Demissões, PDVs e férias coletivas rondam profissional por causa da crise

A crise financeira internacional tem alguns sinais refletidos no mercado de trabalho brasileiro. Empresas de setores como o financeiro e o automotivo já anunciam PDVs (Programas de Demissão Voluntária), cortes de estagiários e trainees e redução de investimentos em treinamento para 2009.

A montadora GM é uma das que abriram um novo PDV. A mineradora Vale admite o desligamento de funcionários para readequar-se à queda na demanda de seus produtos. A empresa nega demissões em massa e anuncia apenas "ajustes operacionais", sem, no entanto, divulgar números.

A Dacasa, uma das maiores financeiras do Espírito Santo, eliminou cerca de 20% do quadro --200 empregados-- para resistir à pressão.

Os números tendem a crescer. "Muitas empresas têm deixado os cortes para depois do período de festas", destaca José Augusto Minarelli, presidente da empresa de consultoria Lens & Minarelli. Esta é até uma recomendação do consultor: "Melhor adiar a demissão, porque o impacto no profissional e na motivação dos colegas é menor após o fim do ano".

"É difícil dizer quem não vai sofrer [com a crise e a redução da demanda]", completa Paulo Francini, diretor-titular do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).

Apesar de prever uma redução do nível de atividade econômica nos próximos meses, Francini diz não acreditar na possibilidade de demissões em massa. "Só não se pode ser otimista a ponto de descartar qualquer impacto", avalia.

Sem horas extras

Segundo ele, por enquanto, poucas empresas têm demitido seus colaboradores. Para evitar os custos de cortes, onerosos para o empresário, elas buscam alternativas mais "baratas": procuram se reorganizar, eliminando horas extras e optando pelas férias coletivas. Esse último é o caso das gigantes do setor automotivo.

A medida, contudo, deixa no ar o clima de corte. "O pessoal fica apreensivo, com medo de ser mandado embora", considera Celso Luiz da Silva, 42, avaliador de automóveis que, desde outubro deste ano, já passou dois períodos --totalizando 20 dias-- em casa.

O mesmo temor ronda os empregados de firmas com PDVs abertos. A economista Zilda Pfeilsticker, que defendeu na UnB (Universidade de Brasília), neste ano, tese sobre o tema, alerta: "Há um forte impacto na vida e na motivação de quem permanece e também na de quem aderiu ao programa e trabalha há muito tempo na empresa, pois essas pessoas podem perder seus projetos de vida e referências sociais".


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