SOPA e PIPA: erros e mais erros, de ambos os lados
Uma breve análise do assunto da semana, que está colocando, de um lado, as gigantes da internet, contra, do outro, as gigantes do entretenimento e música do EUA. Motivo: as leis antipirataria SOPA e PIPA
Esta semana está sendo um marco para a internet e sua relação uso-privacidade-liberdade. Por dois motivos. Primeiro são os projetos de lei conhecidos como SOPA (Stop Online Piracy Act) e PIPA (Protect IP Act) que estão circulando no congresso americano para aprovação. Mas dúvido que realmente sejam aprovados.
Em mensagem publicada em seu blog no último fim de semana, a Casa Branca afirmou que não pode apoiar "um projeto de lei que reduz a liberdade de expressão, amplia os riscos de segurança na computação ou solapa o dinamismo e inovação da internet global" (FONTE: G1).
O segundo motivo deste marco para a internet são os níveis dos protestos que surgiram contra tais leis. Articulados principalmente pelos maiores "injustiçados" por estas leis - Wikipédia, Google, Yahoo, Facebook, Twitter, Wordpress(plataforma de blogs) e outros - e pelo Anonymous (grupo de hackers do mundo inteiro).
Os sites ameaçaram sair do ar por determinado período como forma de protesto (dia 18/01 a Wikipédia cumpriu essa promessa, os outros apenas comunicaram que pretendem). Já o grupo de hackers derrubou vários sites do governo americano e da indústria do entretenimento, após a notícia de que o FBI teria realizado operação em conjunto com outras agências de outros países, prendendo fundadores e alguns funcionários do site Megaupload.
Lendo aqui e ali na internet, artigos e notícias de ambos os lados disso, posso concluir algumas coisas:
1 - A questão central da discussão é a pirataria. Este é o problema central. Mas ambos os lados estão tomando atitudes e ações que não "resolvem" o problema diretamente. Tudo que vi até agora tenta indiretamente solucionar o problema. Nas empresas conhecemos isto como má administração, com ações ineficazes, longe do foco de resolução do problema real.
2 - As leis, por mais que estejam voltadas apenas para o EUA, têm impacto eeal sobre o mundo inteiro. Traduzindo, ninguém percebeu ainda que não existe mais esse conceito de fronteira definida nos dias de hoje, por causa da globalização. A maioria das ações, principalmente se envolverem a internet, têm impacto mundial. Mudanças e alterações têm que ser tomadas por todos os envolvidos.
Ex. 1: esta crise econômica e a de 1929, todas começaram por erros na economia americana, e afetaram profundamente o mundo inteiro.
Ex. 2: A falta de política de direitos dos trabalhadores e de propriedade (intelectual, marcas, patentes etc.) na China, prejudica o comércio mundial.
3 - Como todas as ações que estão sendo tomadas não observaram os pontos descritos acima, estamos prestes a ver uma cyber guerra (algo inimaginável há 20 anos), onde todos sairão perdendo e muito. O motivo: uma tempestade em copo de água, vazio.
4 - Os interesses políticos de empresas poderosas e o chamado lobby político, com grandes somas de dinheiro envolvido, estão tentando resolver um assunto que envolve a ética (direitos de uso, propriedade e liberdade) com ações anti-éticas. De ambos os lados.
5 - A falta de verdadeiros empreendedores nas empresas de entretenimento americano. Ao invés de buscar alternativas aos negócios diante deste cenário (da internet e compartilhamento de "produtos"), que é irreversível, estão buscando manter o antiquado e arcaíco negócio do jeito que está. As empresas dizem que perdem anualmente bilhões com a pirataria, mas esquecem dos bilhões que arrecadam por causa dela, já que a divulgação e propagação dos artistas e produtos aumenta. Traduzindo, estas empresas reclamam que perdem dinheiro com a venda dos DVD/CDs, mas não percebem que devido a "pirataria", seus artistas/filmes/músicas ficam mais famosas, conhecidas, aumentando a arrecadação com shows, cinema e outros produtos relacionados. Se calcular direitinho, as perdas e ganhos com isso deve dar "elas por elas".
Para terminar, posso dizer que já existem soluções para este caso, e que a pirataria sempre existirá. Faço minhas as palavras do Maurício Ricardo(do Charges.com.br), quando questionado sobre o assunto por um internauta de seu site, por ele "estar" de ambos os lados (produz e usa conteúdos na internet).
Internauta: "Você que está nos dois lados da polêmica (produz mas também usa conteúdos da Internet) é a favor ou contra a SOPA?"
Maurício Ricardo: "A essa altura você já sabe que SOPA é a sigla em inglês para "Stop Online Piracy Act", projeto de lei nos EUA que (falando beeeem por alto), sob o pretexto de combater a pirataria ameaça a liberdade da Internet, inclusive de expressão.
O que eu acho? Absurdo.
O caminho do combate à pirataria não passa pela repressão truculenta por uma razão óbvia: se o cara baixa pirataria é porque gosta do produto. Se gosta, mesmo praticando um ato ilegal, é um potencial cliente.
O sempre esperto Steve Jobs salvou a indústria da música ao criar o iTunes, que chegou com um atraso gigantesco ao Brasil. Por que funciona? Porque você baixa músicas e vídeos com facilidade, preço baixo, qualidade, não tem que aguentar propagandas chatas e não corre o risco de infectar a máquina.
Milhões de pessoas aderiram ao produto.
Piratas sempre existirão: já existiam quando eu era adolescente e as pessoas iam às lojas de disco encomendar coletâneas de músicas em fita cassete. Mas o público que potencialmente pode pagar é - e sempre foi - gigantesco. O que os executivos com salários milionários tem a obrigação de fazer é encontrar atrativos para que as pessoas queiram pagar"
Se discorda, concorda ou ignora, comente! Ao menos é um assunto mais interessante que o BBB e a Luiza, que está por aí, afinal a vida dela pouco me interessa.
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Estudante de administração, apaixonado por esportes em geral, aficcionado por novidades, tem opinião sobre tudo, enfim, um cara "simples" que quer mudar o mundo com suas opiniões e atitudes. Apesar de todos o considerarem louco, jura não ser. Sobre a história de mudar o mundo, não acreditem, é apenas delírio...
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