Commodities atingem menor nível em quase três anos e meio

Diante da crise de confiança que toma conta dos mercados financeiros em todo o mundo, os preços futuros das commodities desabam e já se aproximam do menor patamar em quase três anos e meio. Investidores liquidam ativos de risco e buscam proteção em aplicações consideradas seguras em tempos de turbulência, como o ouro. Apesar da condição dos mercados e da economia nos Estados Unidos, os traders continuam comprando dólares, o que evidencia a força da moeda neste momento e a crença de que as coisas vão melhorar em algum momento. Até lá, contudo, eles vendem commodities e ações.

"As pessoas estão absolutamente em pânico, e todos querem manter dinheiro em espécie", afirmou Bill O'Neill, sócio da Logic Advisors. O'Neill lembra-se bem do tumultuoso colapso do fundo de hedge Long Term Capital Management no final dos anos 1990, "mas aquilo se empalidece diante da deterioração que está ocorrendo agora".

Analistas que operam há anos nos mercados fazem alertas sombrios. "Nós estamos mais assustados agora com o futuro dos mercados de capital globais do que estivemos em qualquer período em nossos 30 anos observando, comentando e participando", afirmou Dennis Gartman, que publica a influente newsletter diária The Gartman Letter.

"Estamos com medo, e nós falamos sério, de que passamos o ponto sem volta, as coisas estejam fora de controle e as forças que foram desatadas não possam ser paradas sem uma ação governamental verdadeiramente massiva, verdadeiramente forte, incluindo o fechamento de mercados e a imposição de limites de saques bancários", afirmou.

Tensão

O Grupo de Trabalho do Presidente, painel de conselheiros do presidente George W. Bush, disse hoje que os mercados financeiros globais estão "severamente tensos" e que os reguladores podem ser forçados a trabalhar de forma coordenada para restaurar a estabilidade.

"Há rumores no mercado de que os bancos centrais podem promover um corte sincronizado de juros a fim dar um choque no coração dos mercados de crédito para que volte a bater", afirmou Shawn Hackett, analista e editor do relatório Hackett Money Flow. "Tempos de desespero pedem medidas de desespero, e eu acredito que a cautela será jogada pela janela em um esforço global para inflar os preços dos ativos a todo o custo", afirmou.

Contudo, o fato de a aprovação de um pacote de ajuda histórico nos Estados Unidos não ter conseguido amenizar o terror do mercado faz pensar que nem mesmo um corte generalizado nos juros teria o efeito desejado. "Você pode falar o que quiser, mas há uma total falta de confiança neste momento", afirmou O'Neill. As informações são da Dow Jones.



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