A geração Floco de Neve no mercado de trabalho

A palavra em inglês – snowflake (floco de neve) – se tornou tão popular que, este ano, já foi incluído no Oxford English Dictionary

Lucas Atanazio Vetorasso, Administradores.com,
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A ideia de que as gerações mais jovens são fragilizadas, mais facilmente ofendidas e despreparadas para o mercado de trabalho tem se disseminado rapidamente. De acordo com a agência CBI, Central Bureau of Investigation, um terço dos empregadores está insatisfeito com situações variadas como atitudes, comportamentos e organização dos novos formandos. Na verdade, a lista de reclamações pode preencher uma pilha de formulários.

A palavra em inglês – snowflake (floco de neve) – se tornou tão popular que, este ano, já foi incluído no Oxford English Dictionary. Mas é importante se lembrar de que o grupo demográfico pejorativamente apelidado assim irá compor 70% do mercado de trabalho até 2025. Pois, é. E agora, José? Agora é hora de entender o mercado e suas mudanças.

Os Por Quês

“Se você não é capaz de descrever o que você faz com um processo, você não sabe o que está fazendo”. Essa frase, de Deming, leva-nos a uma reflexão. Afinal, sabemos o que estamos fazendo e aonde queremos chegar? Muitas pessoas passam a vida encarando o trabalho como uma busca interminável e deixam de lado uma coisa importantíssima: o propósito. É o que chamamos de “corrida dos ratos”. O termo, popularizado com o livro “Pai Pobre, Pai Rico”, de Robert Kiyosaki e Sharon Lechter, faz uma analogia entre ratos de laboratório, que fazem um exercício sem fim tentando escapar de uma roda, e pessoas que correm aleatoriamente, sem atingir nenhum objetivo.

Sem uma meta definida, somos assim. Gastamos tempo e energia e, sem brilho nos olhos, não há recompensa. Há quem diga que um dos “por quês” da nova geração ser infeliz profissionalmente é a falta de propósito. Casar, constituir família, ser bem sucedido na carreira se tornaram coisas chatas. E quem sou eu pra dizer que estão errados?

“No meu tempo era melhor!”. Quantas vezes você falou ou ouviu alguém falar isso? Vocês são saudosistas chatos? Essa possibilidade não pode ser descartada, mas talvez a resposta seja “não”. Talvez seus tempos, em alguns aspectos, tenham sido melhores mesmo. Há também quem diga que não há ídolos ou espelhos para esta geração e que este é o problema. Cairemos na mesma questão anterior. Não há metas, sonhos, ídolos, espelhos. Será?

Outro discurso que tenta entender a mornitude desta geração é sobre o excesso de proteção. O que se diz é que muitas dessas crianças foram criadas em um ambiente delicado e suave, protegidas das duras realidades e responsabilidades da vida. Como se fossem colocadas em uma bolha de proteção. Em muitos casos, não podemos desconsiderar este fator.

Além destes apresentados, podem ser considerados motivos desta fragilidade a superexposição por tecnologia e menor humanidade ou humanização tardia, cobrança para superar os pais, disputa maior com “veteranos”, já que com o aumento da expectativa de vida, profissionais entre 45 e 60 anos ainda estão ativos no mercado e em competição árdua, além do imediatismo e síndrome de protagonista que, em excesso, atrapalha o processo de crescimento dentro de qualquer empresa.

Bom, os motivos são variados, mas o que nos importa é que, tendo como linha de raciocínio que as mudanças fazem parte de toda uma geração, não serão apenas os clientes que terão hábitos e ideais diferentes, mas também seus funcionários e colaboradores.

Nunca uma geração de jovens teve de disputar tanto por um espaço na sociedade como a atual, mas o que fazer em um mercado de constante mudança?

Contratar, inspirar e manter! A geração do milênio é frequentemente acusada de ter tendência para o trabalho hop, ou seja, acusada de ser alérgica a rotinas tradicionais de trabalho. Mas precisamos nos perguntar se, na verdade, nós, como empresas, estamos fazendo o suficiente para desenvolver o local de trabalho, a fim de atrair e retê-los.

A tecnologia moderna significa que não é mais necessário se deslocar diariamente para o trabalho, das 8h às 18h, e os trabalhos tradicionais em escritórios, sem surpresa, carecem de apelo em nosso mundo cada vez mais globalizado e conectado.

Muitas vezes eu me sinto praticamente como um dinossauro e se torna complicado entender as nuances destes novos espíritos, mas, em pouco tempo, será em vão desafiar as novas adaptações. Simplificando, se não fizermos algo para manter o melhor talento milenar em nossos negócios, outro setor o fará.

Um melhor local de trabalho para todos. Os millennials foram acusados ​​de "matar" tudo e enfrentaram críticas semelhantes no local de trabalho por desconsiderarem as estruturas convencionais de gerenciamento de linha e as práticas de trabalho. Mas antes de castigá-los por perturbar ainda outro status quo confortável, devemos nos perguntar se talvez as mudanças que eles desejam possam ter benefícios mais amplos para o restante de nós.

Como disse antes, sou um dinossauro. Meus escritórios não possuem campos de golfe, mesas de sinuca, cantinhos do silêncio ou videogames. E, confesso que, escrevendo este artigo, também tento entender que as mudanças externas já disseminadas em hábitos de consumo e comportamento de nossos clientes tem se tornado também as mudanças internas e, o que devemos fazer, é nos adaptarmos e dar enfoque às soluções de crescimento. Tirar o melhor de cada um. É como sempre digo, um bom homem de negócios deve entender de pessoas. Computadores não fazem negócios, são pessoas que o fazem.

Lucas Atanazio VetorassoCEO do Grupo ATNZO, aos 33 anos, o jovem estrategista e homenageado com a cadeira de Patrono da Abresc (Academia Brasileira de Escritores) possui mais de 550 franquias na conta.