Paradigmas
Como os paradigmas tem prejudicado a formação de novos administradores e empresários de sucesso. O exagerado ênfase em referenciais teóricos e conceitos mal adaptados para realidade brasileira os tem confundido. Gurus e professores mal formados repetem fórmulas ultrapassadas.
Nelson Kafruni Professor universitário
Pós-graduação, mestrado e doutorado – Referências.
A utilização de paradigmas nas universidades tem prejudicado a criatividade, tanto de alunos como de professores. Estes para comprovar sua erudição, aqueles por receio da confrontação.
Um dos grandes problemas está na cultura dos paradigmas, nem sempre baseados em estudos e muito menos em verdades comprováveis. Todo ensino foi muito prejudicado pela falásia que a memória era sinônimo de inteligência. A matemática era ensinada através da memória da taboada. Quem conseguia decorá-la (tinha memória) era inteligente, quem não conseguia era burro! Nas demais matérias letivas não era diferente, aluno que não decorasse os famosos verbos irregulares ingleses também era taxado de pouco inteligente. Não sabia qual o lago formador do Nilo, sinto muito.
Memória como sinônimo de inteligência. Quanto estrago na educação e na formação de milhares de pessoas. Paradigma!!
Qual o paradigma que maior prejuizo causou ao desenvolvimento do ser humano?
Simples! "A mulher é um ser inferior". Durante séculos e séculos este pensamento dominou a humanidade. Ela era excluida de qualquer atividade mais intelectualizada. Até hoje algumas civilizações a discriminam. Pessoas também, até algumas mulheres se julgam inferiores de tanto ouvirem dizer.
Quanto prejuizo sofremos por não darmos às mulheres o lugar que sempre mereceram. Sua habilidade multifocal faz dela o funcionário e o pesquisador do futuro. A sociedade não quer mais pessoas que só saibam fazer uma coisa de cada vez – característica do homem - porque isso sai caro. Quantos de nós conhecemos aqueles funcionários de banco que há vinte anos são caixas. Entraram como caixa e se aposentam como caixa. É isso que sabem fazer. Dificilmente isso aconteceria com as mulheres, ela sempre querem saber o que estão fazendo aquilo? Porque? De onde veio? Para onde vai? Em pouco tempo dominam toda metodologia do setor que trabalham. Elas estão dominando os cursos de pós-graduação, mestrado e doutorado no mundo todo.
A polivalência da mulher fará com que em menos de 30 anos elas estejam dominando a maioria das posições chave no mundo. Política, economia, ciências médicas, pesquisa, etc.
Mas o paradigma ainda persiste!
Precisamos nos livrar mais rapidamente de alguns paradigmas. Eles são úteis mas não podem ser guias. O que é passado passado está. Mesmo que represente um modelo a ser seguido, mas por quanto tempo? Teorias existem em todos os campos do saber, mas quantas resistem um análise critica mais apurada. Estamos vivendo o século da mudança. Tudo muda cada vez mais rapidamente.
Exigir que que os alunos se concentrem em livros escritos por autores cuja prática real é meramente especulativa. Grandes sumidades americanas que apesar de ter uma economia rica seguidamente quebram suas empresas e colocam o país em crises frequentes. Não podemos esquecer que os EUA além de terem um solo privilegiado receberam um legado industrial europeu enorme. Tendo um agricultura fértil e um rebanho saudável a poupança interna estimulou todo e qualquer investimento industrial. Independente de teorias e grandes lances mercadológicos. Um pais com riqueza de solo, população rica, indústria testada e uma grande poupança interna beneficia qualquer tipo de empresa.
Foi só aparecer uma concorrência mais acirrada com japoneses, tigres asiáticos, China e um Europa mais competitiva para aparecerem os problemas e as crises.
Esta história de nos basearmos exageradamente em escolas e autores americanos tem prejudicado a criatividade do profissional brasileiro. A reegenharia, o downsizing, a terceirização, o benchmarking, etc.
São repetições de teses para vender livros e render dólares em palestras mirabolantes que os mais desavisados pagam embevecidos.
Já assistimos palestras de gurus americanos com custo de 500 doláres na qual ele apenas repetiu o conteúdo de seu último livro de 20 dólares. E houve gente que achou maravilhosa. Assim não há quem aguente!
Paradigmas! Hoje nossos doutores são julgados pela quantidade de termos em inglês que colocam em suas palestras. Não se dão sequer o trabalho de fazer uma adaptação mais próxima da realidade brasileira.
A exigência exagerada das referências nos trabalhos de conclusão sempre inibiu os alunos mais criativos. Alguns professores chegam ao exagero de dizer que o que não está escrito não existe. Somente as idéias apresentadas em livros com mais de 10 anos de publicação cujos autores fazem referências a estudos de vinte ou trinta anos atrás tem importância. Qual sua contextualização! Estão negando a evolução do pensamento humano. O comodismo em aceitar o que já foi comprovado tira a validade do novo e da mudança.
Tudo o que está acontecendo é novo, dentro de um cenário novo, com pessoas novas.
Alguns professores alegam que nossos estudantes não sabem "fazer contas".
Nasceram com calculadoras digitais, com sistemas e programas matemáticos em seus micros. Qual a importância da tabuada decorada? Que maravilha e que utilidade prática alguém que sabe dividir frações e multiplicar números enormes em segundos. E de cabeça!!! Memória não é inteligência!.
O importante é o raciocínio, a elaboração lógica, o saber o que aprender, o saber conhecer e saber como encontrar as respostas para seus questionamentos.
Uma indagação que se impõe – Quais as referências de Sócrates, o maior filósofo grego?
Quais as referências de Isaac Newton, ao propalar a teoria da gravidade?
Quais as referências de Freud, o pai da psicanálise?
Quais as referências de Santos Dumont, o pai da aviação?
Quais as referências de Frederick W. Taylor, Henry Fayol, Albert Einstein e mais modernamente Peter Drucker?
E Steve Jobs e Bill Gates.
E, mais real e próximo de nós, brasileiros, quantos livros leu nosso atual presidente Luis Inácio LULA da Silva? E quem seria capaz de questionar sua enorme capacidade de liderança e comunicação. É inegável sua importância no cenário mundial. Independente de sua maior ou menor aprovação pelos intelectuais ou adversários políticos não se pode negar sua importância como dirigente. Seus feitos são aplaudidos por reis, rainhas e presidentes das maiores nações do mundo. Que grandes referenciais!
Todos homens que praticamente mudaram nossas vidas, não copiaram, criaram;
Conseguiram se livrar dos paradigmas do ensino; só é bom aluno aquele que decora os livros dos outros. Escritos a cinco, dez anos antes. Ora num mundo moderno que anda em velocidade quase supersônica, viver de textos do passado é retroagir.
Vou comparar o universitário brasileiro com um cantor ou com um compositor?
O cantor é um mero interprete da obra de outro, pode ser bom ou ruim mas tem que se ater ao texto, melodia e letra.
O compositor cria. Utiliza as ferramentas básicas, notas musicais, instrumentos, vozes, etc. mas faz algo novo. Pode até seguir uma tendência, ritmo, gênero ou estilo, mas o resultado final é um criação sua.
Os nossos alunos são induzidos a serem meros intérpretes das teorias, conceitos, fórmulas e práticas de autores que, cada vez mais, são desmistificados por aqueles que não se acomodam.
Paradigmas absurdos que dificultam o desenvolvimento do homem. Necessitamos de pessoas que criem, pensem, inovem.
É claro que estudar o passado, ler autores inteligentes, discutir teses e exercitar a dialética é muito importante. Necessitamos apreender a perceber o mundo integralmente. Visão, audição, tato, olfato e paladar são as formas mais úteis de aprendizado. Precisamos estimular mais nossos sentidos. São a nossa forma de contato com o mundo.
Porém, valorizar exageradamente o que está nos livros é viver o passado. Que alunos não podem ter idéias próprias tão brilhantes quanto seus referenciais, é absurdo. Não haveria evolução. Tudo seria passado.
O magnífico filósofo inglês George Bernard Shaw já dizia: "O desenvolvimento só acontece através da mudança, e quem não consegue mudar a si mesmo, não muda coisa alguma". Vivemos da mudança. A cada dia recebemos milhares de estímulos novos. Precisamos saber utilizá-los. O passado ajuda como o espelho retrovisor dos automóveis. Tudo que está escrito é útil, mas se não olharmos para frente seremos atropelados pelo futuro.
Curta o Administradores no Facebook e siga os nossos posts no @admnews.
As opiniões veiculadas nos artigos de colunistas e membros não refletem necessariamente a opinião do Administradores.com.br.
Professor: NELSON KAFRUNI
Graduação: Administração de Empresas - UFRGS (1971)
Pós-graduação em Gestão de Pessoas.
Professor Titular da Disciplina de Análise Empresarial do Curso de Administração de Empresas da Faculdade São Judas Tadeu: - Disciplina do último ano e que integra os conceitos emitidos nas demais disciplinas do Curso. Professor Titular da Escola de Engenharia da PUC/RS das disciplinas de Estudo de Movimentos e de Tempos e de Análise de Métodos de 1972 a 1982
Professor dos Cursos de Capacitação Gerencial do SEBRAE. Participa dos Cursos de Treinamento, desde o início do SEBRAE/RS, nas áreas de Liderança, Gerência, Motivação, Negociação e Marketing. Possui Curso de Maestria em Sala de Aula (78 horas). Consultor dos programas de Consultoria do SEBRAE/RS e Instrutor do Curso de Orientação para o Crédito do Programa Brasil Empreendedor. Autor de vários polígrafos da Instituição.
Consultor de Empresas. Além das consultorias nas áreas de suas especializações desenvolveu diversos programas de treinamento de executivos especialmente voltados a Liderança e Comunicação Interpessoal. Algumas empresas que participaram como clientes: Grupo RBS (Empresa Jornalística Zero Hora), Grupo TRAMONTINA, Supermercado NACIONAL, Grupo EFFEM, Grupo GBOEX, Grupo APLUB, Tintas KILLING, DHB, SISPRO, FEDERASUL, SENAI, SEBRAE, EBERLE, ACI/NH, CENTRO TECNOLÓGICO DO CALÇADO (NH)
CENTRO TECNOLÓGICO DO COURO (E.Velha)
Já ministrou mais de 400 Cursos para mais de 6000 participantes.
Diretor da Cia. de Seguros Previdência do Sul de 1979 a 1982.
Diretor da Secretaria de Indústria e Comércio do Estado do RGS de 1971 a 1972
Responsável pela áreas de Recursos Humanos do Grupo APLUB de 1976 a 1986 onde desenvolveu Seminários de Desenvolvimento de Executivos e Treinamento de Vendas para as empresas do Grupo.







