BC anuncia nova operação para irrigar país com dólares

BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Central anunciou nesta segunda-feira que passará a comprar títulos de bancos brasileiros no exterior, com o compromisso de revenda, para fortalecer o financiamento ao comércio exterior em um momento de forte retração de liquidez no mercado global por conta da crise financeira.

Segundo o presidente do BC, Henrique Meirelles, o governo não predeterminará o volume dessas compras, que serão feitas por meio de leilão, com recursos das reservas, "na medida do necessário".

"No exterior, o Banco Central vai receber títulos de primeira qualidade --títulos da República Federativa do Brasil e outros títulos de primeira qualidade a serem definidos pelo Conselho Monetário Nacional-- e, depois, no contrato de recompra, o Banco Central recebe de volta os dólares e devolve os títulos", afirmou Meirelles em entrevista à imprensa concedida em conjunto com o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

"De novo, uma operação totalmente garantida, mais uma vez, no uso inteligente das reservas internacionais do Brasil", acrescentou o presidente do BC.

Na mesma entrevista, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social receberá recursos do Tesouro Nacional para ampliar em cerca de 5 bilhões de reais as linhas de crédito para exportadores.

Meirelles e Mantega reiteraram que, se for preciso, o governo irá adotar medidas adicionais para manter a economia irrigada.

"O Banco Central está preparado para tomar medidas adicionais se necessário. Em nenhum momento existe uma decisão de que é só isso e ponto final", afirmou Meirelles.

O anúncio do governo foi feito ao final de um dia dramático para os mercados brasileiro e globais que refletiam temores de uma recessão mundial e da contaminação da crise financeira na Europa.

O Ibovespa, índice mais importante da bolsa paulista, fechou com desvalorização de 5,43 por cento. Ao longo do dia, o pregão foi interrompido duas vezes, chegando a cair mais de 15 por cento.

O dólar disparou 7,5 por cento, maior alta diária em mais de nove anos.

As duas medidas de fortalecimento ao comércio exterior anunciadas nesta segunda-feira se somam a outras iniciativas tomadas pelo BC nas últimas semanas.

A autoridade monetária já promoveu duas alterações nas regras dos recolhimentos compulsórios de depósitos bancários para liberar recursos dos bancos que ficavam retidos junto à autoridade monetária para a economia.

O BC também retomou no mês passado leilões de venda de dólar, com compromisso de recompra, operação que não era feita desde 2003.

Em outra medida para fornecer dólares ao mercado, o BC promoveu nesta segunda-feira um leilão de swap cambial tradicional, contrato que funciona como uma venda futura de dólares. Foram vendidos contratos no valor de 1,5 bilhão de dólares.

"Na medida em que há crise no sistema financeiro americano e europeu, agora há uma restrição muito grande da liquidez em dólar, o que impacta o Brasil uma vez que temos exportações financiadas", afirmou Meirelles ao resumir os efeitos da crise para o país.

O presidente do BC e o ministro da Fazenda, reiteraram que, apesar de a crise financeira viver seu momento mais agudo, o Brasil tem uma economia sólida, com ativos saudáveis, e a tendência é que os mercados retomem à normalidade à frente.



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