Adotamos modelos e padrões a serem seguidos em toda e qualquer esfera de nossa sociedade. A educação, especificamente o modelo de educação brasileiro, mantém durante muito tempo seu paradigma. Algo que, por vezes, mantém-se inquestionável. Mas por que isso acontece? O que estamos esperando do sistema educacional? Numa sala de aula, quer seja de uma escola particular ou de uma escola da rede pública, o modelo empregado é sempre o mesmo. Há alguém diante de um quadro negro ou lousa, empunhando um giz, escrevendo de forma automatizada, ouvindo o barulho de murmúrios e vozes expandindo-se pelo ambiente. Essa mesma pessoa vira-se para dezenas de alunos selecionados de um modo duvidoso, sentados em suas cadeiras desconfortáveis e solta uma série de explicações, vezes desconexas. O olhar dos alunos reflete a ausência de entendimento pelo que está sendo abordado e se ratifica quando através de um questionário intitulado de avaliação ou prova sua nota se releva baixa. Um questionário? Isso foi capaz de avalia-lo como 'sábio' ou 'não preparado'. O modelo de educação brasileiro não promove a discussão, nem o entendimento da situação atual relacionado ao assunto que esta sendo apresentando, tampouco promove o espírito crítico dos alunos. Ter uma opinião sobre determinados assuntos é uma afronta ao modelo educacional. O modelo de avaliação empregado nos estabelecimentos de ensino é inquestionável. Quem ousa questiona-lo? Pais, alunos, professores? Muitas vezes a sociedade se conforma, mantém-se passiva diante daquilo que lhes é apresentado. Os filósofos de outrora ficariam indignados diante do desestímulo ao pensar e ao pensamento crítico, sobretudo. Ter uma opinião sobre determinado assunto, pode ser uma afronta ao modelo educacional. É inadmissível vermos que a cópia de um texto, selecionado no mar abissal da rede de computadores mundial, é tida como um carimbo que promove o aluno ao próximo estágio de sua vida acadêmica. Um incentivo ao copie, cole, finja que aprende que eu finjo que ensino. Notadamente, o modelo educacional promove a facilidade. Uma opção ética questionável, que ainda é inquestionável. Em todos os níveis de escolaridade essa deformidade estrutural é apresentada. Não são raras as universidades em que os alunos fazem nada mais do que aquilo que eles já sabem. Leitura por leitura, cópias infindáveis de textos sintetizados, fórmulas sem relação com a aplicação cotidiana, além de um número incontável de trabalhos realizados em grupo sob a égide da promoção do trabalho em equipe (mas que nada estimulam o trabalho em equipe). Realizam cálculos homéricos para chegar a um determinado resultado sem terem a ciência da aplicação deste em sua vida profissional/pessoal. Os meios tecnológicos que chegam cada vez mais aos lares brasileiros são desprezados no ambiente educacional. Computadores são raros, utilização de slides e data show nem pensar, conhecer softwares que empregam o conhecimento teórico com a prática é algo distante. Assim estamos formando nossos profissionais do futuro. Há culpados para esse modelo arcaico? Não sabemos se chamaremos de culpados, no entanto pais, professores, alunos, participam desse ciclo vicioso, sem contestação, sem tentativas de promover algo diferenciado, sem entender modelos e teorias que poderiam ser aplicadas aos métodos tradicionais que são empregados. Provavelmente muito do não questionamento foi promovido pela educação recebida nos bancos acadêmicos, que condicionou o aluno a escutar, sem que fosse propiciado a este o debate. Despertar no aluno (seja criança, adolescente ou adulto) a capacidade crítica, com certeza seria bem mais benéfico a toda sociedade. Cidadãos que sabem lidar com as informações diárias e que tem capacidade de julgamento, buscam melhores soluções para a resolução de seus problemas. Uma pessoa que foi preparada durante toda a sua vida acadêmica consegue buscar alternativas para as mazelas que são impostas pelos organismos particulares e estatais. Um aluno bem formado, vira um consumidor bem informado, um pai bem situado, um cidadão melhor. Informação é poder. Está na hora de se quebrar paradigmas na educação. A sociedade precisa questionar o modelo empregado, para que educadores, pensadores, filósofos possam rediscuti-lo. A discussão contudo tem um propósito mais profundo do que a simples discussão. Como formar cidadãos capacitados? Notamos que nas regiões menos abastadas do país, o modelo simplista auxilia na formação de homens e mulheres. Estes, enquanto crianças, não puderam obter o mínimo de educação, não sabem ler ou escrever, não tiveram a mínima sorte de serem inseridos num modelo educacional (por mais arcaico que seja). Obrigados a trabalhar logo cedo para o auxiliar no sustento da família, não têm como premissas de seus crescimento pessoal e profissional o estudo. Naturalmente, que não somente por ausência de vontade, mas por dificuldade de acesso a um número reduzido de escolas e, também, por terem de dedicar seu tempo ao ganho diário voltado para a alimentação e o sustento da família. A esse público, que distante dos grandes centros, sempre sofre e sofreu com a educação, o modelo, por mais simples que possa parecer, dá um sentido a sua existência. Quando têm acesso à escola e ao aprendizado da leitura e escrita, o mundo se abre diante dessas pessoas. Programas educacionais sempre foram uma alternativa para dar acessibilidade a esses brasileiros. Antes de tudo, absolutamente todos, devem ter acesso a um meio educacional (por mais deficiente que seja). O que trago para discussão é despertar a crítica das pessoas ao modo com o qual estão aprendendo nas escolas e universidades. É de suma importância, nesse sentido, o papel dos pais, educadores e da sociedade como um todo, em se mobilizar e repensar. Formação não é diploma ou certificado pendurado na parede ou enrolado dentro de um canudo de veludo. Formação é informação, que conseqüentemente propicia poder. Poder, não no sentido de superioridade, mas de habilidade e capacidade para perceber-se cidadão e não aceitar absolutamente tudo que se impõem. O grande paradigma da educação brasileira não é o emprego de meios tecnológicos, mas o despertar para a capacidade crítica.