Análise gráfica: Volatilidade dá ‘dicas falsas’

A volatilidade extrema registrada na Bolsa de Valores de São Paulo faz suar a camisa de quem opera no mercado financeiro com base na análise gráfica. A técnica de acompanhamento do mercado parte do estudo de gráficos de cotações de ações para inferir o comportamento futuro de preços. “As premissas da análise gráfica são mantidas. Continuamos identificando tendências, suportes e resistências, mas surgem ‘sinais falsos’ de compra e venda no caminho”, conta o gerente da Banif Invest, Harilton Cruz. “A volatilidade engana muita gente.”

Em épocas como a atual, é muito mais comum ver, em apenas um pregão, os preços caírem abaixo da região considerada de suporte – espécie de piso de baixa, em que a compra do papel se mostraria interessante – para terminar o dia acima dela. É difícil acertar a cotação de “stop loss”, ordem enviada à corretora que representa o limite de perdas que o investidor se dispõe a enfrentar. “Uma ação pode cair 10% durante o pregão para encerrar o dia com recuo de 2%. Se o stop loss estivesse posicionado nos 4%, a ação seria vendida e o investidor terminaria o dia com ainda mais prejuízo”, explica Cruz.

Além disso, figuras gráficas prestes a serem formadas podem mudar rapidamente. “Isso descaracteriza a situação esperada para o momento”, afirma o analista gráfico e autor do livro Técnicas de investimento para o mercado de ações, Marcelo Piazza. “É preciso tolerância maior ao risco quando se opera em momentos voláteis.”

Sem referência

Como se baseia em movimentos passados, a análise gráfica pode ficar sem referências para determinar quais serão os suportes seguintes de uma ação em épocas de queda intensa. Suportes e resistências (objetivos de alta) são a base para o trabalho do analista gráfico, pois é na zona formada entre os dois extremos que se negocia. Mas quando os papéis ultrapassam patamares de cotações registrados há muito tempo, muitas vezes suas mínimas históricas, fica difícil resgatar da “memória” do mercado os novos níveis de baixa que se colocam para a ação.

GOL

Tome-se como exemplo as ações preferenciais da empresa aérea Gol. Em 2006, elas alcançaram suas cotações recordes, acima de R$ 80. Desde então, vieram caindo. Em junho desde ano, eram vendidas a R$ 24,80, mesmo nível de preço da época em que foram lançadas na Bolsa. “Este suporte levaria o investidor a achar que os papéis estavam baratos, com potencial para subir”, explica o analista gráfico e sócio da Leandro & Stormer Trading Leandro Ruschel. As ações, no entanto, caíram mais e foram cotadas a R$ 7. “Perde-se a referência”, afirma.

Quando a situação é de volatilidade, quem se baseia na análise técnica precisa mudar algumas características do estilo de operar em relação ao adotado em condições normais de temperatura e pressão. Para os que ainda não se arriscaram, a recomendação de Cruz é ficar de fora por enquanto. “Se a intenção for mesmo entrar, no entanto, mantenha os stops apertados”, ensina. Isso significa fixar o limite de perda bem mais próximo do preço pelo qual a ação foi comprada. “E esteja ciente de que a possibilidade de ser ‘stopado’ é grande.” Ainda assim, afirma Cruz, é preferível sair com prejuízo pequeno que grande.

Período semanal

Para quem costuma olhar gráficos rápidos (com cotações dispostas, por exemplo, a cada 15 minutos ou um dia), o ideal é acrescentar análises mais longas, que indiquem qual a tendência (de alta ou baixa de preços) predominante. “Uma boa alternativa é passar as análises gráficas para o período semanal, ao invés do diário, mais recomendado para períodos “normais” do mercado”, conta Piazza. “O semanal balanceia melhor os excessos da grande movimentação de preços, oferecendo uma visão mais ampla e de médio prazo, ideal para os cenários atuais.”

Segundo Ruschel, o atual momento de mercado exige também que o investidor passe a ser mais criterioso nas decisões. Isso significa avaliar com mais precisão o momento ideal de comprar ou vender ações. “Quando a tendência geral é de baixa, mas o preço de uma ação se aproxima da zona de resistência, diz-se que é hora de apostar na queda e vender ações, com uma operação de aluguel (leia mais)”, diz Ruschel.

Em situações normais de mercado, não seria preciso entrar na operação somente no exato momento em que a resistência se configura. “Mas agora o investidor tem de esperar a cotação chegar muito perto disso. O mercado precisa exibir exatamente a figura gráfica prevista para que o investidor, de fato, atue.”

Para o analista gráfico Erich Beletti, sócio da Conexão BR, o desafio em tempos de volatilidade é atentar para o “timing” de cada operação. “O investidor não deve esperar muito para cada negócio”, diz. “Sempre que o objetivo mais próximo de alta for alcançado, venda e embolse o lucro.”



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A economia mundial irá se recuperar em 2009?

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A economia não irá se recuperar em 2009.





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