Caso de excelência ou sucesso?

Durante uma reunião com diretores e gerentes de uma empresa, fui questionado a respeito da minha preferência pelo termo "excelência"; enquanto o mais comum é segundo quem questionou, as pessoas utilizarem o termo "sucesso". Diante disto, me posicionei da seguinte forma:

Conversei com pessoas que alcançaram o sucesso e nenhuma delas soube me explicar de forma clara o caminho a ser percorrido para se chegar lá. Geralmente davam a impressão de que o acaso tinha sido o maior responsável pela posição de destaque que a sua empresa alcançou. Alguns chegaram a afirmar que tiveram a sorte de estar no lugar certo e na hora certa, pois não haviam feito nada de excepcional para conquistar a preferência de uma clientela.

Houve momentos em que estes pareciam estar se referindo a uma canção que, não tendo nada de especial, consegue cair no gosto popular e não só vende milhões de cópias como é executada à exaustão pelas rádios. Daí, toda vez que o "artista" se apresenta, é obrigado a cantar a mesma canção com os mesmos acordes e trejeitos até que o público se canse dela - ou a substitua por outra canção - ou ele deixe de se submeter aos caprichos dos fãs.

Já com relação à excelência, as referências são mais consistentes: "Somos o que repetidamente fazemos. A excelência, portanto, não é uma ação isolada. A excelência é um hábito". Já dizia Aristóteles há cerca de vinte e quatro séculos, demarcando uma diferença significativa entre estes dois termos, uma vez que o excelente de hoje pode ser aprimorado amanhã enquanto, depois do sucesso, só pode vir a queda ou o esquecimento.

Assim os que alcançam a excelência conseguem recordar uma trajetória de aprendizado, de exercício de superação de problemas e dificuldades, de acertos e de erros, que os torna mais humildes e predispostos a compartilhar experiências e sobre elas basear seus planos para o futuro.

Alguns chegam a afirmar que esta humildade é fruto do reconhecimento pela colaboração de muitos para que conseguissem aprender alguma coisa que não fosse útil somente para uma pessoa, mas para o Humano. Daí a diferença entre o "expert", considerado o suprassumo por alguns, e o sábio que está sempre aberto para as lições que podem ser tiradas de cada situação vivida.

Se a excelência pode ser vista como estágio alcançado por uma empresa, este pode ser estendido ou ampliado na medida em que o aprendizado continua sendo incentivado para gerar novas competências - combinação do "saber fazer" com o "fazer freqüente e disciplinado" - para ninguém imaginar passes de mágica como sendo os grandes responsáveis pela saúde de uma empresa ou que a sorte estará à disposição para ser convocada e comparecer quando for conveniente.

Ao contrário, geralmente quando se imagina que a sorte é mais necessária, ela não atende à convocação e provoca o desastre seguido da "caça às bruxas" como a que está ocorrendo em empresas que amargam pesadas perdas diante da atual crise financeira mundial.

Já a excelência que não se excita com os aplausos, as condecorações, os prêmios e as menções honrosas, essa se mantém discreta e de mãos dadas com a competência, evitando, de um lado, tornar-se vítima de desespero, desânimo, angústia e ansiedade - próprios das situações que demandam decisões e consenso - e, de outro lado, da depressão quando o sentido deixa de existir.

Assim uma empresa pode alcançar uma situação excelente quando faz o melhor uso possível dos recursos de que dispõe; e seus dirigentes somente comparam suas práticas com as dos dirigentes de outras empresas para ampliar seus referenciais. Sem ganância nem inveja.
Enfim, o sucesso está restrito a uma condição passageira que muito raramente se repete. Enquanto a excelência pode ser expandida sem deixar seqüelas.

Estes são os motivos por que prefiro trabalhar em função da excelência das empresas.

*Sebastião de Almeida Júnior é consultor Sênior na área de desenvolvimento gerencial e organizacional com experiência junto a mais de cinqüenta empresas. Detém o grau de Mestre na área de Comunicação Empresarial, é autor de seis livros (quatro deles sobre o tema "Negociação") e é Professor Convidado do Instituto de Economia da UNICAMP e sócio da empresa Almeida & Cappeloza Consultores Associados.



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A economia não irá se recuperar em 2009.





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