Uma pesquisa realizada pelo Banco Central aponta que o trabalhador brasileiro consumiu acima do aumento salarial no primeiro trimestre de 2013. Segundo o BC, as dívidas correspondiam em março a 43,99% da renda anual e em fevereiro o indicador marcava 43,79%, enquanto no mesmo período de 2012 o registro era de 42,37%. Segundo Rodrigo Sodré, docente do curso Planejamento Financeiro e Orçamento Pessoal, do Senac 24 de Maio, com o acesso fácil ao crédito, o círculo de dívidas é arcado por aqueles que estão poupando. Esse é um erro que afeta o orçamento na atual conjuntura econômica, pois as famílias estão com mais acesso às linhas de crédito, entre elas cheque especial, cartão de crédito, empréstimos pessoais, e sua utilização de forma indiscriminada aumenta o endividamento influenciando o capital familiar. Outro comportamento comum do brasileiro é o de não limitar o quanto gasta com despesas variáveis como lazer, restaurantes e vestuário. Compras assim podem ser consideradas desperdícios por afetarem de forma drástica o orçamento devido à destinação de recursos ao que não é necessário. Para a manutenção do controle de caixa, é importante as famílias se educarem financeiramente, por meio de cursos, livros ou conteúdos da área, e desenvolverem seu fluxo monetário. Essa técnica pode ser resumida na previsão de receita mensal, semanal e trimestral, como salário, aluguéis, juros a receber e as despesas com água, aluguel, supermercado, entre outras. O planejamento financeiro utiliza as informações contidas no orçamento pessoal com o intuito de ajudar as pessoas na conscientização sobre o consumo, para que elejam prioridades e aprendam a fazer escolhas. 'Para criar um orçamento pessoal confiável e organizado, é fundamental realizar uma análise honesta e cuidadosa das receitas e despesas do mês e colocá-las no papel ou em uma planilha eletrônica encontrada facilmente na internet', afirma Sodré. Com o planejamento e orçamento corretos, é possível viver com os próprios recursos, não depender mais de terceiros e, ainda, poupar dinheiro. Isso acontece porque se cria uma forma organizada de saber o que, quanto, quando e de qual forma cada um pode gastar seus recursos. Tais resultados geram mais segurança e estabilidade na família. O especialista afirma que a nova estrutura monetária pode gerar diversas fontes de investimento rentáveis. 'Quem economizar poderá buscar por títulos do governo, poupança, fundos de rendas fixas e variáveis, ações, imóveis, entre outros. É preciso se atentar para encontrar um investimento com baixo risco e que supere a inflação', salienta o docente. Optar pelo engajamento na estrutura monetária da família não significa, necessariamente, que as despesas sejam menores, porém, com a organização orçamentária, tudo ficará dentro das prioridades e sob controle. Para começar a dar os primeiros passos na economia, Rodrigo Sodré sugere cinco dicas básicas que podem resultar em uma grande experiência de redução de gastos. Confira: 1. Anote todas as despesas durante um ou dois meses rigorosamente; 2. Torne-se adepto dos 10% das receitas que devem ser guardados mensalmente; 3. Se faltar dinheiro, analise os gastos, pois é fundamental e também importante saber o que cortar deles; 4. Crie objetivos claros e possíveis de serem atingidos; 5. Deixe a organização do planejamento com a pessoa mais controlada da família.