Divisão de riscos

Em busca da excelência operacional, vantagem competitiva e, também, redução de custos, empresas de todo país têm terceirizado de forma irreversível suas atividades-meios. A prática cresceu muito nos últimos anos. Isso está fazendo com que os prestadores de serviço do setor se tornem não somente um fornecedor de mão-de-obra, mas, acima de tudo, um parceiro nos riscos do negócio do contratante e, ainda, um forte aliado na conquista de mercado.

Um tempo atrás, os serviços terceirizados concentravam-se na gestão de trabalhos específicos — basicamente limpeza, segurança e serviços gerais — fora da atividade central da empresa. Atualmente, a terceirização tem ampliado significativamente suas práticas junto às empresas, principalmente no que tange a processos de negócios – conjunto de atividades relacionado ao fluxo de trabalho nas organizações. Assim, verifica-se uma gama maior de tarefas sendo realizadas pelos terceiros.

A tendência de terceirização de processos de negócios ainda está em crescimento no País. Irá avançar muito mais. O que pode ser terceirizado no âmbito de processos de negócios dentro de uma empresa está, principalmente, localizado em áreas como contabilidade, controladoria, gestão de pessoas, controle patrimonial, administrativa financeira, contabilidade fiscal, tecnologia da informação, etc.

O fato é que a terceirização possibilitou com que empresas cortassem seus gastos anteriormente existentes com estruturas internas, em geral, inchadas e pouco produtivas. Além disso, otimizou e valorizou sobremaneira o tempo dedicado pelas organizações as práticas fora da atividade-fim, fazendo com que ganhassem eficiência no desenvolvimento de produtos e no oferecimento de serviços aos, cada vez mais, exigentes clientes.

As primeiras experiências com terceirização foram recheadas de equívocos. Acordos mal costurados e vagos, sem definição clara do contratante e do contratado. Havia um espaço enorme para falhas e desentendimentos. As estratégias de transição geravam invariavelmente atritos.

Hoje, os níveis de acordos são mais claros, objetivos e, principalmente, flexíveis. Além disso, o prestador de serviço é agora incluído como parceiro, comprometido com os resultados dos negócios, embora não esteja lá, fisicamente, na linha de frente, encarando a realidade das vendas perante os compradores.

Isso tudo tem exigido mais ousadia das empresas que prestam serviço. Os riscos aumentaram. Por outro lado, tem sido mais reconhecida sua função dentro do mercado, como apoiadora das organizações na conquista de espaço no mundo competitivo. A terceirização amadureceu muito no País. Sem dúvida, não há como negar o seu papel preponderante às empresas neste século.

Roni de Oliveira Franco: é especialista em finanças, gestão empresarial, gestão de outsourcing, sócio da Trevisan Outsourcing e professor da Trevisan Escola de Negócios.



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