Sacolinhas plásticas: como evitá-las?
Muito se fala sobre a punição dfas sacolinhas, será que elas devem ser banidas? será que não iremos usar outros materiais ainda piores? Conheça um pouco mais sobre o uso e deixe sua opinião sobre o tema;.
Desde 19 de maio foi publicada no Diário Oficial de São Paulo a lei que proíbe as sacolas descartáveis, sancionada um dia antes pelo prefeito Gilberto Kassab. Desde então, as sacolinhas viraram motivo de polêmica, pois a decisão da Câmara causou descontentamento, principalmente, nos setores que trabalham com este material.
A previsão era que a lei entrasse em vigor janeiro de 2012, até lá os estabelecimentos e os consumidores deveriam adequar-se. Uma das medidas previa que as lojas fixassem cartazes de 40cm x 40cm, com a mensagem "Poupe recursos naturais! Use sacolas reutilizáveis". Os estabelecimentos deveriam também estimular o uso destas sacolas.
Mensagens com classificações de oxidegradáveis, oxibiodegradáveis, degradáveis, fotodegradáveis e biodegradáveis ou qualquer tipo de texto que indique uma suposta vantagem ecológica também estão proibidas segundo a lei.
Agora a Lei Municipal 15.374, que proíbe a distribuição gratuita de sacolas plásticas nos estabelecimentos comerciais de São Paulo, foi suspensa provisoriamente pelo Tribunal de Justiça. A liminar foi concedida na última quarta-feira (29) pelo Sindicato de Material Plástico de São Paulo.
As leis aplicadas em diversas cidades brasileiras contra o uso das sacolas plásticas levantaram uma série de questionamentos por parte dos consumidores e abriram caminho para o mercado publicitário a favor ou contra a sacolinha.
Sabemos que as sacolas de plástico demoram pelo menos 300 anos para sumir no meio ambiente. Em todo o mundo são produzidos 500 bilhões de unidades a cada ano, o equivalente a 1,4 bilhão por dia ou a 1 milhão por minuto. No Brasil, 1 bilhão de sacolas são distribuídas nos supermercados mensalmente - o que dá 66 sacolas por brasileiro ao mês. Porém Uma garrafa PET demora no meio ambiente cerca de 400 anos para se degradar, além de prejudicar a decomposição pois impermeabiliza certas camadas de lixo, não deixando circularem gases e líquidos. Então porque não há uma campanha forte de proibição de garrafas PET?
Os usuários, que há muitos anos reaproveitavam as sacolas plásticas, distribuídas gratuitamente nos supermercados, como sacos de lixo, se perguntam quais são as alternativas plausíveis para o descarte de resíduos, diante das constantes proibições.
No bairro de Lesseps, em Barcelona não passam caminhões de lixo, pois cerca de 30% da capital catalã conta com a chamada coleta pneumática. Nesse moderno sistema, os moradores depositam os sacos de lixo em escotilhas e o material é transportado por uma tubulação subterrânea até uma central de coleta. A 5 metros da superfície, os detritos de casas, escritórios e hospitais são sugados ao longo de 113 quilômetros de tubos, numa velocidade de 70 quilômetros por hora.
Ao chegar à periferia da cidade, o lixo é armazenado em contêineres e levado a uma usina de triagem, ainda mais distante do centro. Latas, papéis e plásticos são reciclados. Enquanto isso, o produto orgânico é transformado em combustível para mover turbinas que produzem eletricidade. Outras vantagens desse modelo são ruas mais limpas, cheirosas e silenciosas. A coleta pneumática funciona em Barcelona desde os Jogos Olímpicos de 1992. Foi criada para servir a Vila Olímpica e hoje atende 324.000 moradores.
E no Brasil? Em Curitiba tem uma alternativa interessante, mas até que isso seja aplicado em todo o Brasil, creio que já não estaremos mais aqui.
Sem o plástico, não haveria computadores, TVs, celulares, seringas descartáveis, bolsas de soro e de sangue para salvar vidas. O plástico tornou os automóveis mais leves, reduzindo a emissão de CO2, causador do efeito estufa.
As sacolas plásticas são reutilizáveis, práticas, higiênicas e têm múltiplos usos. São particularmente importantes para 80% dos consumidores que fazem uso destas para descarte de lixo em casa, e que na ausência desta sacolinha irá comprar sacos plásticos de lixo. Claro que o ideal é utilizar sacola retornável, mas existem casos em que elas não podem ser utilizadas, com em açougues, peixarias e outros casos em que por ser molhado, o produto contamina a sacola retornável. Nesses casos, o ideal é o uso da sacola oxibiodegradável, que em 18 meses terá se biodegradado, restando apenas água, uma pequena quantidade de CO2 e biomassa.
E por falar em sacos de lixo, este é um outro tema interessante, porque banir as sacolinhas e não banir os sacos de lixo? Será que alguma empresa irá se beneficiar com a extinção das sacolas? E as lojas de shoppings e grandes magazines irão substituir as sacolas plásticas por de papel? Até acredito que este deva ser o foco, mas por que ninguém enfatiza este mercado ainda, só por ser menor? Mas quem fabrica sacola para um, fabrica para outro, portanto creio que todos os que usam estas sacolas deixarão de usar.
Todos nós usamos as sacolinhas em casa, afinal no Brasil não temos ainda cultura de uso dos trituradores de lixos em todas as casas, e desta forma os lixos orgânicos são separados e depositados nesta sacolinha que são enviadas aos lixões. Imaginem se fosse sacolinhas de pano ou papel, onde você joga bagaços de restos alimentares, até mesmo lixos diversos úmidos, como você transporta isso até uma lixeira? Hoje não temos alternativas as sacolas que cumpram seu papel com eficácia.
Em São Francisco, as sacolas de plástico foram banidas. Somente as feitas de produtos derivados do milho ou de papel reciclado podem ser usadas. Outra solução é a cobrança de uma taxa por sacola, como acontece na Irlanda desde 2002. O dinheiro é revertido em projetos ambientais. No Brasil as taxas já são embutidas nos preços e tem supermercado que cobra ao final por sacola usada, ou seja, cobrança duplicada, e o dinheiro vai para o lucro do estabelecimento.
Parte da indústria se aproveita da dúvida dos consumidores para vender a idéia de que as sacolas oxibiodegradáveis ou biodegradáveis são opções mais ecológicas para substituir as sacolas plásticas tradicionais. No entanto, especialistas alertam que nem sempre a imagem vendida condiz com a realidade.
Sacolas Oxibiodegradáveis
No Brasil, a principal alternativa são as sacolas de plástico oxibiodegradáveis. Elas vêm com um aditivo químico que acelera a decomposição em contato com a terra, a luz ou a água. O prazo de degradação é até 100 vezes menor - ou seja, uma sacola leva apenas três anos para desaparecer. O governo do Paraná distribui gratuitamente essas sacolas.
Ainda sendo alvos de estudos, pois sua eficiência é considerada "obscura". Essa falta de comprovações motivou o ex-governador de São Paulo José Serra a vetar um projeto de lei que tornava o uso desse produto obrigatório, para substituir os modelos tradicionais. Além disso, diversos especialistas se mostram contra a utilização das sacolas oxibiodegradáveis. Nem Inglaterra nem Canadá, países que inventaram esse aditivo oxidegradável, adotaram a tecnologia. Por quê o Brasil empregaria essa técnica?
No projeto "Fotodegradação e fotoestabilização de blendas e compostos poliméricos", do professor Guilherme José Macedo Fechine (Universidade Mackenzie), mostra que apesar de se decompor em micropartículas, este tipo de plástico não é consumido por fungos, bactérias ou protozoários, uma das características essenciais para garantir que os resíduos realmente serão eliminados do ambiente.
A mesma opinião é compartilhada pelo especialista norte-americano Joseph Greene, que realizou o estudo responsável por impedir que a Califórnia adotasse o plástico oxibiodegradável. A pesquisa mostra que esses resíduos não se desintegram, apenas se tornam invisíveis aos olhos. Mas mesmo que não se desintegrem já é um grande avanço até que se possa conseguir melhores alternativas.
Segundo Fechine, a única diferença entre o polímero oxibiodegradável e o comum é o tempo de fragmentação, menor no primeiro caso. Mas, em termos ambientais não existe benefício algum. O que eu discordo, basta manter um lixão por 2 anos com sacolinhas normais e outro apenas com sacolinhas de fotodegradação e verificar quais ainda possuem sacolinhas. O pior de tudo é que o lixo estará lá nos dois casos e este lixo que deveria ser o foco esta sendo deixado para segundo plano. O foco deveria ser, como iremos reduzir a produção de lixo e como iremos melhorar o processo de armazenagem do mesmo.
Sacolas Biodegradáveis
A palavra biodegradável também tem se tornado marca registrada nos carimbos das sacolas plásticas. Na maioria dos casos, ela exerce apenas uma função publicitária, para vender a imagem de que o item é ecológico.
Segundo o Instituto Sócio-Ambiental dos Plásticos (Plastivida), os materiais realmente biodegradáveis são aqueles provenientes de fontes naturais, capazes de ser totalmente consumidos por microorganismos e que se degradam em até 180 dias.
O Instituto alerta também para os perigos dessas propagandas, que distorcem o impacto real dos materiais no meio ambiente e que dessa forma incentivam o consumidor a não buscar alternativas para os resíduos que produz. Há pesquisas que mostram o contrário do que foi divulgado por entidades que representam os interesses comerciais das petroquímicas, afirmando que o produto é uma alternativa segura e testada. "As sacolas oxibiodegradáveis contêm aditivas e tecnologia que aceleram a degradação do plástico convencional, sem contar que as oxi custam quase dez vezes menos que um plástico biodegradável. Isso está comprovado cientificamente por laboratórios de credibilidade no país".
Soluções
O uso das sacolas plásticas deve ser motivo de constante preocupação entre os consumidores, que precisam ser incentivados a criar essa consciência ecológica. O problema não esta na sacola plástica e sim na cultura de quem enche esta sacola com lixo e joga em rios, mares e ruas. Se a população não tem cultura para praticar atos mais sociáveis, nossa fraca forma de governo pune todos que são corretos? As novas legislações, que seguem modelos já aplicados em outros países, é uma das maneiras de fazer o consumidor refletir, mesmo que forçadamente, sobre os impactos das sacolas plásticas no meio ambiente. Porém refletir não é punir agressivamente todos os que procuram separar lixos, usam o menor número possível de sacolas a pagarem pela omissão de práticas de coleta das prefeituras.
As alternativas apresentadas, oxibiodegradáveis e biodegradáveis, já foram cogitadas como possíveis soluções, mas hoje se sabe que resolver esse problema não é uma tarefa simples. Lembre sempre dos 3Rs: reduzir, reutilizar e reciclar, se adotarmos estes itens não se faz necessário banir um mercado por interesses particulares, porém para que os 3Rs sejam adotados faz-se necessária campanhas de educação e conscientização nas novelas, jornais, sites, escolas e agentes de saúde.
Se a reciclagem dos sacos plásticos ainda é pouco atraente para o mercado devido aos altos custos do processo, as empresas devem procurar produzir plásticos derivados de outros materiais.
A Usina da Pedra, em Serrana, região de Ribeirão Preto (SP), é o principal pólo de produção de plástico derivado de açúcar de cana do País. Em meio à vasta área de plantações de cana funciona, desde 2002, uma fábrica-piloto de PHB. PHB abrevia polihidroxibutirato, nome de um composto orgânico, sintetizado por bactérias que se alimentam de açúcar, com propriedades similares aos plásticos — que também são compostos orgânicos, mas derivados do petróleo. Outras alternativas são optar pelos saquinhos feitos de jornal para o lixo seco e utilizar trituradores no caso do lixo orgânico.
Escolha a sua forma de contribuir com o meio ambiente e com a sustentabilidade. Faça sua escolha e tome partido em usar ou não as sacolinhas.
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Autor: Wagner Gonsalez
Fontes:
Ciclo Vivo,
www.agora.uol.com.br/saopaulo/ult10103u938011.shtml
http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/atitude/conteudo_255967.shtml
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Atuou em empresas como Solarium Revestimentos, Espaço Fechado Relógios, TV UOL (Náutica Web), C.E. Jean Piaget, Agências de Publicidade e como Free lancer para revistas. Atua também como Professor Universitário da disciplina de Marketing na Universidade Metodista de São Paulo atua também como palestrante sobre comportamento do consumidor, plano de marketing e comunicação.







