28 de novembro de 2008, às 17h53min

Sustentabilidade em TI

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Sustentabilidade em TI: indo além da “TI Verde”

Por Alex Prado

O conceito de sustentabilidade (ou desenvolvimento sustentável) surgiu em 1987, a partir de uma manifestação crítica da ONU sobre o rumo predatório do modelo de desenvolvimento econômico, principalmente nos países desenvolvidos. Assim, entende-se por desenvolvimento sustentável é aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem às suas próprias necessidades.

Atualmente este conceito vem sendo fortemente associado à preservação do meio ambiente, que por si só não traduz sustentabilidade. O desenvolvimento sustentável se dá em três aspectos: econômico, social e ambiental, crescendo à medida que a interseção destes aumenta.

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Em outro eixo, temos a área de TI – Tecnologia da Informação. A TI hoje impulsiona e suporta o desenvolvimento mundial, provendo informação e conhecimento para o crescimento das organizações. Influenciado por isto, existe uma demanda constante de mão-de-obra, onde sobram ofertas de emprego e faltam profissionais com qualificação ou capacidade de “aprendizado digital”. Esta aceleração é alimentada pela alta competitividade das empresas de ponta e seus investimentos em inovação.

Comumente, todo este processo consome recursos naturais, estrangula a capacidade intelectual dos profissionais e gera grande volume de recursos obsoletos.

Em TI, a sustentabilidade deveria estar na pauta diária dos CIO’s. Ainda há uma maioria significativa que possui entendimento simplista do tema, associando-o a um requisito de redução de energia e de impactos ambientais (com descarte de itens eletrônicos nocivos ao meio ambiente) – a chamada TI Verde. Há muito além disto.

No próprio aspecto ambiental, são avaliados meios para o descarte adequado, reduzindo a contaminação pela decomposição de metais (principalmente chumbo e cobre). Também buscam a substituição de periféricos por outros de mesmo potencial, mas com menor consumo de energia e menor emissão de gases poluentes.

Uma solução mais completa e eficiente deveria levar em consideração o uso de soluções como Cloud Computing, Thin Client, Leasing Back, SaaS e Outsourcing (de pessoas e/ou processos), resultando em menos hardware próprio, menos processamento e menos consumo de energia – sem perda de qualidade ou capacidade no atendimento dos níveis de serviço estabelecidos.

Estas ações trazem resultados diretos no aspecto econômico. Além dos ganhos com a redução do consumo de energia, isto também promove ganhos consideráveis sobre o TCO – Total Cost of Ownership. O TCO é um cálculo que contempla todos os custos envolvidos ao longo do ciclo de vida de uma solução de TI, incluindo: custos do hardware e das licenças de software, amortização, manutenção, upgrades, suporte técnico, tempo ocioso por falhas (downtime), segurança (vírus, denial of service, back-up, restaurações, etc.), treinamento, administração, tempo de operação. Estes ganhos se traduzem em ecoeficiência.

Cada vez mais, percebe-se a importância das pessoas nas empresas, principalmente em TI onde pesa o capital intelectual. Sob o equilíbrio da sustentabilidade, o aspecto social não tem recebido igual atenção – salvo quando diretamente ligado à questão econômica, alimentando os princípios do modelo criticado pela ONU. Um exemplo disto é o outsourcing “não-estruturado”, conhecido como body shopping, onde os profissionais são contratados e são “largados” junto aos clientes, órfãos dos propósitos e princípios da sua contratante e com a responsabilidade de uma atuação individualista sob a ótica da organização. Em alguns casos nem mesmo as leis trabalhistas são respeitadas.

Mais do que capacitar ou incluir no meio digital, a responsabilidade social em TI está ligada a um propósito mais humanístico, capaz de promover o indivíduo em seu desenvolvimento físico, mental, emocional e espiritual, respeitando suas relações e as condições culturais e políticas envolvidas.

Se o conceito de sustentabilidade é um caminho racional também para a área de TI, a pergunta que fica é: por que ainda não está sendo amplamente aplicado? Não há uma resposta exata, mas pode-se elencar algumas possíveis:

  • Resistência a mudanças;
  • Falta de planejamento (estratégico) para TI e visão sistêmica;
  • Prioridade na solução dos problemas e não nas causas;
  • Ausência de uma cultura voltada para a excelência;
  • Adequação superficial às inovações.

Não faltam motivos para explicar a atual “insustentabilidade” da TI por parte de inúmeras organizações, o que não justifica ser conivente com isto. É necessário ter sabedoria para usufruir dos mecanismos existentes e coragem para agir, com liderança, constância de propósitos e senso de urgência.

A sustentabilidade em TI representa a capacidade da empresa em gerir seus ativos tecnológicos de forma eficiente, mantendo o equilíbrio com a sociedade e o meio ambiente e isto está muito além de frases prontas e ganhos publicitários: está diretamente ligado à relevância da TI (a tecnologia e a informação) à visão de futuro das organizações envolvidas.

Um novo e seleto grupo de empresas se forma: são empresas que planejam seus objetivos além dos aspectos econômico-financeiros, tendo o desenvolvimento sustentável como alicerce. Elas exprimem o real sentido de sua existência e empregam energia para disseminar estas diretivas por todas as áreas da corporação.

 

Alex Prado é Formado em Engenharia de Software, pós-graduado em Gestão e TI e MBA em Gestão Empresarial pela FGV. Foundation Certificate in IT Service Management, pelo EXIN, também possui certificações MCP, MCSD, MCAD e MCT, da Microsoft, além de formação Six Sigma Black Belt.

 

 

 

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sou pne por acidente do trabalho posso, ha vagas para mom.
 
ta bom. mas preciso enderecos de microempresas da grande Para. Como posso conseguir? manda pro meu e...
 
Pertinente. Portugal está na merda mesmo.
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