Donos da AB InBev (a maior cervejaria do mundo, controladora da AmBev), da rede de fast food Burger King e da fabricante de alimentos Heinz, além da Lojas Americanas, os empresários Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira construíram, em pouco mais de quatro décadas, um dos negócios brasileiros mais importantes. Hoje, Lemman ocupa o posto de homem mais rico do Brasil e juntos, os três empresários acumulam uma fortuna estimada em US$ 35 bilhões. Os bastidores dessa história são contados pela primeira vez no livro Sonho Grande (246 páginas, Editora Sextante). A jornalista Cristiane Correa produziu um livro-reportagem em que revela a trajetória do trio desde a fundação do banco Garantia, em 1971, por Jorge Paulo Lemann. Inspirado por companhias americanas como a varejista Walmart e o banco Goldman Sachs, Lemann trouxe para o Brasil conceitos até então praticamente desconhecidos, como meritocracia e a possibilidade de os melhores funcionários se tornarem donos do negócio em que trabalham. Telles e Sicupira, que foram contratados pelo Garantia pouco após sua fundação, são o melhor retrato dessa cultura: ambos ingressaram no banco muito jovens e conquistaram espaço na instituição até se tornarem sócios de Lemann. Ao longo de mais de um ano, Cristiane fez quase 100 entrevistas com pessoas próximas a Lemann, Telles e Sicupira, para entender como pensam e operam esses empresários. Dessa lista fazem parte desde antigos sócios do banco Garantia a personalidades que se tornaram mais próximas do trio nos últimos anos, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o americano Warren Buffet. O megainvestidor, que se associou aos brasileiros para a compra da Heinz, contou qual foi sua impressão quando conheceu Lemann, no final dos anos 90, no conselho de administração da Gillette, do qual ambos participavam: 'Eu não sabia nada sobre ele. Zero. Nunca tinha ouvido falar. Nos encontrávamos a cada dois ou três meses, e demorou algum tempo até que realmente nos conhecêssemos. O que eu notei desde o começo é que ele dizia coisas que faziam sentido. Não fingia saber de coisas que não sabia, não falava só para escutar a própria voz. Tinha uma tremenda visão de negócios.'