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Adeus, estabilidade: por que o risco vale mais a pena

Conheça histórias de empreendedores que largaram tudo em busca de um sonho e se deram muito bem

Mayara Chaves, Revista Administradores,
iStock

Ser formado em uma área e, de repente, optar por outra carreira. Ou ainda, ter vários anos dentro de uma empresa e depois sair para investir em um negócio próprio. As duas situações podem não ser novidade nas idas e vindas de um profissional dinâmico. No entanto, nem todo mundo tem coragem para enfrentar o desconhecido ou enveredar por um segmento que seja diferente daquele que se preparou por anos a fio. 

Alguns profissionais perdem grandes oportunidades por não se considerarem prontos para o desafio. Isso pode ser desde não ter cursado um segundo idioma, uma pós-graduação, estar com um plano de negócios completamente definido ou por não ter adquirido uma determinada habilidade. Fatos esses que influenciam em uma tomada de decisão mais radical na carreira.

“Quando falamos em profissionais empreendedores ou intraempreendedores, necessariamente estamos falando em correr riscos. Neste sentido, o profissional que esteja disposto, ainda que não completamente preparado, a se arriscar terá grandes chances de encontrar uma série de benefícios pelo caminho”, destaca Graziela Cristina Vital, coordenadora do curso de Administração da UNICID.

De acordo com Graziela, fatores como “satisfação pessoal e profissional por ter decidido realizar algo desafiador, ter a possibilidade de criar algo diferente, ou ter simplesmente tido a chance de encarar uma importante oportunidade de aprimorar o autoconhecimento” podem ser extremamente motivadores.

Mergulhar de cabeça no sonho de mudança e nem passar anos se preparando para isso foi uma das tônicas da empresária Naomi Rodrigues. Ela, que após se formar em Psicologia e fazer parte de uma entidade, em Ribeirão Preto, que auxilia no desenvolvimento das carreiras dos jovens, descobriu alternativas diferentes das que a maioria das pessoas com sua profissão optariam.

Naomi, então, abriu sua própria empresa no modelo coworking, a Ambiente CoNéctar Coworking, e a partir daí começou a colocar a mão na massa. “Desde o início, eu tinha que fazer tudo. Eu e meu sócio dividimos as funções, ele ficava mais na área de finanças e eu na de atendimento, parcerias e eventos. Agora a gente está partindo para contratar mais pessoas e crescer. Mas no começo a gente fazia tudo, desde limpar o chão até atender e fazer as vendas”, explica.

Trocando a estabilidade pelo desconhecido


Com 25 anos de uma carreira bem-sucedida e estruturada em uma grande empresa, você pensaria em deixar o emprego e investir suas economias num projeto pioneiro? Foi isso o que fez o administrador de empresas José Caetano Lacerda ao sair da Odebrecht em meados dos anos 1990 e investir no Cadê?, primeiro site de buscas do Brasil. “A coisa começou a crescer e eu não tive opção.

Não podia cuidar dos negócios da empresa que eu era executivo e cuidar dos meus negócios pessoais que vieram a crescer. E aí tive que optar. Levei um ano e meio pra sair da companhia, devido aos meus compromissos e minhas responsabilidades, mas tive que realmente sair justamente por conta desse crescimento nos investimentos”. Hoje, José Caetano é presidente e CEO da holding de investimentos JCS Business Partners Ltda, onde investe em quatro segmentos.

Sair de uma grande empresa já é um passo ousado. Mas, e quando se tem um cargo público e a “sonhada estabilidade” para toda a vida? Alessandra Brandão teve tudo isso. Ela foi assessora do Tribunal de Justiça, mas pediu exoneração e foi para Austrália, onde foi tradutora juramentada e trabalhou em uma consultoria tributária da qual se tornou gerente em seis meses. Depois, ela voltou para o Brasil, onde ocupou o cargo de advogada do Grupo KPMG, do qual saiu para abrir seu próprio escritório e, por incrível que pareça, a sua primeira agência de intercâmbio, a 2be Study Group.

No entanto, sua experiência anterior a ajudou na mudança de área de atuação. “Fui advogada por muito tempo na área empresarial, a qual me deu bagagem, e hoje uso em tudo, desde para marcas e patentes, contratos, trabalhista, tributária e principalmente, para lidar com o código de defesa do consumidor, do qual sou especialista”, explica.

Risco calculado


No entanto, ainda que seja fundamental para empreendedores a disposição para correr riscos, planejar e se especializar na nova área ou carreira pretendida, sempre quando possível, ajuda e muito no sucesso do negócio. Ter formação, livros e o próprio conhecimento da área, auxilia bastante na superação mais rápida de alguns obstáculos e confere a ousadia necessária a quem está em busca de novos desafios.

Esse foi um dos cuidados da empresária Renata de Barbosa. Ela iniciou sua carreira na área de moda e estilismo na França e depois de vir para o Brasil, começou a trabalhar na área. As diferenças entre o trabalho de moda nos dois países, no entanto, fizeram com que ela perdesse o gosto pela área e deixasse tudo para trás abrindo, em questão de semanas, a Disk Manicure, empresa de serviços de cuidado com as unhas, que hoje está presente em vários locais do país. “Eu arrisco, mas sempre tomo um risco calculado. Tudo o que foi feito foi sempre baseado em muita, muita informação. Tanto no que toca o ofício mesmo, de manicure, tanto quanto o fato de trabalhar com franquia”, ensina.

A todos os empresários bem-sucedidos aqui apresentados, os temerosos chamariam de pessoas de sorte, acasos que deram certo. No entanto, todos eles buscaram o conhecimento e se arriscaram e até mesmo quando tinham o cargo dos sonhos, mudaram. Será mesmo sorte? Para saber, só arriscando. Quer tentar?




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