Após alta histórica, Bolsas de NY fecham com perdas

Com um pregão que foi mais calmo do que a das últimas sessões, as Bolsas americanas fecharam nesta terça-feira com leve baixa. Apesar do governo local ter anunciado mais medidas para reforçar o setor bancário, os fortes ganhos vistos na segunda-feira e nas primeiras horas de negociações (o Dow Jones fechou a avançar 4%) hoje fizeram com que os investidores vendessem seus papéis para realizar lucro, o que fez os índices fecharem no vermelho.

A Nyse (Bolsa de Valores de Nova York, na sigla em inglês) fechou em baixa de 0,82%, indo para 9.310,99 pontos no índice Dow Jones Industrial Average, enquanto o S&P 500 caiu 0,53%, indo para 998,01 pontos. A Bolsa Nasdaq encerrou seus negócios em baixa de 3,54% no indicador Nasdaq Composite, indo para 1.779,01 pontos.

Hoje foi a primeira vez em nove sessões que o Dow Jones não teve uma variação diária menor que 100 pontos, o que mostra uma calma maior dos investidores depois da tormenta que atingiu Wall Street na semana passada e do otimismo quase irracional de ontem --quando o indicador avançou 936 pontos, a maior variação já registrada em um único dia.

Segundo analistas, depois de subir pouco mais de 11% ontem, era de se esperar um recuo hoje. Além disso, mesmo com as medidas já adotadas, nos EUA e na Europa, contra a crise, a percepção de que a economia americana permanece em declínio ainda afeta a confiança para os negócios.

"Não sabemos se já chegamos ao fundo", disse o diretor de investimentos e economista-chefe da LPL Financial, Lincoln Anderson, à agência de notícias Associated Press. "Certamente esperamos um aumento na volatilidade por um bom tempo enquanto tentamos entender exatamente o que está acontecendo."

Uma prova do medo que a atual crise financeira atinja a "economia real" é que a maioria das instituições financeiras tiveram altas no pregão de hoje, enquanto papéis de empresas industriais --em especial produtoras de commodities-- indicaram perdas. Para confirmar esse temor, empresas como a PepsiCo anunciaram hoje resultados trimestrais aquém do esperado pelo mercado.

Pacotes


O presidente americano, George W. Bush, disse hoje que o uso de US$ 250 bilhões para a compra de ativos de grandes bancos e outras iniciativas, como garantias a empréstimos bancários, "são ações inteligentes e têm todo o apoio dos EUA". O secretário do Tesouro, Henry Paulson, confirmou pouco tempo depois o plano do governo, mas disse lamentar ter de tomar ações que levem à intervenção do governo no setor financeiro.

Nove bancos já aceitaram entrar no programa do governo : Goldman Sachs, Morgan Stanley, JP Morgan Chase, Bank of America, Citigroup, Wells Fargo, State Street, Merrill Lynch e Bank of New York Mellon. Este último foi designado como responsável por fazer a contabilidade do plano do governo americano.

O Federal Reserve (Fed, o BC americano) anunciou quer irá começar a comprar papéis de dívidas de curto prazo --conhecidos como "commercial papers"-- no próximo dia 27. A medida é outra forma do governo tentar restaurar o fluxo normal de crédito entre instituições bancárias. Além disso, o FDIC (órgão federal americano de seguros de depósitos bancários) anunciou que garantirá as novas obrigações lançadas pelos bancos durante três anos, para relançar o mercado de créditos abalado pela crise financeira.

Alemanha, França, Holanda, Espanha, Áustria, Itália, Portugal, Inglaterra e Rússia já haviam anunciado ajudas que, em conjunto, rondam os US$ 2 trilhões.



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