Mais comentada

O que leva um funcionário a ser demitido

Maus momentos e queda de produtividade podem ocorrer e devem ser respeitados pela empresa. Porém, há um tempo de tolerância para isso

Ricardo Karpat, Administradores.com,
istock

Ao menos uma vez na vida, praticamente todos os profissionais do mercado passarão pela desagradável experiência de uma demissão. Em alguns casos, isso pode ocorrer por diversas vezes. A questão é: por que essas demissões acontecem? 

Um profissional é contratado pelo seu conhecimento técnico e dispensado devido a seu comportamento. Comodismo, desmotivação, faltas e atrasos frequentes, descumprimento de regras, problemas de relacionamento e estagnação estão entre os principais erros que levam à demissão de um funcionário. 

Não se pode parar no tempo, o passado do profissional deve ser respeitado, mas o que deve ser levado em consideração na formação de uma equipe de trabalho competente é o presente e o potencial de futuro. De nada adianta o funcionário se prender em feitos passados para tentar manter o emprego atual.

Maus momentos e queda de produtividade podem ocorrer e devem ser respeitados pela empresa. Porém, há um tempo de tolerância para isso, que pode durar 30, 40 dias, por exemplo, mas nunca seis meses. Manter profissionais com um excelente histórico passado, mas seguidos resultados ruins há tempos, é um péssimo negócio para qualquer empresa.

Quando alguém é demitido, a campeã das justificativas é a famosa “redução de custos”, o que, de fato, pode ser verdade. Porém, na maioria das vezes, essa é apenas uma maneira educada de se dispensar um funcionário. Explica-se: a diminuição no quadro de funcionários é uma realidade, mas mesmo que isso ocorra, o corte sempre é parcial e, em média, de 20%. Isso quer dizer que, de cada 10 funcionários, dois serão cortados por esse motivo, assim, conclui-se que 80% dos funcionários obtiveram uma avaliação melhor, e os 20% demitidos sob a alegação “redução de custos” são, na verdade, os mais mal avaliados do grupo. 

Outro ponto citado com frequência é que o profissional ficou “caro” para a empresa. Não existe funcionário caro se este trouxer altos lucros. De maneira geral, um funcionário é analisado por seu custo/benefício, dividindo o quanto ele traz de lucro para a empresa pelo salário que recebe. Um empregado que ganha salários de 30 mil reais e proporciona 300 mil de lucro sai mais barato para a empresa do que outro, que recebe 5 mil e proporciona um lucro de 15 mil reais. A correta avaliação a ser feita é se o rendimento deste profissional que recebe uma alta remuneração se manteve ou caiu. E, consequentemente, se vale a pena mantê-lo ou não.

Para se ter estabilidade na carreira é preciso que as pessoas se conscientizem: antes de pensar em crescimento, sucesso e enriquecimento, deve-se manter o emprego e, para tal, uma conduta profissional é de extrema importância. Mesmo após anos de casa, continue tendo a mesma dedicação, comprometimento e busque por atualizações constantemente. Com o mundo em mudanças tão rápidas, o bom de hoje pode ser o ruim de amanhã. 

*Ricardo Karpat é diretor da Gábor RH, administrador de empresas especialista em Recursos Humanos e administração de Condomínios.