A automação dos processos de gestão por sistemas ERP (Enterprise Resource Planning) tende a reduzir o número de gestores corporativos. Por outro lado, o nível de complexidade nas decisões gerenciais será mantido. Na mais recente pesquisa realizada pelo Programa de Estudos do Futuro, intitulada "O Futuro do Emprego e a Empregabilidade", 67% dos respondentes creditam o enxugamento do quadro de gerentes ao uso desses sistemas. Mais da metade dos entrevistados (55%) avalia que essas novas tecnologias de gestão otimizam os processos e tornam mais complexas as decisões. Já para 73%, o foco dos administradores será direcionado às situações excepcionais em virtude de tais sistemas.
"Os sistemas inteligentes não vão ajudar a reduzir essa complexidade; vão avolumar as informações o que muitas vezes gera um desafio ainda maior para interpretá-las", afirma o coordenador da pesquisa e do PROFUTURO-FIA James Wright. Ele apresentou os dados do levantamento durante o 11º Seminário PROFUTURO realizado na FEA/USP em São Paulo recentemente. Para debater a empregabilidade na carreira executiva e perspectivas do emprego no Brasil até 2010 participaram do encontro líderes destacados em suas áreas de atuação. João Paulo Altenfelder, diretor executivo da Associação dos MBAs da USP, analisou os caminhos promissores do Terceiro Setor. A especialista em gestão de qualidade de vida no trabalho Ana Cristina Limongi-França, coordenadora de projetos da FIA e docente na FEA/USP, evidenciou os desafios de pessoas e empresas para priorizar o bem-estar nas organizações. Oscar Boronat, ex-CEO da Pilkington na Europa, enfocou o planejamento da carreira executiva internacional. Já Olga Colpo, consultora da PricewaterhouseCoopers, tratou do futuro do trabalho executivo.
O terceiro setor é um dos segmentos promissores para executivos, afirma Altenfelder, da Associação dos MBAs da USP. De fato, para 65% dos entrevistados a área deve empregar mais profissionais de alto nível nos próximos seis anos. O segmento das entidades privadas sem fins lucrativos cresce em profissionalização, exigindo pessoas capacitadas para conduzi-las. Após dedicar mais de dez anos de sua carreira executiva às empresas do segundo setor, Altenfelder decidiu ingressar na gestão de organizações da sociedade civil e não-governamentais há cerca de quatro anos. Segundo ele, foi chamado de louco à época e hoje muitos amigos o procuram para atuarem na mesma área. "A conotação do trabalho voluntário está mudando e há uma tendência de substituir-se o voluntariado por uma relação de emprego formal para aumentar a eficiência das organizações no terceiro setor", analisa.
Entre os segmentos mais promissores no Brasil, confirma-se a tendência já vista no setor de serviços que deve empregar mais segundo 86% do público pesquisado. O item hotelaria, alimentação e entretenimento obteve 78% das respostas. Este último em particular foi apontado "como uma grande oportunidade de crescimento profissional no Brasil", ressalta o professor Wright. Uma certa surpresa, segundo ele, está no setor agrícola e agroindustrial que passa efetivamente a ser visto como uma excelente oportunidade de negócios, demandando profissionais altamente qualificados que rumam para o interior do país em busca de melhores oportunidades de trabalho e mais qualidade de vida. O item agricultura, pecuária e mineração representa um celeiro de empregos para 69% dos participantes.
A pesquisa indica ainda que há uma forte mobilidade profissional e, em especial, mais de 20% dos respondentes afirmam que os executivos procurarão empreender seus próprios negócios até 2010. Wright avalia que, além de buscar realização profissional, essas pessoas são impelidas por demissões, mas buscam melhor qualidade de vida, "apesar de sabermos que em geral o empreendedor trabalha mais horas do que o executivo nas corporações", completa. A pesquisa do PROFUTURO feita por amostragem envolveu 85 respondentes: 84% homens e 16% de mulheres. Direcionado para executivos e ex-alunos de MBAs, o levantamento teve a participação de gerentes (44%), diretores (25%) e outros cargos (18%), além de profissionais de diferentes funções.