24 de fevereiro de 2010, às 23h55min
O conhecimento a serviço do desenvolvimento
Aborda uma análise a partir do “Informe sobre o Desenvolvimento do Mundo” publicado pelo Banco Mundial (Washington DC 1998-1999), onde o resumo tem o título de “O Conhecimento a Serviço do Desenvolvimento”
O que distingue os pobres – sejam pessoas ou países – dos ricos não é apenas o que tem menos capital, senão também menos conhecimento.
Em opinião de alguns, a metade dessa diferença obedece ao maior acerto com que aqueles tem sabido adquirir e utilizar os conhecimentos.
O conhecimento ilumina também todas as transações econômicas: revela as preferências, aclara os intercâmbios e orienta os mercados. Por outro lado, a falta de conhecimento é fator que provoca o declínio dos mercados e impede sua aparição.
Quando produtores/vendedores adulteram a qualidade de um produto e não informam este fato, os consumidores geralmente não conseguem ver sua qualidade na compra, a não ser depois que compraram o produto.
Esta desinformação pode provocar uma deterioração geral da qualidade daquele produto no mercado como um todo. Como conseqüência, os produtores que não adulteraram o produto cairão em desvantagem e, em definitivo, os prejudicados serão os consumidores.
Outra diferença entre os países pobres e ricos é que os primeiros têm menos instituições para certificar a qualidade, impor o cumprimento de normas e contratos e recolher e difundir a informação necessária para as transações comerciais, o que acaba sempre prejudicando a população pobre que paga o preço alto por produtos de baixa qualidade.
O relatório do Banco Mundial se propõe a abordar os problemas de desenvolvimento a partir do novo ângulo, ou seja, desde a perspectiva do conhecimento, onde são identificados dois tipos importantes de conhecimento:
• Conhecimento sobre tecnologia, ou conhecimento técnico, como os relacionados com: a nutrição, a engenharia de sistemas informáticos, a contabilidade e outros. Em geral, os países em desenvolvimento possuem menos conhecimento desse tipo, do que aqueles industrializados e as nações pobres, menos do que aquelas que não o são. Caracteriza-se aí o que é denominado de diferenças de conhecimento;
• Conhecimento sobre atributos, é dizer sobre circunstâncias e características concretas, como a qualidade de um produto, a laboriosidade de um trabalhador e a solvência de uma empresa, fatores todos de importância transcendental para a eficiência dos mercados. As dificuldades estabelecidas pela insuficiência destes conhecimentos são chamadas de problemas de informação;
Os mecanismos que poderiam contribuir para a sua solução – normas de qualidade dos produtos, certificados de capacitações e informes de classificação creditícia – são menos numerosos e eficazes nos países em desenvolvimento. Os problemas de informação e as disfunções dos mercados a que dão lugar, têm efeitos particularmente nocivos para as populações pobres.
Reduzir as diferenças de conhecimento
Não será fácil eliminar as diferenças de conhecimentos.
Os paises em desenvolvimento, não têm que reinventar a roda, nem os computadores. Em vez de voltar a discutir o que já se sabe, os países mais pobres têm possibilidade de adquirir e adaptar grande parte dos conhecimentos já disponíveis nos países mais ricos. Como os custos das comunicações estão caindo a um ritmo vertiginoso, a transferência dos conhecimentos agora é mais barata que nunca, considerando o que custava, por exemplo, na década dos anos 80.
Parece haver as condições necessárias para lograr uma rápida redução das diferenças de conhecimentos e uma importante elevação do crescimento econômico e do bem estar humano.
Mas, porque, então, não se produz esta transferência com a rapidez que caberia esperar?
O que se necessita para que os países em desenvolvimento aproveitem mais plenamente o acervo mundial de conhecimentos?
As respostas a estas questões, merecem uma análise, que passa pela cultura das populações dos países, seus acessos à educação e todos os mecanismos que permitem a transferência dos conhecimentos, cujo estudo merece um estudo especial.
O relatório do Banco Mundial, analisa três medidas fundamentais que os países em desenvolvimento devem tomar para reduzir suas lacunas neste terreno:
i. Aquisição de conhecimentos, que consiste na busca e adaptação de conhecimentos disponíveis em outros lugares do mundo – por exemplo, através de um regime comercial aberto, investimentos estrangeiros e acordos de licença – e na geração local de conhecimentos mediante atividades de pesquisa e o aproveitamento dos conhecimentos autóctones;
ii. Absorção de conhecimentos, que suporte, por exemplo, o estabelecimento da educação básica universal, a criação de oportunidades de educação permanente e o respaldo à educação em nível universitário;
iii. Comunicação do conhecimento, que consiste no aproveitamento da nova tecnologia de informação e as comunicações – mediante a concorrência, a participação do setor privado e a adoção de uma normalização apropriada, velando sempre para que os pobres possam ter acesso a estes meios.
Mesmo havendo uma equalização quando ao acesso aos conhecimentos, os paises em desenvolvimento seguirão estando em desvantagem em outro terreno, ou seja, nos conhecimentos sobre atributos, por tratarem-se de conhecimentos necessários em todo tipo de transação, que deverão gerar-se sobre a marcha e renovar-se constantemente no ambiente dos países, individualmente.
A revolução verde, conhecimento e produtividade.
Poucos casos ilustram melhor, as possibilidades do conhecimento ao serviço do desenvolvimento – ou os obstáculos à sua difusão – que a revolução verde, movimento mundial que durante várias décadas promoveu a criação e difusão de novos conhecimentos agrícolas. Esse movimento de busca de novas sementes com o fim de aumentar a produtividade agrícola.
Nas etapas iniciais da revolução verde o objetivo principal foi reduzir as diferenças de conhecimentos. Havia um abismo entre o que os cientistas já sabiam sobre fitogenética e o desconhecimento generalizado deste tema nos países em desenvolvimento.
A defasagem que existia se reduziu em grande medida graças às atividades de pesquisa e desenvolvimento dos governos e organizações sem fins de lucro, que passaram a difundir os resultados das pesquisas, principalmente, com novas variedades de sementes, a partir dos anos 1960.
A produtividade dos cereais apresentou aumento impressionante, ao ponto que o arroz ganhou de produção em 50%, o milho em torno de 70% e o trigo simplesmente duplicou a produção colhida por área plantada, conforme informações comparadas entre a produção 1970-1994 (CGIAR).
Considerações finais
Tudo o que se avalia e se discute acerca da questão da qualidade e da produtividade, tem a ver com a aquisição e internalização de conhecimentos e solução de problemas de informação para a empresa ou país em que vivemos.
O estudo e aprofundamento das questões de como influem no desenvolvimento as diferenças de conhecimento e os problemas de informação. O que podem fazer as instituições internacionais e o que deve fazer o Estado? Que estratégias nacionais podem ser adotadas para reduzir as diferenças de conhecimento? As políticas para adquiri-los, absorvê-los e comunicá-los no ambiente da era da informação, as políticas para resolver as deficiências de informação, o abastecimento de informações para ajudar a verificar a qualidade, supervisão e execução de contratos, intercâmbio de informações de dupla direção, e conhecer as ameaças e oportunidades, são medidas fundamentais para que qualquer discussão sobre a qualidade e produtividade, deve considerar – a obtenção de conhecimentos – para que nos transformemos em agentes de intercâmbio.
A análise aprofundada do Relatório sobre o Desenvolvimento Mundial, nos permite ter uma visão mais ampla das questões que nos afetam intensamente.
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Síntese e comentários elaborados a partir do texto:
Informe sobre el desarrollo mundial. Resumen: El conocimiento al servicio del desarrollo. Banco Mundial: Washington, D.C., 1998-1999. p. 1-17.
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(*) Prof. José Carlos Panegalli, Empresário, Assessor Empresarial, Contador CRC 7473, Administrador CRA 571
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Autor
Doutorando en Administración pela UNAM - Universidad Nacional de Misiones, Argentina (inicio 2008); Mestrado em Administração Gestão Estratégica das Organizações pela UDESC - Universidade do Estado de Santa Catarina (2003). Especialização em Finanças e Engenharia da Produção pela UFSC- Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil (1980-1981). Graduado em Administração e Ciências Contábeis pela Universidade Comunitária de Chapecó (1977, 1979) Atualmente é diretor da empresa Pace Assessoria e Projetos Corporativos e Diretor do IEDUCORP - Instituto de Educação e Consultoria Corporativa. Tem experiência na área de Administração, Contabilidade e Controladoria, com ênfase em Serviços de Assessoria em Projetos Empresariais, atuando principalmente nos temas: gestão estratégica, gestão financeira, planejamento e controle financeiro e orçamentário empresarial, diagnóstico, planejamento e gestão empresarial no processo denominado PaceFacilitador (de sua autoria), ampliação negócios, viabilidade negócio. Também exerce atividades de Perito Contador na área Cível/Financeira/Empresarial/Societária.
"Sou liberal, porque a palavra liberdade é a mais bonita que conheço". By Mario Vargas Llosa, escritor Peruano, Prêmio Nobel de Literatura.
"Sou liberal, porque a palavra liberdade é a mais bonita que conheço". By Mario Vargas Llosa, escritor Peruano, Prêmio Nobel de Literatura.
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