Dívida cambial interna fica positiva pela 1ª vez desde dezembro de 2005

As operações do Banco Central com contratos de moeda estrangeira, com o objetivo de segurar a alta do dólar, fizeram com que a dívida interna atrelada ao câmbio voltasse a ficar positiva em outubro. É a primeira vez que isso acontece desde dezembro de 2005, segundo o Tesouro Nacional.

Os dados da dívida pública federal interna, considerando as operações de "swap cambial", mostram que o Tesouro voltou a ser devedor nessa modalidade no valor de R$ 16,15 bilhões. Em 2007, o governo chegou a ser credor em R$ 30 bilhões. Nessas operações, o BC assume uma posição de devedor em moeda estrangeira.

Os números do Tesouro não consideram a dívida externa nem os ativos do país em dólares. Nesse caso, conforme divulgado hoje de manhã pelo BC, o Brasil continua sendo credor externo em US$ 13,4 bilhões (cerca de R$ 32 bilhões). Somente de reservas, o país possui US$ 203 bilhões (quase R$ 500 bilhões).

O coordenador da dívida do Tesouro Nacional, Guilherme Pedras, não quis comentar a mudança, que envolve uma operação feita pelo BC, mas destacou que houve uma importante redução na dívida atrelada ao câmbio nos últimos anos.

Em setembro de 2002, essa dívida chegou a quase R$ 270 bilhões de uma dívida interna total de R$ 660 bilhões. Hoje, são R$ 16,15 bilhões dentro de um total de R$ 1,226 trilhão.

A alta recente do dólar levou o BC a realizar uma série de operações com contratos de swap cambial. Nelas, o BC oferece proteção contra a alta do dólar e diminui a pressão sobre a moeda no mercado financeiro. Com esse contrato, o BC paga aos investidores a variação do dólar, em troca de juros.

Antes, como o dólar estava em queda, o BC fazia o inverso, vendia contratos de "swap cambial reverso", pagando juros e recebendo a variação do dólar em troca. Com isso, ajudava a segurar a queda da moeda e reforçava a proteção do Brasil contra uma disparada da moeda norte-americana.



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