30 de janeiro de 2012, às 17h58min

Por que jogamos fora produtos que ainda funcionam?

Está na hora de você conhecer um termo que conduz completamente sua vida de consumidor: a obsolescência ideológica

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Você já parou para se perguntar por que tantos produtos eletro-eletrônicos que compramos parecem como os alimentos – com data de validade?

Acha um exagero essa pergunta? Então, responda apenas a mais um simples questionamento: qual foi a última vez em que você mudou de celular? A verdade é que nem preciso conhecê-lo para saber que essa resposta não passará de três anos.

Obviamente não estou falando apenas de celulares. O carro que você (ou sua família) possui, dificilmente, tem mais de 10 anos. Seu computador não é mais aquele Windows com Pentium 120 que a Microsoft vendia na década de 90 e o seu som não pega apenas toca-fita.

Sim, todos esses produtos mais antigos citados acima ainda funcionam (claro, com algumas limitações de recursos), mas não interessa mais a você e para quase nenhum consumidor. Eles, literalmente, não duram. E isso acontece por uma série de motivos que podemos resumir em um termo: a obsolescência ideológica.

Obsolescênciaideológica                 Os celulares são os produtos campeões entre os que compramos e não duram    Foto: Thinkstock

Entenda

Desde que a publicidade ganhou força após as guerras mundiais e com a chegada da mídia televisiva, somos bombardeados por anúncios e campanhas todos os dias, tendo como consequência achar algo absolutamente natural o ato de consumir intensamente. O papel do marketing, da publicidade, das linhas de crédito facilitadas aos consumidores e até das táticas comerciais das empresas está pautada em construir essa "necessidade do novo".

Só para você ter ideia, a LG, Samsung e Nokia – juntas - fazem mais de 100 modelos de celulares/smartphones por ano. E provavelmente você, assim como eu, conhece pessoas que mudam de aparelho pelo menos duas a três vezes nesse mesmo período. São produtos que não satisfazem mais esse consumidor e, por isso, são trocados.

A verdade é que essa necessidade do novo está mais relacionada com uma questão ideológica do ser humano do que realmente ao rendimento do eletro-eletrônico em si. Todos nós queremos a tecnologia mais nova, o gadgets mais moderno e o aparelho de última geração. Esse desejo de ter "o melhor" acontece por acreditarmos que ele melhorará nosso rendimento, ou para continuarmos no grupo social que estamos inseridos ou por algum outro fator externo.

Mais sobre o assunto

Tive a oportunidade de aprofundar esse tema na matéria de capa da revista Administradores de fevereiro/março. Após um trabalho de quatro meses de apuração de fatos e dados descobri algumas faces bem interessantes provocadas pelo capitalismo moderno. Entre eles destacam-se a obsolescência programada, a ideológica e as consequências dela para a economia, sociedade e meio ambiente.

Caso o tema tenha despertado seu interesse, recomendo a leitura dessa reportagem intitulada: "Programados para acabar". O assunto, você gostando ou não, está completamente relacionado com a vida de todo o consumidor.

Ah, caso queira compartilhar alguma situação sobre um produto que parou de funcionar ou que você o fez não funcionar mais, basta dizer no espaço para comentários.

 

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As opiniões veiculadas nos artigos de colunistas e membros não refletem necessariamente a opinião do Administradores.com.br.
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Autor

Editor da Revista Administradores e Editor do portal Esporte Nordeste

 

É redator do portal Administradores.com.br e colunista de cinema pelo portal www.maisacao.net

 

Tem especialização em Jornalismo Digital pela Faculdade Internacional de Curitiba. É formado em Comunicação Social com bacharelado em Jornalismo pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

 

- Diretor do documentário "A retomada" com a trajetória do Cinema Brasileiro a partir da década de 90 até hoje.

 

- Co-diretor do documentário-poético “7:23”, sobre o cotidiano dos passageiros de trens urbanos

 

Contato: fabio@administradores.com.br

 
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