Itaú e Unibanco anunciaram semana passada a fusão de suas atividades, mas as tarifas praticadas pelas duas instituições, porém, têm diferenças: a taxa de cadastro (abertura de conta) do Itaú, por exemplo, custa R$ 50, enquanto a do Unibanco é de R$ 120 - uma diferença de 140%.
Para o economista Alexandre Assaf Neto, da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais, Econômicas e Financeiras (Fipecafi), os custos do Unibanco para o consumidor eram maiores até agora por conta de tamanho e escala bem menores que os do Itaú.
A fusão, no entanto, elimina esse obstáculo, já que a nova instituição terá aproximadamente 4,8 mil agências, representando 18% da rede bancária, além de 14,5 milhões de clientes de conta corrente.
“Eles podem expandir suas atividades porque estão capitalizados, têm um poder de escala muito grande e poderão ganhar mais dinheiro com crédito”, diz.
Apesar da diferença em tarifas, a semelhança entre os perfis das duas instituições deve contribuir para tornar mais fácil a integração entre as duas empresas
“É uma soma de coisas parecidas. Eles fazem praticamente a mesma coisa: têm agências, conta-corrente, caixa eletrônico, seguros, previdência, depósitos, cartão de crédito, seguros”, explica o analista de instituições financeiras da Austin Ratings, Luís Miguel Santacreu.
Para o especialista, a experiência tornou cada banco mais competente em determinados setores que, a partir da criação da nova empresa, podem agregar conhecimento e beneficiar clientes. Para Santacreu, o Itaú é mais forte que o Unibanco em seguro e financiamento de veículos, por exemplo.
Já o Unibanco tem vantagens sobre o Itaú nos segmentos de seguro de saúde, com a AIG, e no de crédito pessoal, com a Fininvest. “A familiaridade do banco com essa área poderia ajudar a Taií (financeira do Itaú), que não funcionou muito bem”, diz.
Na avaliação do professor de finanças do Ibmec São Paulo Domingos Pandeló, o Itaú tem mais experiência e volume no atendimento a clientes de alta renda, o chamado setor private, porque adquiriu instituições como o Bank of Boston.
“O Unibanco também atuava nessa área, mas o Itaú é seguramente mais forte”, ressaltou.