Alcance da sustentabilidade

Com o fortalecimento da economia brasileira estamos acompanhando o aumento da produção industrial, principalmente no setor da indústria automobilística, que carrega consigo o crescimento de outros setores como o da indústria de pneus.

Esse segmento da economia apontou recentemente, números de ações responsáveis divulgados por instituições ligadas a ele. Uma delas, a Reciclanip, criada pela Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos, entidade formada pelos maiores fabricantes mundiais de pneus novos, a Bridgestone Firestone, Goodyear, Michelin e Pirelli, concentra mais de 180 pontos de coleta de pneus inservíveis em todo o país. Foi criada com o objetivo de coletar e dar um destino a esses produtos.

Segundo dados desta entidade, foram recolhidos mais 140 mil toneladas de pneus, elevando para 780 mil o volume coletado desde 1999, no início do Programa Nacional de Coleta e Destinação de Pneus Inservíveis.

Outra iniciativa importante desse setor, por exemplo, é o projeto da Pirelli para capacitar deficientes auditivos em Feira de Santana, na Bahia. A Bridgestone, por exemplo, aponta em seu balanço social, detalhes de assuntos que dão importância como, apoiar iniciativas em prol do desenvolvimento social e esportivo; desenvolver programas que estimulam a cidadania e buscar diálogos constantes com a comunidade em seu entorno, além de promover o desenvolvimento ambiental das regiões onde atuam. Estes são elos de uma grande corrente que chamamos de sustentabilidade. São iniciativas como essas que ajudam o país a ficar no centro das atenções de investidores internacionais.

Em vários países, empresas de diversos setores vêm se empenhando para fazer parte dos índices de sustentabilidade, como o Dow Jones Sustainability Indexes (DJSI). Entre essas empresas está a estatal brasileira Petrobrás, que conseguiu no ano passado ser indicada. O DJSI é um indicador que reúne empresas socialmente responsáveis cotadas na Bolsa de Nova York.

O principal objetivo dessas companhias, assim como a nossa estatal, é tornar-se mais atrativas para os fundos que investem em empresas tidas como socialmente responsáveis, demonstrando mais transparência e credibilidade; mais governança e, por conseqüência, maior competitividade no mundo dos negócios. Nos Estados Unidos esses fundos chegam a movimentar mais de US$ 1 trilhão por ano. E para atrair a atenção dos investidores que procuram empresas socialmente responsáveis, é preciso mostrar a eles através dos relatórios de sustentabilidade que apontam as ações tomadas diante de cada stakeholders.

A participação num índice de sustentabilidade, como o da Bolsa de Nova York, é fundamental para a obtenção de novos recursos financeiros e, de certa forma, atesta que a companhia possui boas práticas de governança corporativa, de gestão ambiental e de relacionamento com consumidores, funcionários e fornecedores, entre outros. Na prática, a participação nesses índices vem representando ganhos extraordinários.

Como em outras regiões do mundo, o Brasil também tem o seu Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), criado pela Bovespa em 2005, quando foi composto por uma carteira de 28 empresas em seu lançamento. Essas companhias enfrentaram um processo de seleção e tiveram de responder a um questionário que avalia aspectos econômico-financeiros, sociais e ambientais.

Para a indústria automobilística e, por conseqüência, o segmento de pneus, gerar qualidade de vida é um diferencial. Portanto, a implementação de práticas e políticas de Responsabilidade Social nas empresas do segmento é de altíssimo valor agregado.
Não há obrigatoriedade legal de qualquer setor para a implementação das práticas de Responsabilidade Social Corporativa. Porém, naturalmente, há sim uma cobrança da sociedade e de todos os envolvidos.

A BDO Trevisan está concluindo o 3º Estudo de Responsabilidade Social Corporativa (RSC) 2008 que tem como objetivo mostrar ao mercado um retrato de como as corporações e seus gestores lidam com os conceitos de responsabilidade socioambiental. As organizações e seus líderes já perceberam que, num futuro bem próximo, não haverá lugar para empresas e negócios isolados dos conceitos de sustentabilidade, de preocupação com os grupos de interesse - os chamados stakeholders - e dos conceitos de pilares básicos de sustentação da governança.

Esta nova pesquisa é uma prova viva de que a cobrança da sociedade traz efeitos práticos na vida das organizações. Sustentabilidade está ao alcance de todos.

Mauro Ambrósio é sócio-diretor da BDO Trevisan, responsável por auditorias e consultorias de responsabilidade socioambiental de entidades e empresas.



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A economia mundial irá se recuperar em 2009?

Completamente.
Moderadamente.
A economia não irá se recuperar em 2009.





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