A melhor opção ainda é o câmbio flutuante

07 de outubro de 2008 às 00:06
Em um período conflitante no mercado econômico, muitos se perguntam como se comportará a economia brasileira diante das crises americana e européia.

O Brasil atua com uma taxa de câmbio flutuante, onde a posição da economia de um determinado país varia de acordo com o mercado internacional, buscando sempre a melhor maneira para mantê-lo em uma posição confortável, ou ir em busca da estabilização.

Muitos economistas e empresários ainda se questionam se essa é a melhor forma cambial de se trabalhar no Brasil. Segundo o consultor do Núcleo de Negócios Internacionais da Trevisan Consultoria, Pedro Raffy Vartanian, “o câmbio flutuante funciona como uma espécie de amortecedor diante de crises internacionais, absorvendo parte dos impactos ocasionados pela crise. As fugas de capitais que sucedem as crises desvalorizam a moeda local (no caso, o real). Esta desvalorização promove uma melhora na balança comercial e na conta corrente estimulando a economia”.

É preciso considerar que não existe uma regra teórica universal que determine que um sistema de câmbio seja certo ou errado para qualquer país, em qualquer tempo. O câmbio reflete as pressões de oferta e procura de moeda estrangeira no mercado.

A taxa de câmbio, sendo flutuante, fica sujeita a flutuações selvagens de curto prazo, em virtude da entrada e saída de capitais especulativos, sem nada a ver com os fluxos reais de comércio e de serviços.

Isso, em geral, produz uma tremenda tensão na economia, na medida em que os fluxos especulativos levam a uma valorização do câmbio, enquanto as necessidades reais de importações e de pagamentos de juros, dividendos e serviços requerem uma desvalorização. Uma valorização prolongada pode inibir exportações, e a própria flutuação, em si, quando em ritmo muito forte, implica prejuízos aos exportadores e ao comércio exterior, pondo em risco a necessidade de geração de divisas a médio e longo prazo, para cobrir nossos compromissos externos.

Segundo Pedro Vartanian, vale lembrar que, sob regime de câmbio fixo, o Banco Central deve elevar fortemente as taxas de juros para manter o capital no país e impedir pressões no mercado de câmbio. Se a economia brasileira operasse com um regime de câmbio fixo a taxa de juros estaria muito maior do que a atual. “No período em que vigorou o regime de bandas cambiais (1995-1999), a taxa Selic atingiu patamares de 45% ao ano em períodos de crises internacionais”, completa.

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