Há alguns dias precisei levar meu carro para a revisão. Como sempre liguei para a autorizada e agendei o atendimento. De imediato estranhei o atendimento ao telefone, pois me pediram tantos dados sobre mim e o veículo, que mais parecia uma entrevista. E levando em consideração que antes bastava que eu dissesse a placa e eles confirmavam meu nome e o modelo, realmente é para estranhar o novo sistema de atendimento. Com o horário marcado, dias depois fui entregar o carro, mas qual a minha surpresa ao verificar que meu nome não estava na agenda daquele dia. Conversei com a secretária responsável pelos agendamentos, e ela insistia que eu havia confundido a data, mas o fato é que não havia registro para nenhum dos dias posteriores. Depois de algum tempo foi explicado que houve uma mudança no sistema, o que poderia justificar a mudança de atendimento ao agendar a revisão. Enfim, depois de toda a confusão, consegui um encaixe, e enquanto aguardava o consultor dei uma volta na concessionária. Foi evidente que eles estavam atravessando um período de mudanças, pois o layout da loja estava diferente, e alguns funcionários já não figuravam mais no quadro. Mas o principal eu descobri depois: o gerente havia mudado. Toda essa contextualização serviu para exemplificar uma realidade das organizações: a mudança no comando traz consigo uma série de mudanças nos processos e na rotina organizacional. É claro que a mudança de um gerente é quase sempre em decorrência da necessidade de melhoria no desempenho, para salvar os resultados de um setor ou de uma empresa. Entretanto, quando assumem seus postos estão imbuídos daquela ânsia de promover melhorias, inserir novos recursos e implementar novas estratégias para justificar sua competência e para atingir o sucesso o mais rápido possível. E é essa pressa toda em realinhar os processos que faz com que às vezes se mexa naquilo que está funcionando bem. Sim, o novo gerente quer deixar sua marca e para isso, muitas vezes elimina tudo o que lembre seu antecessor, o que inclui nesse emaranhado os processos eficazes. Como no caso acima, mesmo que o restante do atendimento andasse “mal das pernas”, o agendamento telefônico era preciso, pois em uma ligação de menos de cinco minutos tudo era resolvido graças ao alinhamento com o banco de dados dos cadastros. No entanto, agora é preciso contar a vida e obra do carro para que possamos agendar um atendimento. Antigamente no comércio era comum ver cartazes com os dizeres “sob nova direção” para enfatizar que mudanças estavam sendo feitas naquele estabelecimento, e com intuito de recuperar antigos clientes que estavam insatisfeitos com algum aspecto do atendimento. Nos escritórios não é possível afixar cartazes com esse propósito, mas os novos gerentes fazem questão de inserir seu estilo de gestão em todos os processos como meio de divulgação da “nova direção”. O problema desse comportamento, frequente em gestores com pouca experiência de comando, é complicar algo que funciona bem, e comprometer assim os esforços para obtenção de novos resultados. Em suma, os gestores devem lembrar que ao conduzir um setor ou uma empresa é preciso conhecer os mínimos detalhes que compõem aquele negócio, e que antes de implantar qualquer projeto deve-se principalmente observar os pontos positivos, para transferir essas premissas para a elaboração de soluções que visem atenuar os pontos negativos.