27 de fevereiro de 2010, às 23h18min

O Gestor e o Maestro

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No inicio do ano participei de um evento em que na abertura foi apresentado uma orquestra em que faziam comparações entre o papel do gestor e o maestro da orquestra.

Um amigo foi chamado ao palco para dirigir a orquestra, depois, de seu desempenho exemplar perguntaram a ele como se sentiu dirigindo uma orquestra.

Sua resposta foi simples e verdadeira “dirigir uma orquestra é fácil, dirigir inúmeras orquestras ao mesmo tempo no dia a dia de uma empresa é muito mais difícil”.

Alguns dias depois deste evento me deparei com uma entrevista de um dos pensadores mais importantes da atualidade, Henry Mintzberg na revista HSM Management, onde ele faz uma provocação dizendo que um dos mitos do mundo da gestão é a metáfora que compara o gestor a um maestro.

Para Mintzberg comparar a ação de um maestro de uma orquestra, que indica com um movimento de sua mão a entrada dos diferentes músicos, ao gestor achando que basta ele fazer um gesto para que o departamento de marketing realize suas campanhas ou o departamento financeiro faça sua parte e todos trabalhem em harmonia, é um mito, pois a realidade no mundo corporativa é outra.

Assim como na gestão, os músicos são contratados pela sua capacidade técnica e pela competência com que dominam seus instrumentos.

Diferente da gestão, o músico não é avaliado e/ou demitido por seu comportamento.

O que pode levá-lo a ser demitido da orquestra é se sua capacidade técnica não estiver compatível com as exigências.

Logo, se visão de negócio, espírito de equipe, construção de relacionamento e inteligência emocional são pontos essenciais na avaliação de um colaborador, porque, muitas empresas se preocupam muito mais com a capacidade técnica no momento de sua contratação?

Por que desde criança, a educação de um indivíduo é voltada para o desenvolvimento de competências técnicas e na maioria das vezes deixa de lado as competências comportamentais?

E por que, no mundo corporativo, as pessoas são contratadas por sua competência técnica e são demitidas pelo seu comportamento?

Não estou dizendo que não é importante a capacidade técnica de um profissional, estou dizendo que o segredo de sucesso do gestor é ter a capacidade de equilibrar a competência técnica com a competência comportamental de seus colaboradores.

Estou dizendo que o gestor moderno deve ter capacidade técnica apurada em sua área de atuação, mas, também é necessário que ele tenha capacidade de se relacionar, capacidade de iniciativa, de resolver conflitos, capacidade de evangelizar posturas e criar discípulos e práticas sociais, capacidade de motivar equipes para que elas consigam desenvolver e colocar toda sua capacidade técnica em busca do bem comum e na concretização da visão da empresa.

Como diz Henry Mintzberg o gestor deve ser comparado ao maestro durante os ensaios em que os músicos não tocam e os ajudantes fazem barulho e em que quase tudo dá errado.

Sabemos que tanto a música quanto a administração são compostos por elementos e estes elementos são a parte mínima de cada um.

Na musica esses elementos são as notas musicais que quando combinadas em diversos instrumentos de certa forma dá origem a melodia.

Na administração esses elementos são as diversas variáveis que integram e formam um modelo de gestão.

Na música esses elementos não se alteram e qualquer músico irá executar sempre a mesma melodia, logo, o foco do maestro está focado na técnica e não no comportamento de seus músicos.

Na administração não, o gestor tem que ter a competência de integrar cada um desses elementos da administração, a sua própria melodia.

Na orquestra não há improvisação, existe uma partitura, um roteiro a ser seguido e que se repete exatamente da mesma forma a cada apresentação.

Na administração existem procedimentos e regras que tão somente servem de orientação, como se fosse uma bússula, e na maioria das vezes são interpretadas de formas diferentes pelos colaboradores e muitas vezes sequer são de seu conhecimento.

A orquestra com um conjunto relativamente grande de instrumentos não é, em absoluto, um agrupamento ao acaso dos elementos disponíveis.

A orquestra tem seu lay-out definido e sempre igual.

Trata-se de uma unidade altamente organizada e equilibrada, composta por quatro naipes ou famílias de instrumentos

Na frente está seu líder, o maestro, depois vêm os instrumentos de cordas, logo atrás os instrumentos de madeiras, em seguida os metais e por último os instrumentos de percussão que se localizam no fundo da orquestra.

Em uma empresa o gestor deve montar suas equipes de acordo com as necessidades e as exigências do mercado e deve fazer com que cada departamento, cada seção, cada grupo, cada indivíduo agregue valor ao produto e/ou serviço até que ele chegue ao mercado.

Para isso o gestor deve buscar harmonia, integração e sinergia entre as diversas áreas, que diferente da orquestra, não é uma coisa natural.

No mundo corporativo não existem melodias pré definidas, não existem respostas fabricadas, assim, o gestor tem o desafio de dia a dia criar e recriar uma obra prima que não é finita.

Como diz Mintzberg, infelizmente, os gestores preferem a imagem pomposa de um maestro dirigindo um concerto espetacular em um teatro cheio, o que não passa de uma ilusão, de um mito.

 

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Autor
Rubens Fava é formado em Ciências Econômicas e Administração com ênfase em marketing, especialização em Productivity Improvement pelo JPC – Japan Productivity Center for Sócio-Economic Development – Tokyo - Japan, Teoria das Restrições – Institute Goldratt – Saint Paul – USA., Management Study – Baldwin-Wallace College – Berea – Ohio – USA. Mestre em Administração pelo ESADE de Barcelona ES e doutorando em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina - USFC. Autor dos livros Caminhos da Administração, Arauto, Gestão Empresarial – Volume II, Um tributo a Peter Drucker – capítulo 2, Gestão & Administração – A trajetória de uma executiva de sucesso e Espiritualidade Organizacional.

É autor dos livros

1- Caminhos da Administração.
 

2- A trajetória de uma executiva de sucesso.

3- Espiritualidade Organizacional
 
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que saco, to loco atraz de uma jaqueta dessas
 
Exelente material
 
gostaria de saber quem trabalha em banco que não trabalha sabado e domingo se os três dias ja começa...
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