Gestão 3.0: saber empoderar e focar nas pessoas é a chave para crescer

O conceito surgiu na Holanda na área de tecnologia da informação e desenvolvimento de softwares e foi adaptada para o mundo dos negócios

Renato Grinberg, Administradores.com,
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Otimizar tempo e processos talvez seja uma das grandes metas dos gestores em todo o mundo e em todas áreas. E isso é visto cada vez com mais atenção, uma vez que tornar os líderes mais ágeis pode gerar resultados incríveis para as empresas. A partir disso, surgiu o que hoje chamamos de gestão 3.0.

O conceito surgiu na Holanda na área de tecnologia da informação e desenvolvimento de softwares e foi adaptada para o mundo dos negócios. A grande diferença entre a gestão tradicional e a gestão 3.0 é que esse novo modelo foca em gerenciar o sistema como um todo e não as partes individuais como nos processos anteriores. Dessa forma, o líder passa a desenvolver uma visão mais holística do negócio ao invés de enxergar um coletivo de áreas funcionais.

Colocar a gestão 3.0 em prática exige algumas mudanças de mindset em toda a equipe, principalmente nos cargos de liderança. A principal estratégia a ser adotada é aumentar os pontos de aderência e colaboração entre funcionários de diferentes áreas.

Para que isso aconteça de forma horizontal há algumas visões que podem ser colocadas em prática. Energizar as pessoas é a primeira delas. É preciso aprender a valorizar o capital humano por meio de ações que mantenham as pessoas motivadas e criativas para promover um trabalho mais produtivo. É essencial identificar quais são as situações que levam mais realização para cada membro da equipe, além de incentivar a autogestão para que todos possam se organizar e tomar algumas decisões importantes sozinhos. Nesses casos, o gestor precisa confiar e motivar essa auto-organização.

Ao mesmo tempo em que o líder deve empoderar, ele também precisa alinhar as restrições. É essencial dar a liberdade para que o time desenvolva as atividades, desde que todos os integrantes tenham um propósito claro das metas. Por isso é primordial definir os limites e as regras para que haja um engajamento coletivo. O gestor precisa ter em mente que as pessoas do time não devem ser gerenciadas, mas sim, o ambiente em que elas atuam. Isso quer dizer que é preciso fornecer todas as condições para que as atividades sejam realizadas da melhor maneira possível pelos colaboradores.

Os benefícios desse modelo de gestão são muitos, mas essa não é uma metodologia pronta como muitas já existentes. Ou seja, nem toda empresa está pronta para isso. Deve-se começar aos poucos promovendo esse modelo mais integrado e esperar um período de transição. Tentar implementar a gestão 3.0 de uma vez em uma empresa que não esteja pronta pode causar mais danos do que benefícios.

E o mais importante: A gestão 3.0 é antes de tudo um modelo mental de gestão, ou seja, cabe aos líderes e gestores entender que é preciso mudar na forma de gerenciar e ver a equipe como uma grande aliada na otimização de processos. Por isso muitos especialistas consideram este o futuro da gestão empresarial, já que pode ajudar na criação de um ambiente de trabalho mais inspirador ajudando a manter colaboradores mais engajados, satisfeitos e motivados.

Renato Grinberg — Especialista em liderança e gestão de empresas, tendo passagem por grandes multinacionais nos EUA como a Sony Pictures e Warner Bros. Atualmente é diretor da BTS (consultoria global presente em 35 países) que trabalha com grandes empresas e start-ups de alto potencial. Grinberg é também autor de diversos livros, incluindo os best-sellers de carreira e negócios "A estratégia do olho de tigre" e "A excelência do Olho de Tigre" (editora Gente).