20 de dezembro de 2010, às 11h07min

Pague-se primeiro, antes de consumir

A classe média puxa o crescimento econômico pela sua capacidade de consumo. No entanto,carece de conhecimento para garantir um período contínuo e duradouro.Ou seja a sua crença de que o presente importa mais que o futuro é comprometedora.A poupança é muito baixa.Opções existem de renda e poupança!

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Pague-se primeiro: a lição número 1 do pequeno investidor


Por Fábio Portela em 13 de Dezembro.


Vários livros sobre educação financeira, como o famoso Pai Rico, Pai Pobre ou O homem mais rico da Babilônia, trazem uma lição importantíssima para quem está começando a pensar em investir: pague-se primeiro. Mas o que isso quer dizer?


Já comentamos o assunto por alto ao abordar algumas estratégias interessantes de economizar dinheiro, mas considero importante aprofundar um pouco mais a questão.


Qual a principal dificuldade enfrentada por quem não consegue investir um pouco de seus salários? Uma palavrinha: PROCRASTINAÇÃO.


O salário entra e a maioria das pessoas, cheia das boas intenções, promete guardar o que sobrar. O salário acaba antes do mês e nada foi guardado. Chega um novo mês, e com ele novas promessas que não serão cumpridas. Você, com certeza, conhece alguém que se enquadra nessa descrição. São pessoas trabalhadoras, responsáveis, que normalmente pagam as contas em dia. Só conseguem economizar algum dinheiro por meio do endividamento (e daí resolvem investir em imóveis, pagando as prestações, que embutem juros bastante altos) ou de aplicações que permitem o débito em conta, como investimento em previdência privada (cujas taxas são excessivamente altas e podem comprometer a rentabilidade do investimento) ou títulos de capitalização com aportes mensais debitados automaticamente. Por que as pessoas fazem isso? Acredito que duas razões principais explicam esse comportamento.


Em primeiro lugar, a psicologia evolucionista e a economia comportamental já mostraram que nós, humanos, avaliamos as coisas a partir de uma curva exponencial.


A concepção do valor presente é maior que a concepção futura.


Pois é: segundo experimentos realizados pelos economistas comportamentais e psicólogos evolucionistas, nossa mente atribui valor a uma coisa de acordo com um gráfico x,y.


Ou seja, se considerarmos que a coluna vertical do gráfico (Y) representa o valor atribuído a um determinado bem e a coluna horizontal (X) representa o tempo (de 1 a 10), podemos observar que o bem é melhor avaliado no presente do que no futuro. Ou seja, para nós, R$ 10,00 na mão hoje vale mais do que R$ 10,00 daqui a 30 dias.


Isso explica o motivo pelo qual é tão difícil investir. Quando o salário cai na nossa conta, é tentador gastá-lo logo. Afinal, na nossa cabeça, R$ 1.000 gastos hoje valem mais do que R$ 1.000 gastos daqui a um mês. Mesmo considerando que o dinheiro investido traria juros, ainda é tentador gastar hoje o dinheiro.


Afinal, R$ 1.000,00 investidos dariam de retorno, se muito, 1% daqui a um mês – e o investidor teria R$ 1.010,00. Não vale a pena esperar um mês inteiro pra gastar R$ 1.010,00, considerando que o valor futuro daquele dinheiro, segundo os viéses psicológicos de nossa mente, é muito menor.


R$ 1.000,00 investidos todo mês ao longo de 20, 30 anos, pode gerar verdadeiras fortunas. Mas nossa cabeça, que sobrevaloriza o presente e subvaloriza o futuro, não consegue compreender isso instintivamente.


Preferimos gastar os R$ 1.000 do que ter paciência para aguardar ficarmos milionários antes de gastar mais dinheiro ainda. E aí não economizamos… começa mais um mês, gastamos tudo e, no final, o ciclo se repete.


O outro motivo para termos esse comportamento é menos científico.


É simples: dá muito trabalho investir. Você tem que agir proativamente e aplicar o dinheiro você mesmo por meio do seu sistema de home banking pela internet ou, se você é menos tecnológico, por meio do caixa eletrônico ou do seu gerente no banco. Você tem que estudar para saber quais são as aplicações disponíveis, calcular o imposto de renda devido, enfim… você tem mais o que fazer com seu tempo. O que você faz, então? Escolhe uma aplicação automática (poupança, financiamento imobiliário com débito em conta, previdência privada) e vai embora cuidar da sua vida.


O problema dessa alternativa é que boa parte do dinheiro investido pode estar indo para outras pessoas (o banco, a construtora), e não para onde deveria ir – o seu bolso.


Uma maneira de contornar esses dois problemas é adotar um comportamento pragmático: programar um investimento automático de uma quantia pré-determinada assim que seu salário cair na conta.


Alguns bancos adotam em seu sistema de fundos de investimento a possibilidade de investimento automático em um dia pré-determinado do mês. Faça chuva ou faça sol, no dia agendado o banco vai investir uma parte do dinheiro disponível em sua conta naquele fundo. É como uma conta agendada para pagamento em débito automático: você não precisa fazer nada. Trata-se de uma saída interessante para quem é assumidamente preguiçoso e não quer ter trabalho com seus investimentos.


Aquele mais ativo pode adotar uma outra estratégia: assim que o salário cair, aplicar diretamente o dinheiro nos investimentos que entender adequados. Dá muito pouco trabalho e, no longo prazo, pode ser muito mais rentável.

 

Seja qual for a alternativa que você adotar, pague-se a si mesmo primeiro.


Antes de pagar contas, de ir a um restaurante bacana ou comprar presentes pro filho, pague a você mesmo. Afinal, você trabalhou e ganhou o dinheiro: por que outras pessoas devem ficar com ele? Por que você não o deixa trabalhar para você?


americodornelles@gmail.com

 

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