, da COFAP, CONEP/CIP e SUNAB.
Atuação exclusiva e ininterrupta em Consultoria, desde a década de 70.
site: www.jacobseneromano.com
blog: www.blogdoconsultor.com.br
email: romano@luizaffonsoromano.com







