05 de março de 2010, às 09h25min
O lado humano da avaliação
O quanto há de subjetividade no processo de avaliação de desempenho? Já que a avaliação é utilizada para diversos fins, inclusive remuneração e carreira, o quanto esta subjetividade pode impactar na vida de um profissional?
Dentre os métodos adotados e utilizados para realizar a avaliação, dificilmente encontra-se aqueles que não tenham uma faceta de subjetividade. Principalmente no momento de avaliar a parte comportamental do profissional.
Por mais que a empresa defina as competências e suas diversas formas de manifestação, as nuances humanas nem sempre se encaixam como se esperava. Simplesmente porque estamos falando de pessoas. E, quando se fala de pessoas deve-se lembrar que o comportamento observável é apenas a manifestação de um complexo mecanismo psíquico. Aliás, tão complexo que não é possível ser padronizado, pré-definido ou previsto.
Além disto, não é necessário ser um livre docente em psicologia para sabermos que muitos comportamentos são resultantes de conteúdos inconscientes. Neste contexto, o avaliador, seja ele superior, par, subordinado, cliente, etc., é um ser humano e, como tal, tem seu próprio mecanismo psíquico que se manifesta no processo de avaliação de diversas formas, muitas delas, inconsciente.
Assim, por mais imparcial que o avaliador procure ser, não se pode negar que há toda uma carga inconsciente impactando no processo, como uma lente que muito sutilmente altera a imagem que se tem à frente.
Então sugiro uma reflexão. Será que existe um método de avaliação de comportamento totalmente objetivo e imparcial? Num país como o Brasil, notoriamente caracterizado por uma cultura marcada pelo forte apelo humano, será que a subjetividade não estaria impactando mais fortemente ainda nos resultados do processo? E como seriam os reflexos disto na organização? Quantas carreiras não podem ter sido comprometidas pela subjetividade humana na avaliação?
Hoje acima de tudo, muitas empresas se utilizam da avaliação desempenho para definir prêmios, bonificações, participações em lucros, etc... Isto faz com que os resultados da avaliação de desempenho afetem até mesmo a vida pessoal do profissional avaliado. Seu padrão de vida, sua família, enfim, tudo o que o rodeia.
Uma avaliação cujo processo foi comprometido pela subjetividade pode fazer um estrago muito maior do que se imagina num primeiro momento. Mas, como garantir objetividade e imparcialidade? Não tenho a resposta. Mas tenho a certeza de que a extensão desta reflexão pode levar muitos a repensarem seus processos, métodos, suas próprias atitudes na utilização da ferramenta, o que certamente já promoverá mudanças e resultados mais positivos.
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Psicóloga, MBA em Desenvolvimento e Gestão de Pessoas (FGV), 17 anos na área de Recursos Humanos.
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