Desde a vigência das regras estabelecidas no Novo Acordo de Capital previsto no Comitê da Basiléia, conhecido como Basiléia II, instituições financeiras se viram inseridas em um cenário até então desconhecido e desafiador. Todos os sistemas e processos internos destas organizações precisaram sofrer mudanças estruturais relevantes em busca de aderência e conformidade com os preceitos constantes do novo regulamento internacional.
Talvez o maior entrave a ser vencido pelos bancos a partir desta nova regulamentação tenha aspecto cultural. Explico. Não há um sistema bancário sequer que não tenha nascido com aquela cultura de valorizar seus produtos, cuja preocupação é a de expor minuciosamente as características de um cartão de crédito, por exemplo, ou de seus promissores financiamentos, ou ainda a de oferecer o detalhamento dos benefícios ligados a certo crédito imobiliário, e assim por diante, tudo em detrimento da figura do consumidor.
É imperioso observarmos que a complexidade do mundo financeiro atual subverteu esse quadro e o Novo Acordo de Capital passa a ser um dos fatores de contribuição para tal mudança, vez que o foco de preocupação passa a ser, sobretudo, o cliente. Sabe-se que um dos propósitos advindos da Basiléia II é garantir que os bancos fortaleçam e confiram maior solidez a todos os dados de sua clientela, elevando assim a confiabilidade e o sigilo das transações efetuadas.
Mas como consolidar tamanho volume de dados em um único sistema sem que nele haja instabilidade e por conseqüência quebra da eficiência? Na tentativa de cumprir as exigências da nova lei, muitos bancos têm insistido na adoção de ferramentas que funcionam como uma espécie de “calculadoras” atreladas à base de dados, como data marts. Entretanto, estes bancos vêm notando que de lá para cá os resultados alcançados estão longe de serem satisfatórios. E não é difícil explicar as razões para isso. As referidas “calculadoras” não conseguem fazer todo o trabalho de cálculo na granularidade que os bancos de varejo e atacado possuem.
Não é por menos: são milhões de contratos a serem processados e as calculadoras não têm capacidade para tal processamento, resultando em um método de cálculo sumarizado ou agregado, o que impede a consolidação efetiva de todas as informações disponíveis.
Dada a complexidade das arquiteturas presentes nas instituições bancárias, reunir com precisão as informações numa mesma base de dados acaba se tornando um verdadeiro desafio. O Novo Acordo de Basiléia exige um detalhamento de todos os dados relativos à gestão de risco de mercado, de crédito e de nível operacional dos bancos, cujas estruturas devem ser de alta confiabilidade a ponto de comprovarem suas séries históricas.
Fausto Novaes é consultor de Finanças da Teradata Brasil, empresa especializada em datawarehousing e soluções analíticas.