O aumento da demanda e a escassez de matérias-primas e de combustíveis têm pressionado a indústria a elevar preços. A pesquisa PMI (Índice Gerentes de Compras), desenvolvida pela NTC Research e divulgada nesta terça-feira pelo Banco Real, aponta que tanto a inflação de insumos quanto a de bens finais aceleraram-se e atingiram níveis recordes na pesquisa.
"A maioria dos respondentes atribuiu o aumento [dos preços] à demanda forte e à escassez de matérias-primas e de combustíveis. As empresas aumentaram seus preços numa tentativa de proteger suas margens de lucro", informa relatório da pesquisa.
A pesquisa apontou também que as condições operacionais no setor industrial brasileiro melhoraram em junho pelas taxas mais lentas desde setembro de 2006, com o crescimento da produção no nível mais baixo desde o início da pesquisa. O índice PMI --indicador geral da atividade da indústria no levantamento da NTC Research-- recuou para 52,1, ante 53,5 em maio, ante 54 em abril.
A leitura do PMI abaixo de 50 indica queda na economia industrial, acima de 50, expansão, e equivalente a 50, ausência de mudanças. Quanto maior for a diferença do valor de 50, maior será a taxa de mudança assinalada pelo índice.
Na conta dos prejuízos da inflação, o índice de preço de bens finais, sazonalmente ajustado, registrou 58,4 (acima dos 56,2 de maio), novo recorde na série. O valor ficou acima da média dos últimos doze meses (52,9) e da de longo prazo (51,2).
Já o índice de preço de insumos marcou o terceiro recorde sucessivo de alta, registrando um valor de 67,5, acima dos 64,7 de maio. Os preços do aço e do petróleo foram apontados como os principais responsáveis pela elevação dos preços. "Cerca de de 38% dos respondentes relataram uma alta nos custos de seus insumos, comparados a 4% que notaram um declínio".
O aumento de preços das commodities e as vendas mais baixas afetaram também as quantidades de compras. O índice de compras e insumos apresentou a expansão mais tímida em quase dois anos. Em junho, ficou em 51,9 (sazonalmente ajustado), ante 53,4 em maio. "As evidências da pesquisa indicaram que várias empresas não tiveram recursos para comprar tantos insumos quanto no passado, devido aos preços mais altos das matérias-primas e dos combustíveis".
Os estoques de produtos finais não passaram ilesos e caíram ligeiramente em junho. "Algumas empresas indicaram que as vendas continuaram fortes e, portanto, tinham esvaziado seus estoques de bens finais. Outras registraram que a combinação de poucas vendas e preços mais altos tornou não econômico para elas manterem níveis altos de estoque."
Demanda
A entrada de novos negócios para os fabricantes brasileiros cresceram em junho pelo vigésimo terceiro mês consecutivo. O índice de novos pedidos ficou indicou uma taxa moderada de expansão, ficando em 51,4 (ante 53 em maio), no índice mais baixo desde agosto de 2006. O mercado interno foi apontado como a sustentação do desempenho ainda positivo.
No sentido contrário, a valorização do real em relação ao dólar americano provocou nova queda nos pedidos de exportação --embora por uma taxa mais baixa que a do mês anterior. O índice de novos pedidos para exportação, sazonalmente ajustado, registrou 48,8, acima dos 47,6 registrados em maio.
Para atender a demanda interna, os fabricantes brasileiros contrataram pessoal, mas num ritmo mais modesto em junho, com a taxa mais lenta em três meses. O índice de emprego ficou em 52,2, abaixo dos 54,9 do mês anterior.