26 de junho de 2009, às 13h14min
Se meu (nosso) lixo falasse!
Se meu (nosso) lixo falasse!
Joaquim* resolveu ir à cantina tomar um cafezinho, logo no primeiro minuto daquele dia, aproveitando que chegou antes do expediente. Sendo bem cedo, cumprimentou a atendente com um sorriso ainda preguiçoso e logo voltou dando seus primeiros goles de um copo bem cheio de café.
Até chegar à sua mesa, Joaquim* passa, pelos menos, por cinco a seis mesas e como ainda ninguém havia chegado, andava bem tranqüilo e despreocupado.
Observou a mesa do Mauricio*, organizada e sem muito “entulho”; a mesa da Maria* também estava organizada, mas com um pouco mais de papeis a solta; já a mesa do Artur*, puxa quanto papel! Pior de tudo é que os papeis estavam completamente desorganizados.
Curioso e por ainda estar um pouco sonolento, sua capacidade de observação estava aflorada, mesmo sendo despretensiosa. Então olhou a disposição do computador do Mauricio*, tipos de documentos na mesa de Maria* e canetas e demais objetos utilizados diariamente, que na verdade nem dá para ficar observando. Na mesa do Artur*, por exemplo, tinha uma caneta importada, da Austrália, Joaquim* lembrou que ele tinha uma prima que morava lá e mandou de presente.
Quando não tinha mais opções e pronto para ir para sua mesa e começar as atividades daquele dia, olhou para a lixeira, e alguma coisa lhe chamou a atenção. Cada lixeira, de colegas de trabalho diferentes, possuía lixo diferenciado. Até aí tudo bem. O negócio é que Joaquim* começou a relacionar o tipo de lixo à pessoa, à suas atitudes dentro e até mesmo fora da empresa, sua personalidade. Não que Joaquim* fosse algum profissional de psicologia ou psicanálise, mas lia muito material a respeito e chegou a fazer matérias isoladas sobre o assunto na faculdade, onde é graduado em Filosofia.
A lixeira do Artur* tinha muitos clipes quebrados e espalhados pelo chão, além de um lápis médio jogado fora. Tinha também o jornalzinho interno da empresa meio amassado, parece que não foi lido.
Na lixeira de Maria* havia papeis de bombons e balas de chocolate. Tinha umas sete folhas grampeadas com receitas de doces e bolos e parecia que era rascunho, outro material teria surgido deste, só que mais atualizado. Tinha também um folder de um novo salão de beleza que foi inauguro perto dali.
O lixo de Mauricio* tinha muitas planilhas com informações de desempenho de papeis na Bolsa e gráficos de fundos indexados pelo CDI. Tinha também uma revista antiga que falava sobre lideranças e tipos de administração. Tinha também uma impressão de uma faculdade que oferecia MBA em Administração de Empresas.
Joaquim* concluiu:
Artur* é desinteressado pelos assuntos da empresa e não liga se suas atividades influenciam positivamente ou negativamente. Está ali para curtir o momento e se pintar alguma coisa melhor, vai embora. Não dá para contar com ele de verdade. Maria* pensa em si mesma, sua satisfação pessoal e benefícios para ela mesma. Tudo que faz na empresa é pensar nela e isto evita que ela se entregue mais à empresa e ao convívio com os amigos. Já Artur* é comprometido com a empresa e possui ambições sadias para si e para a empresa. Procura estudar o negócio da organização e informação sobre o mundo empresarial. Também está buscando crescimento pessoal que vai beneficiar a si mesmo e a empresa.
Tire suas conclusões agora, leia sobre cada um dos perfis e imagine como deve ser a rotina de cada um deles. Em qual papel você se encaixa melhor? Será necessária uma mudança a partir de agora?
Pense nisso!
Wellerson Chaves
*Nomes fictícios. Esta história foi criada pelo autor sem relacionar nenhuma das informações a pessoas reais. Toda e qualquer análise aqui esboçada faz parte da opinião do autor somente e não procura confrontar aspectos científicos das matérias aqui citadas com as análises proprostas.
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