07 de agosto de 2009, às 01h05min

Pelo fim do vestibular

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Li a biografia de Albert Einstein (gosto muito dessa leitura), fiquei impressionado. O autor nos afirma que este pensador foi um mal aluno, desinteressado e para concluir sua faculdade precisou da ajuda dos colegas.

Acontece que Einstein desde muito cedo teve a "luz" de sua grande criação e como tal, a escola não estava a seu tempo e não tinha como ajudá-lo. Quando chegou perto do epicentro de sua teoria, sentiu que faltou sua principal ferramenta: a fundamentação matemática. Entrou em tristeza, depressão e por pouco não desistiu de seu propósito. A biografia nos diz que quem o salvou foi um ex-professor e sua esposa que entendia razoavelmente de matemática.

Outro caso interessante é o de Isaac Newton, nascido de sete meses, doentiu e de aparência física muito feia (não era nenhum gatinho). Também já entrou na faculdade pensando muito além de seu tempo e como tal, a escola era um tédio. Superou tudo e se tornou num dos cérebros mais venerados em todo o mundo. E o que dizer de Santo Agostinho e sua vida de libidinagem (senhor dá-me a castidade, mas não ainda) até seu convertimento e suas grandes contribuições para a filosofia?

Entendo, defendo e luto muito pela qualidade do ensino. Quando entrei na Ufac, o curso (geografia) não dispunha dos laboratórios elementares para seu funcionamento. E o que dizer do tempo em que os professores que davam aulas nos municípios isolados do Estado, sem biblioteca, sem internet e com uma comunidade acadêmica incipiente para motivar um estudante a fazer um curso superior?

Quer dizer que enquanto a "qualidade" não chegar, todas essas pessoas estarão impedidas de ingressar na faculdade?

O governo do Acre promoveu juntamente com a Ufac a formação de todos os professores da rede estadual urbana e rural e agora também a rede municipal em todos os municípios e sem vestibular. Também negociou a instalação do curso de economia em quinze dos municípios mais pobres do Estado (o Acre tem apenas 22 municípios).

O que pretendo mesmo é uma escola que leve os alunos à motivação! Motivados, o céu é o limite. O que queremos é a capacidade de pensar, criar e inovar. Com esses igredientes, a "qualidade" será uma realidade ao alcanse de muitos.

Diversas universidades estão testando alternativas para inovar na forma de recrutar novos alunos. A federal da Bahia e a UNB já incrementaram algumas novidades interessantes. Uma forma que estar tomando corpo nas UNIFES é o bacharelado por área comum.

Exemplo: a área de ciencias da natureza/exatas formam um bacharelado como tronco comum (física, matemática, química, biologia, etc) com duração de 2 ou 3 anos. Ao final o aluno (a) escolhe o curso específico e conclui com a especialização. A Unicamp tem um curso de 2 anos conhecido como ciências da terra (geografia e geologia) depois o aluno escolhe em qual deles se especializa.

O ingresso dos alunos nesse bacharelado se dar por aproveitamento de notas e presença no ensino médio dentro (ainda) da capacidade das vagas oferecidas. As salas de aula foram aumentadas para comportar turmas de 50 alunos, com mini auditórios, video conferências, bibliotecas, internet e outras formas de conhecimento extra sala. Os professores tiveram que reinventar o formato das aulas.

O foco do ensino é na pesquisa individual, ficando a sala de aula para os debates, seminários e apresentação de trabalhos. Ou seja, fazer do ensino uma iniciação científica.

Numa visita que fiz à Universidade de Padova na Itália, pedi para conhecer a sala onde Galileu ministrava suas aulas. Funcionava como nos comícios das campanhas eleitorais que conhecemos hoje: um pequeno palanque de onde ele falava e embaixo os alunos ouviam e certamente também o indagavam. (o curioso é que não vi cadeiras). E olhe que Galileu teve brilhantes alunos e naquelas condições.

Isto me diz que quando a vontade quer, os instrumentos por piores que sejam, só ajudam. Avante! Não é a forma de entrar na faculdade o nosso maior problema, e sim como a gente sai.

 

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Autor
Sebastião Sibá Machado Oliveira, um errante nordestino que passou pelo estado de são Paulo e Pará, fixando-se no Acre em 1986. Bacharel em Geografia e Mestrando em Desenvolvimento Regional pela Ufac, foi comerciário, camponês, cobrador de ônibus, Dirigente Sindical, Dirigente Partidário, secretário de Estado e Senador da República.
 
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que saco, to loco atraz de uma jaqueta dessas
 
Exelente material
 
gostaria de saber quem trabalha em banco que não trabalha sabado e domingo se os três dias ja começa...
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