Vejo um fenômeno ocorrendo, em algumas empresas, que, além de discordar em gênero, número e grau deste posicionamento, me causa certa preocupação, pois, se estamos nos encaminhando para essa realidade, penso que o número de pessoas infelizes no mundo aumentará circunstancialmente. Falo do apreço de algumas empresas pelos famosos “workaholics”, pessoas que vivem única e exclusivamente para o trabalho, em detrimento a vida pessoal, acadêmica, ou qualquer outra interação que fuja do objeto de sua atuação profissional. Conheço pessoas que trabalham, em média, 16 horas por dia, incluíndo sábados, domingos e feriados. E antes que alguém sinalize que, possívelmente, trata-se de uma situação sazonal, com prazo definido, informo que já conheço essas pessoas de longa data e sei que essa situação não se trata de um período crítico, e sim, uma rotina de vida consolidada e estabelecida. No caráter pessoal, pouco me preocupam as pessoas que, independentemente do motivo, decidem transformar sua vida em trabalho e vivem exclusivamente para isso. Cada um sabe o que faz de sua vida e, por isso, evito tecer comentários acerca disso. O que realmente me preocupa são as empresas, cada vez mais, valorizam pessoas e ações que demonstram o quanto elas estão disponíveis para trabalhar, indiferentes com relação aos finais de semana e feriados, ou dias e noites. Não foram poucas as vezes que vi gestores elogiando funcionários por emails enviados as três da manhã, como se isso fosse qualidade imprescindível ao bom profissional. Me perdoem os gestores e estudiosos. Não quero aqui ser o dono da verdade, longe disso. Apenas quero fazer o contraponto a essa situação, que particularmente penso que, antes de nos fazer galgar voos mais altos, nos omitirá do restante do mundo, fazendo com que famílias se afastem, pessoas deixem de manter relações harmoniosas de amizade, sem nenhum viés profissional. Notem: em grande parte das vezes, nossas poucas horas de divertimento, descontração e interação social se dá quando saímos para fazer um happy-hour com o pessoal do escritório onde, normalmente, os tópicos abordados são as histórias profissionais engraçadas, ou atitudes deste ou daquele colega de trabalho. Em resumo, trabalho, trabalho e trabalho. Não sou anarquista, não quero extinguir o trabalho e formar uma nação de desocupados. Não é isso. Apenas acredito em uma recomendação médica, largamente divulgada, que diz que “tudo em demasia faz mal”. Acredito piamente nisso. Sinceramente, trabalhar dezesseis horas por dia, no médio e longo prazo, pode causar problemas de saúde e, principalmente, problemas de cunho pessoal, pois convenhamos, uma pessoa com essa carga de trabalho não possui vida pessoal, o que pode ser extremamente danoso para uma pessoa. Devemos fazer um exercício onde, de maneira racional, possamos medir graficamente o quanto do nosso tempo dedicamos para cada área de nossas vidas. Um gráfico onde possamos visualizar como dividimos nossa vida. Se no seu gráfico demontrar um certo nível de equilíbrio, recomendo seriamente que seja feita uma análise profunda na forma como você encara sua vida e seus objetivos, porque, possívelmente, você não está valorizando áreas que, mais cedo ou mais tarde, farão uma falta danada para você.