Barbosa, GS* Resumo: Nosso conceito de resiliência humana propõe de que a resiliência é a capacidade ou habilidade desenvolvida a partir de crenças estruturais que organizam o comportamento das pessoas (Barbosa, 2010a) e são aglutinados nos chamados Modelos de Crenças Determinantes (MCDs) . Tais modelos quando coerentes capacitam os resilientes a enfrentarem situações adversas e de estresse elevado, com habilidade de enxergar, compreender e tomar decisões apropriadas para superar e vencer as adversidades nas diferentes áreas da vida. Ao final um exercício da estruturação das crenças em MCDs que promove a repetição dos MCDs transformando-os em Padrões Interacionais. Crenças e Padrões Interacionais Em CERVENY (1994) encontramos a discussão de que essa aglutinação de crenças tem em consideração os sistemas em que as pessoas estão inseridas. Nesses sistemas se dá os comportamentos de troca que organizam os modelos a serem repetidos através dos seus Padrões Interacionais dentro de um sistema – uma família, uma empresa, uma escola, e outros que costumamos conviver. Esses Padrões são os ritos, os comportamentos, as crenças, comunicados através de significados particulares – as regras no sistema. Em 2001, Barbosa descreveu que um sistema pode romper com certos padrões do passado ou reformular outros, a partir da demanda encontrada, por meio de atributos como a flexibilidade e a elasticidade que operam mudanças e conservações no seio relacional. Nessa perspectiva, são vividos os critérios temporais como o passado e o futuro. Tal argumentação propicia a fundamentação necessária para o conceito Barbosa de resiliência. Estes padrões são vividos com os novos integrantes no sistema, como parentes, amigos, colegas, colaboradores e todos passam a funcionar na perspectiva de assegurar a continuidade do sistema frente às exigências externas. Essa transmissão de Padrões se dá na medida em que o processo for mantido através de sequências de um significado próprio atualizado no contexto, que contém a conduta sintomática ou problemática nas interações de todos aqueles que estão ligados ao sistema. A essas sequências – transmissão de Padrões na teia de relações –, Barbosa chamou de regras do sistema. Dessa forma quando trabalhamos com um sistema corporativo, escolar ou familiar estamos trabalhando com a trama dos relacionamentos baseados nas regras interacionais. Quando tais regras são exacerbadas ou enrigecidas temos o surgimento dos Padrões Interacionais. Barbosa propõe a seguinte representação gráfica para explicar a estruturação dos padrões interacionais: Padrão de comportamento —- Estruturado por crenças, rituais e valores — Que é vivido com um significado próprio no sistema Nessas condições a comunicação em um sistema relacional ora ela é reforçada, ora qualificada, ou mesmo negada. Isso ocorre por meio do contexto interpessoal que acontece no ambiente. Os integrantes do sistema irão trabalhar no sentido de gerar regras de autossustentação para perpetuar o padrão interacional. Uma vez estabelecidas as regras, o sistema familiar se autogoverna no tempo. Essas regras definirão o que pode, ou não acontecer dentro e fora das relações do sistema. Há uma busca intensa de generalização das regras em todo o contexto relacional. A forma mais explícita disso ocorrer é por meio do enrigecimento das crenças em cada um dos intergantes do sistema. Enrigecer as crenças é uma forma de uma pessoa do sistema (ou várias) gerar oportunidades para avaliar as ameaças ao seu funcionamento. Porém, é comum se verificar que o enrigecimento acorre para organizar fracas ou intensas resistências para possíveis mudanças. Todo o tempo o sistema está buscando preservar seu padrão atual ou se direcionando para uma mudança estratégica onde o propósito é, nada mais nada menos que, manter a sua estrutura – permite no máximo algumas pequenas adequações. Essa fundamentação teórica explica a razão dos inúmeros conflitos que encontramos nos sistemas das empresas, das família entre tantos. Os padrões interacionais não são em sí mesmos benéficos ou maléficos. O que irá determinar a sua condição é a qualidade em que uma pessoa atribui significados às suas crenças. É dessa forma que um certo padrão interacional representando um MCD ora é prejudicial a resiliência e, em outro momento, é altamente favorável (Barbosa, 2010 b e 2010 c). Foi esse o entendimento que houve já em 2006 quando da reorganização da escala de resiliência 'Quest_Resiliência'. Desde essa época que já havia essa fundamentação teórica. Quando uma pessoa se propõe a ser mapeada em seu comportamento resiliente, ela está declarando como organiza suas crenças em oito domínios de crenças. Esses domínios foram levantados da literatura – que são os MCDs. Minhas Forças Inovadoras nos 08 MCDs para superação de desafios Forças inovadoras no MCD: Autocontrole eu penso que devo reagir movido(a) pelo equilíbrio em minhas emoções minhas emoções modulam a atenção que dedico a ele eu utilizo as minhas emoções de modo positivo sou capaz de controlar meu comportamento Forças inovadoras no MCD: Conquistar e Manter pessoas eu prefiro me desafiar onde haja pessoas desconhecidas eu me sinto confortável com as pessoas envolvidas eu me sinto mais seguro(a) se criar uma rotina o meu modo de agir estará sendo influenciado pelo que outras pessoas pensam ao meu respeito Forças inovadoras no MCD: Análise do contexto eu interpreto os eventos e situações envolvidas de modo adequado eu sou capaz de encontrar soluções quando surgem problemas eu acho importante resolvê-lo o mais rápido possível quando surge um problema eu penso em várias soluções possíveis Forças inovadoras no MCD: Autoconfiança eu tenho certas habilidades que favorecem resolver os problemas relacionados a ele eu gosto de tratá-lo como uma tarefa rotineira eu prefiro enfrentá-lo com uma estratégia na qual me sinto(a) confiante eu recorre a pessoas que freqüentemente troco ideias para resolver problemas Forças inovadoras no MCD: Leitura corporal eu levo em conta as minhas habilidades físicas eu me proponho aprender mais quanto as minhas habilidades mentais identifico as reações corporais que costumo ter eu cultivo o hábito de me exercitar de modo adequado para ele Forças inovadoras no MCD: Empatia eu me sinto atraído(a) para entender as razões das outras pessoas os amigos mais próximos me escutaram sobre meu plano de ação eu me identifico com os sentimentos que as pessoas estão expressando Forças inovadoras no MCD: Otimismo para a vida eu acredito que os problemas têm, de alguma forma, um possível controle eu costumo me imaginar liberando perdão e gratidão eu cultivo bom humor e entusiasmo eu sei que me sairei bem ao aplicar minhas habilidades e capacidades específicas Forças inovadoras no MCD: Sentido de vida eu busco a sabedoria que acumulei na vida eu procuro áreas onde posso transcender com minha coragem eu encontro um lado artístico e criativo dele eu alimento a gratidão pela oportunidade de vivenciá-lo Quando os MCDs são organizados nessa perspectiva de forças e capacitações estamos em consonância com os conceitos da psicologia positiva. Como nos diz Paludo e Koller (2006) o foco está no saudável e não no patológico. Para exercitar propomos o exercício abaixo: ATIVIDADE PRÁTICA: MINHAS FORÇAS INOVADORAS em meus compromissos** Passo 1 – Escreva um compromisso da próxima semana que envolva alguma tensão ou avaliação de seu desempho Passo 2 – Anote quais as principais crenças você tem sobre ele nesse momento Passo 3 – Registre algumas forças capazes de inovar sua percepção das principais crenças em relação ao compromisso Passo 4 – Escreva em que essas forças inovadoras contribuem para fortelecer você ou o ambiente no que se refere a resolução da situação descrita nos MCDs específicos Passo 5 – Se expresse sobre como se sente após a análise Desenvolvimento: Passo 1 – Um compromisso: Passo 2 – Principais crenças: ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ Passo 3 – Forças inovadoras (da relação apresentada acima): ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ Passo 4 – Contribuição da resolução do compromisso: (em que me ajuda olhar o compromisso nessas novas perspectivas)________________________________________________________________ ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ Passo 4 – Como me sinto agora: ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ O propósito do exercício é levá-lo(a) a ressignificar suas crenças quando houver uma situação específica em pauta – o nosso compromisso, viabilizando o aumento de sua resiliência. Citações no texto: Barbosa, GS. (2001). DIAGRAMÁTICA DE COMUNICAÇÃO FAMILIAR: Uma possibilidade do genograma DCCF no atendimento a pacientes com Esquizofrenia em Terapia Familiar. [Dissertação de Mestrado no Programa de estudos Pós-Graduados em Psicologia Clínica na PUC – SP] . Barbosa, GS. (2006). RESILIÊNCIA EM PROFESSORES DO ENSINO FUNDAMENTAL DE 5ª A 8ª SÉRIE: VALIDAÇÃO E APLICAÇÃO DO 'QUESTIONÁRIO DO ÍNDICE DE RESILIÊNCIA: ADULTOS – R – S / BARBOSA' [Tese de doutorado no Programa de estudos Pós-Graduados em Psicologia Clínica na PUC – SP]. http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=29754 ou http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/ResultadoPesquisaObraForm.do Barbosa, GS. (2010a). Perguntas sobre o conceito Barbosa de Resiliência no ambiente de trabalho. http://www.webartigos.com/articles/55256/1/Perguntas-sobre-o-conceito-Barbosa-de-Resiliencia-no-ambiente-de-trabalho/pagina1.html Barbosa, GS. (2010b) Os pressupostos nos Estilos Comportamentais de se expressar resiliência. in: Divulgação Científica: Enfrentamentos e Indagações. Kreinz, Glória, Pavan, Octávio H., Gonçalves, Rute M. (orgs). São paulo: NJR/USP. http://abradic.com/abradic/ Barbosa, GS. (2010c). Roteiro dos Índices de Resiliência – Completo http://www.clubedeautores.com.br/book/41774–Roteiro_dos_Indices_de_Resiliencia Cerveny, C M. de O. (1994), A família como modelo: Desconstruindo a patologia. São Paulo: Editorial Psy II. Dell´Aglio, D, Koller, SH., Yunes, MA. (2006) Resiliência e Psicologia Positiva: interfaces do risco a proteção. 1ª ed. São Paulo: Casa do Psicólogo. Del´Aglio, D. Koller, SH. Yunes, MA. (2006) Resiliência e psicologia positive: interfaces do risco à proteção. 1ª ed. São Paulo: Casa do Psicologo. *GEORGE SOUZA BARBOSA Pedagogo, Doutor em Psicologia (PUC/SP), Diretor Científico da Sociedade Brasileira de Resiliência ( www.sobrare.com.br ), Integrante do Conselho Editorial do N J Reis (ECA/USP), Associado da Federação Brasileira de Terapias Cognitivas e Membro Diretor Nacional de Comunicações da Assoc. Bras. de Medicina Psicossomática. Autor dos livros: A Dinâmica dos Grupos: Um enfoque sistêmico. 1995. Robe Editorial; Modelo de Atendimento Terapêutico com Informática. 2003 Vetor Editora. Coach na modalidade de Coaching de vida. Formado em desenho da figura humana no MAM – SP. (CRP: 06/45154-9) george.barbosa@sobrare.com.br – http://lattes.cnpq.br/391908845644178 **Nota: a atividade se refere a um resumo do exercício estruturado pelo autor e praticado nos cursos da SOBRARE – mencionado aqui com permissão da SOBRARE. Você pode copiar, distribuir, exibir e executar o exercício e criar outros derivados sob as seguintes condições: você deve atribuir o trabalho de forma especificada ao autor original; você não pode utilizar esta atividade para fins comerciais; se você alterar, transformar ou criar uma derivação com base nesta, você poderá distribuir a atividade / exercício resultante sob uma licença idêntica a esta aqui. Para cada novo uso ou distribuição, você deve deixar claro para os aplicantes / ouvintes os termos da licença de uso desta atividade. Qualquer uma destas condições podem ser renunciadas, desde que você obtenha a permissão da SOBRARE. O uso justo e outros direitos não são de forma alguma afetados pelo disposto acima. Denuncie e não pratique o plágio!