Balanço de pagamentos tem pior resultado desde 2005

Devido à contínua saída de dólares do Brasil, o balanço de pagamentos ficou negativo em US$ 8,609 bilhões em outubro, no primeiro resultado negativo desde junho de 2006 (deficitário em US$ 614 milhões) e o pior desde dezembro de 2005 (deficitário em US$ 10,675 bilhões). O resultado negativo foi diretamente influenciado pela fuga de capitais de empresas e investidores estrangeiros em meio ao período de agravamento da crise internacional.

Conforme os números do BC, o balanço de pagamentos ficou negativo porque a conta de transações correntes teve déficit de US$ 1,507 bilhão no período. Somado a esse valor, a conta capital e financeira - onde são registrados os movimentos de capital - registrou a saída líquida de US$ 8,293 bilhões. O valor foi em parte compensado pela linha de erros e omissões do balanço de pagamentos, que registrou ingresso de US$ 1,191 bilhão.

"Esse resultado está associado, sobretudo, à saída de capitais pela conta financeira decorrente do movimento de desalavancagem em âmbito global, que atingiu os mercados emergentes de forma praticamente indiscriminada após a falência do banco Lehman Brothers, em meados de setembro", destaca relatório do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) divulgado hoje.

Quando há déficit, parte da saída de dólares acaba sendo compensada com a oferta de dólares no mercado interno via venda da moeda pelo BC ou por bancos que, eventualmente, mantenham posição comprada na moeda norte-americana. Em outubro, especificamente, chamou a atenção a venda de US$ 9,5 bilhões realizada pelo BC no mercado cambial para tentar amenizar a disparada das cotações da moeda norte-americana.

Apesar do resultado negativo em outubro, o balanço de pagamentos ainda acumula números positivos no ano. De janeiro a outubro, o resultado é positivo em US$ 15,350 bilhões. Em igual período de 2007, a cifra estava positiva em US$ 77,996 bilhões. Esse forte ingresso de dólares fez com que a oferta da divisa estrangeira fosse muito maior que a demanda no ano passado. Isso permitiu que o BC reforçasse as reservas com a compra maciça de dólares durante praticamente todo o ano.



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