25 de fevereiro de 2010, às 00h26min
O poder e a sucessão
As instituições sofrem na substituição dos seus dirigentes - os agentes do poder - principalmente porque não há na maioria das vezes a visão estratégica de garantir a continuidade dos projetos desenvolvidos para gerarem seus efeitos em médio e longo prazo.
As instituições sofrem na substituição dos seus dirigentes - os agentes do poder - principalmente porque não há na maioria das vezes a visão estratégica de garantir a continuidade dos projetos desenvolvidos para gerarem seus efeitos em médio e longo prazo. É comum, novos dirigentes assumirem os postos e se preocuparem com o que querem fazer e não com o que deve ser feito, ou o que deve ser continuado, implementado, melhorado, para depois ver o que de novo pode e deve ser feito para atender os objetivos da instituição.
É comum ver-se projetos importantes colocados de lado, simplesmente por terem sido iniciativa de outros e na maioria das vezes, nem sequer tomam conhecimento da sua relevância e importância para o desenvolvimento da sociedade.
Ai paira a diferença entre a empresa privada, que na maioria das vezes procura manter os seus dirigentes e colaboradores por tempo indeterminado e procuram perpetuar o empreendimento. Já na empresa pública ou instituição que muda não só os dirigentes - mudam também as pessoas chave que poderiam garantir a interligação estratégica entre uma gestão e outra, entre um estilo e outro de exercer o poder. Comprometem o seu crescimento quando feita a mudança sem comprometimento com o futuro e sem utilizar as experiências do passado, assumindo o poder simplesmente para ter poder.
Planos desenvolvidos por uma gestão, nem sempre são seguidos pela gestão seguinte, quando foram destinados recursos, tempo e esforços para estabelecer visão e formulação estratégica, planos táticos e operacionais. Não raro, os projetos são simplesmente esquecidos ou tratados como projetos dos outros e não da instituição.
Esta responsabilidade não pode ser atribuída somente aos que sucedem, mas principalmente aos sucedidos, que ao se aproximar o fim do mandato, relaxam e raramente promovem um processo saudável de sucessão, preparando os sucessores ou candidatos à sucessão a fim de que conheçam os objetivos planejados a partir da visão estratégica da instituição e não de pessoas isoladamente.
Só conserva a fama quem aponta o seu próprio sucessor.
Enquanto se exerce o poder, se é tido como uma sumidade, um ícone, pelos que nos rodeiam, até que um dia encerra-se o mandato e outro ocupará o posto. O chavão de que ninguém é insubstituível é válido, porém, devem ficar as marcas das realizações que os sucessores do poder vão utilizar como base para o novo empreendimento, novo mandato, novo projeto, nova fase da empresa ou instituição.
Nada se pode esperar da fama quando se deixa a ribalta do Poder. Só conserva a fama quem aponta o próprio sucessor, que é apontado, entre outras coisas, para conservar a fama do antecessor.
Qual dos tipos de cérebro deve ter o dirigente que ocupa o Poder, como já classificou Maquiavel, no século XVI, que dizia: “há três gêneros de cérebros: um, o dos que entendem as coisas por si próprios; outros, o dos que discernem o que os outros entendem; o terceiro, o dos que não entendem nem por si próprios nem sabem discernir o que os outros entendem. O primeiro é excelentíssimo, o segundo, excelente, o terceiro, inútil”.
O homem virtuoso tem a vontade de realizar e não espera que a sorte, a fortuna apareça, lança-se em empreendimentos, a fim de fazer valer o seu desejo de realizar para o bem de todos. Enquanto alguns aguardam os acontecimentos, outros se antecipam a eles e fazem valer toda a força e determinação que os caracterizam.
No exercício do poder, os exemplos do passado já nos mostram que não se pode enganar nem iludir pela ânsia de manter-se no poder, pois já dizia Maquiavel em 1513: “E são tão simples os homens e tanto obedecem às necessidades presentes, que aquele que engana encontrará sempre quem se deixe enganar”. Hoje ainda há muitos que se deixam enganar, mas não por muito tempo, pois o acesso à informação permite ver a verdade no momento seguinte.
É importante que se leve aos que elegem os dirigentes a capacidade da consciência e que seja cada vez menor a inocência.
Enfim, a alternância do poder é democrática e salutar, porém quando feita com estratégia de sucessão, onde a missão institucional, a demanda da comunidade, a necessidade do povo seja sempre maior que a vontade da pessoa ou facção que exerce o Poder.
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(*) José Carlos Panegalli, Empresário, Administrador e Contador, Diretor da PACE Assessoria e Projetos Corporativos, Professor de Pós-Graduação.
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Autor
Doutorando en Administración pela UNAM - Universidad Nacional de Misiones, Argentina (inicio 2008); Mestrado em Administração Gestão Estratégica das Organizações pela UDESC - Universidade do Estado de Santa Catarina (2003). Especialização em Finanças e Engenharia da Produção pela UFSC- Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil (1980-1981). Graduado em Administração e Ciências Contábeis pela Universidade Comunitária de Chapecó (1977, 1979) Atualmente é diretor da empresa Pace Assessoria e Projetos Corporativos e Diretor do IEDUCORP - Instituto de Educação e Consultoria Corporativa. Tem experiência na área de Administração, Contabilidade e Controladoria, com ênfase em Serviços de Assessoria em Projetos Empresariais, atuando principalmente nos temas: gestão estratégica, gestão financeira, planejamento e controle financeiro e orçamentário empresarial, diagnóstico, planejamento e gestão empresarial no processo denominado PaceFacilitador (de sua autoria), ampliação negócios, viabilidade negócio. Também exerce atividades de Perito Contador na área Cível/Financeira/Empresarial/Societária.
"Sou liberal, porque a palavra liberdade é a mais bonita que conheço". By Mario Vargas Llosa, escritor Peruano, Prêmio Nobel de Literatura.
"Sou liberal, porque a palavra liberdade é a mais bonita que conheço". By Mario Vargas Llosa, escritor Peruano, Prêmio Nobel de Literatura.
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