23 de junho de 2010, às 20h39min

Motivação: qual o verdadeiro papel do RH?

Motivação está diretamente ligado à produtividade e, ao mesmo tempo, à vida pessoal de cada colaborador de uma empresa. Justamente por isso, é sempre um desafio para os profissionais de RH. Nesta entrevista, mostramos como as empresas podem contribuir no processo de motivação de seus funcionários...

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Entrevista concedida em 23/06/2010 à Newsletter RHMais - Portal LG Sistemas - www.lg.com.br/rhmais

LG: O que é motivar?


Diego Berro: Motivar, acima de tudo, é dar condições para que as pessoas possam se desenvolver e explorar o máximo do seu potencial. Motivar é dar motivos (racionais, emocionais e espirituais) que estimulem, engajem e influenciem as pessoas a realizar. Para isso, o líder deve:

  • Unir a equipe;
  • Envolver as pessoas ao trabalho em grupo;
  • Reconhecer as particularidades de cada um buscando compreender seus valores e crenças pessoais;
  • Oportunizar um plano de crescimento de carreira individual, ouvir as idéias e opiniões do colaborador;
  • Delegar responsabilidades e desafios;
  • Propagar sempre algo que estimule um significado nas pessoas;
  • Orientar e dar condições para o equilíbrio pessoal e profissional do colaborador;
  • Desenvolver continuamente as pessoas;
  • Reconhecer e parabenizar pelos acertos e realizações individuais e do grupo;
  • Focar em possibilidades e não nos problemas;
  • Dar feedbacks focados em comportamentos (visando crescimento) e não em resultados.

LG: Há diferentes práticas de motivação dentro das empresas. Quais são as mais comuns e quais os prós e os contras dessas práticas?


Diego Berro:
Algumas empresas buscam, por exemplo, premiar os colaboradores que apresentam soluções positivas que possam gerar resultados de melhoria na empresa. Outras buscam ampliar o pacote de benefícios ou ter uma remuneração acima da média. Algumas empresas, ainda, adotam como prática de motivação programas de reconhecimento de funcionários que visam o reconhecimento do trabalho efetuado, programas de remuneração variável, implementação de programas de qualidade de vida na empresa - ginástica laboral, acadêmica empresarial, acompanhamento nutricional e ergonômico -, palestras e treinamentos, confraternizações - final de ano, metas alcançadas -, entre outros. Vale destacar que cada um desses programas são válidos e somam esforços positivos para uma melhora no clima organizacional e na motivação.


No entanto, cada programa deve se adaptar as particularidades de cada empresa, e as individualidades quanto ao perfil dos colaboradores.

Por exemplo, uma jornada de trabalho com horário flexível pode dar muito certo para o Google que tem valores mais modernos, mas poderia ter efeito contrário em uma organização enraizada em uma cultura mais tradicional e conservadora.


LG: Uma das teorias mais usadas por profissionais de RH e também uma das mais antigas é a pirâmide de Maslow. Existem outras teorias mais atuais e inovadoras a serem usadas atualmente?


Diego Berro: Existem várias realmente. No entanto, uma das que merece estudo e reflexões mais aprofundadas é a Teoria das Necessidades Adquiridas de David McClelland (psicólogo da Universidade de Harvard), que equivale aos níveis mais elevados da hierarquia de Maslow e se aproxima dos fatores motivacionais de Herzberg. Essas necessidades seriam secundárias e adquiridas ao longo da vida, mas trazem prestígio e status.

Para este autor, há três necessidades secundárias adquiridas socialmente: realização, afiliação e poder.


Os colaboradores que são voltados à realização, procuram sempre a excelência, apreciam desafio e são altamente competitivos. Esse perfil de colaborador tende estar mais interessado na eficiência das tarefas do que influenciar pessoas ou liderá-las.


Já os motivados pela afiliação, cultivam a cordialidade e afeto em suas relações e são voltados à equipe.


E por último, os colaboradores movidos pelo poder, buscam exercer influência sobre as pessoas e estar no controle das situações.


LG: Muitos profissionais de RH acreditam que a motivação é algo que precisa ser estimulado por cada um. Sendo assim, como você vê a automotivação e como o RH pode ajudar nesse processo de estímulo?


Diego Berro: A motivação é uma força e uma energia que está dentro de cada um de nós. O que recebemos do meio externo são apenas estímulos e incentivos. Cada um tem que ter sua automotivação que deve ser exercitada diariamente através do estabelecimento de metas pessoais, dos valores, dos sonhos e dos propósitos de vida. O segredo está em acreditar no próprio potencial, mantendo o entusiasmo independentemente da situação.

É fundamental estimular o autoconhecimento, ter contato com as próprias emoções, estabelecer seus valores e missão de vida, além de ter um projeto de vida claro. Esses são fatores fundamentais para que o colaborador seja automotivado e produza sempre ao máximo de sua performance.

Portanto, a empresa deve fazer sua parte, estimulando a reflexão e dando subsídios para que cada colaborador seja automotivado num ambiente que propicie o crescimento através de um bom clima organizacional.


LG: Nas grandes empresas, o público é muito amplo: são profissionais jovens, velhos, homens, mulheres, com diferentes preferências e opiniões. Como conciliar a motivação em um ambiente como esse?


Diego Berro: Sem dúvida esse é um grande desafio das empresas. Os colaboradores são motivados cada um de uma forma especifica, de acordo com suas necessidades, seus valores pessoais, sua visão de mundo, seus sonhos, suas experiências e muitos outros fatores.


Por este motivo é importante considerar que as ações motivacionais são importantes, mas que é preciso, acima disso, entender essas necessidades e valores individuais de cada um.


Através das conquistas individuais de cada colaborador, a empresa pode alcançar seus objetivos e transformar a motivação individual em fonte de motivação coletiva, garantindo assim um bom desempenho da empresa e um maior comprometimento dos funcionários.


Talvez seja mais real o gestor de RH conseguir promover ações motivacionais a nível individual em pequenas organizações, onde é possível conhecer de forma mais próxima e pessoal cada colaborador. Já em grandes empresas a dica é: quando planejar ações motivacionais, considere as particularidades de cada setor da empresa. É mais provável obter um resultado mais eficaz com ações direcionadas às singularidades de cada perfil de funcionário, dividindo-os em pequenos grupos que possuem semelhanças, do que aplicar uma ação engessada a todos os setores sem considerar a diferença de salário, nível acadêmico e demais diferenças.


LG: Como obter indicadores no processo de motivação e como medir o retorno e o investimento nessa prática?


Diego Berro: Através de pesquisa de clima organizacional é possível identificar os pontos fortes e aqueles que precisam ser melhorados na organização. Pode-se avaliar a comunicação interna, o nível dos relacionamentos e da integração entre os colaboradores, a sinergia entre os departamentos, o espírito de equipe, a oportunidade de desenvolvimento profissional, a segurança e qualidade de vida no trabalho, a satisfação quanto à remuneração e benefícios e outras ações. A avaliação desses fatores dá subsídios para uma avaliação mais real quanto a motivação dos colaboradores.


Já quanto ao retorno sobre o investimento (ROI), esse deve ser mensurado por benefícios futuros e não por resultados passados. Explico: não existe uma fórmula exata que se aplique em todas as situações e em todas as empresas. Até por que, qualquer tipo de pretensão quanto à mensuração do ROI, deve variar de acordo com o porte da empresa. Além disso, é muito subjetivo medir resultados indiretos em outras áreas e benefícios intangíveis que possam ser considerados e aceitos por toda a empresa.


LG: Porque as empresas precisam investir em palestras motivacionais? E se investirem, como devem ser essas palestras? Devem ser específicas para cada empresa?


Diego Berro: Acredito que a empresa deva investir em todos os aspectos e implementar o máximo de práticas motivacionais possíveis que sejam viáveis à empresa. Quanto às palestras e treinamentos, não devem ser apenas motivacionais, mas devem focar o desenvolvimento profissional e pessoal como um todo. Percebemos que muitos de nossos clientes, através de seus diretores de RH, têm acreditado mais no desenvolvimento através de palestras e treinamentos comportamentais que estimulam habilidades e provocam mudança de atitude, do que os meramente motivacionais que tem muitas vezes o objetivo apenas de desencadear entretenimento e ânimo superficial nos participantes.


LG: Você conhece casos de sucesso de empresas sobre motivação?


Diego Berro: Há alguns anos atrás ministrei palestra na BS Colway Pneus, no Paraná, na qual a motivação dos colaboradores era evidente. Na época, a empresa reduziu a jornada de trabalho sem alterar o salário, além de proporcionar uma academia de ginástica dentro da fábrica gratuita aos funcionários. Havia uma bonificação em dinheiro para quem freqüentava a academia regularmente. A empresa tinha diversos programas que incentivavam a volta aos estudos e investia fortemente em treinamento, além de ser referência em questões ambientais. Com isso, a BS Colway Pneus reduziu consideravelmente as faltas no trabalho e a rotatividade do pessoal, além de ter colaboradores mais motivados e comprometidos com a organização.



Gestor empresarial pela FGV, Diego Berro é palestrante de vendas e co-autor dos livros: "Os 30 + em Motivação no Brasil" e "Ser Mais em Vendas". Ministra palestras, workshops e treinamentos em todo Brasil.
www.diegoberro.com.br  | www.twitter.com/diegoberro | www.formspring.me/vendas

 

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Autor

Diego Berro é vendedor e palestrante de vendas.

Graduado pela Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getúlio Vargas (Rio de Janeiro-RJ), considerada pelo MEC em 2009 a melhor instituição de ensino do país e pelo Jornal New York Times uma das 100 melhores universidades do mundo. Cursa o MBA Executivo em Marketing também pela FGV.

Possui Formação e Certificação Internacional em Coaching Integrado® pelo ICI - Integrated Coaching Institute® (São Paulo-SP), curso credenciado pelo ICF - International Coach Federation, organização sem fins lucrativos que estalece elevados padrões de qualidade para programas e profissionais de coaching em todo o mundo.

Possui Formação Practitioner e Máster Practitioner em Programação Neurolinguística (Porto Alegre-RS). O palestrante de vendas é co-autor dos livros "Os 30 + em Motivação no Brasil" e "Ser Mais em Vendas - Volumes I e II". Diego Berro passou por todas as etapas das vendas: foi vendedor de porta-em-porta, de comércio, vendedor corporativo e lider de equipes de vendas. Atualmente é Diretor de Marketing e Vendas em uma empresa em São Paulo no segmento de máquinas pesadas e equipamentos para indústria e construção.

Em ritmo de continua qualificação, Diego Berro complementará sua formação em 2012 com o curso de MBA Executivo Internacional pela UCI-Universidade da Califórnia (Irvine-EUA), cotada entre as 50 melhores universidades do mundo, segundo a ChaseCareer Network.

Entre os principais clientes encontram-se: universidades como: USP, UFSCar e UFSM, empresas como: Ambev, Votorantim e Schincariol, além das mais diversas entidades comerciais e públicas em todo Brasil, como: Câmara Americana do Comércio, CDL Manaus e CDL BH.

Selo Wec de Qualidade (2006-2011).

Diretor de Marketing e Vendas do Grupo Auxter: www.maquinaseequipamentos.com.br 

Sobre Diego Berro, acompanhe as palavras de alguns clientes:

Schincariol – Dp – Curitiba(PR)

“Realmente foi a melhor palestra que já tivemos aqui na Schincariol. O palestrante demonstrou domínio amplo sobre o assunto, motivando os colaboradores e treinando de forma prática e muito produtiva o sucesso em vendas do nosso grupo. Os colaboradores declararam que o treinamento teve um grande resultado prático em seu dia a dia, melhorando a comunicação e o relacionamento com os clientes. O palestrante soube prender a atenção de todos com excelente didática. Por esses motivos recomendamos a todas as empresas o trabalho do consultor Diego Berro. Certamente o teremos conosco em outras ocasiões".

Flávia Zenziski TST – TEM PR/003643-9 Schincariol – Dp – Curitiba 18-03-2008
Votorantim Cimentos - Esteio(RS)

"A palestra foi extremamente positiva, e de acordo com a equipe que participou, foi a melhor de nossa SIPAT este ano, o palestrante motivou a equipe a participar, o assunto e muito interessante, a forma de condução da palestra foi dinâmica. Recomendamos a palestra a todas as empresas que tiverem oportunidade".

AMBEV - Companhia de Bebidas das Américas - Curitiba(PR) 15/07/2005
"O tema foi exposto de forma muito clara e objetiva, o palestrante tem vasta experiência e conhecimento do assunto ministrado, é extrovertido e interage o tempo todo com a platéia, fazendo com que a mesma participe ativamente".

Contatos:

E-mail/msn: contato@diegoberro.com.br e diego_berro@hotmail.com

Site: www.palestrantedevendas.com.br




O Palestrante de Vendas Diego Berro ministra Palestra de Vendas para Convenção de Vendas e Treinamento de Vendas. Palestra de Vendas com o Melhor Custo-Benefício do Mercado. Palestra Motivacional com Foco em Técnicas de Vendas e Produtividade. Consulte o Palestrante de Vendas Diego Berro para Palestra de Vendas em sua Empresa.
 
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