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Seis perguntas que você deve se fazer antes de falar em público

Fale em público, falando com seu público. Aja com respeito, reaja sem preconceito e interaja para compartilhar e aprender

Mauro Henrique Toledo, Administradores.com,
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Falar em público é sempre uma experiência impressionante, um momento intenso, criativo e único. É sair da zona de conforto, comunicando-se e expressando-se com corpo, mente e coração. É ser percebido pelas pessoas, recebendo energia, informações e emoções e ao mesmo tempo criando relacionamento a cada palavra, a cada frase, a cada respirada, a cada silêncio, a cada olhar, a cada gesto. Falar em público é falar com o público e essa conversação começa bem antes de se apresentar ao vivo. Conversação? Sim, quando estamos falando ao público há perguntas invisíveis que passam pela cabeça das pessoas que formam nossa plateia. E essas possíveis perguntas invisíveis devem ser imaginadas, investigadas, analisadas e respondidas previamente.

Uma das ações fundamentais para deixar a mensagem clara e expor-se com confiança e sem estresse é antes procurar escutar o público com o qual se vai falar e conversar. Escutar é mais que ouvir. É biológico. Ouvimos o avião, o motor do carro, a mosca zunindo, entre outras situações. Escutar é ouvir + (mais) interpretar e aí selecionar e fazer o uso destas interpretações. Por isso, é preciso ter cuidado com os preconceitos, julgamentos e arrogâncias. Vou dar um exemplo: fui convidado para fazer palestra no SENAC para a turma de Segurança do Trabalho. No momento do convite já começa meu escutar com perguntas e indagações para uma experiência agradável comigo e com meu público:

1 – Quem me convida, convida por quê? Que informações e impressões ela tem sobre minha palestra? Que conteúdos e informações chamaram a sua atenção?
2 – Dentro do conteúdo que domino, o que a pessoa que me convida gostaria que eu transmitisse para a sua plateia?
3 – Quem me convida é representante de um grupo? Como é esse grupo?
4 – Qual o objetivo central do evento para o qual fui convidado? Como ele acontece? Como é o auditório?
5 – Teremos outros palestrantes no evento? De que temas eles vão tratar?
6 – Qual o perfil da plateia? Média de idade, escolaridade, sexo, etc.

E o escutar não para por aí. Como será a qualidade de humor desta gente reunida? Por exemplo, no caso do SENAC, uma das informações mais importantes que tive um dia antes da minha palestra foi ver a foto do grupo organizador na abertura do evento. A expressão, energia, simpatia e união do grupo me deu a sugestão de intenção certa para minha abordagem e conduta emocional na palestra.

Resumindo: no momento que estamos falando em público, já foi pré-configurada uma conversação invisível de perguntas e respostas. Essa pesquisa é essencial para a definição dos objetivos da palestra, para a escolha das argumentações e para estruturação racional do conteúdo da palestra e da estruturação emocional do palestrante. Atento a essas preparações e isento de julgamentos e preconceitos, ficamos livres das pré-ocupações e nos colocamos dispostos a compartilhar conhecimentos, evitando o estigma de ser um sabe-tudo.

E, se em algum momento da sua palestra alguém lhe perguntar algo que você não sabe ou não pesquisou, ou se alguém usar uma argumentação contrária à sua, diga com toda simpatia e respeito: – “Eu não sabia disso. Que ótimo saber. Por favor, pode compartilhar essa informação comigo e com todos aqui?”.

Fale em público, falando com seu público. Aja com respeito, reaja sem preconceito e interaja para compartilhar e aprender.

Mauro Henrique Toledo - Sócio-diretor da Teatrês (www.teatres.com.br), coach de comunicação para falar em público e consultor de treinamentos para vendas, liderança e gestão.




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