Nubank pode encerrar atividades com mudança do BC

Canetada nas regras de pagamento aos varejistas pode inviabilizar pequenos emissores de cartões

Redação, Administradores.com,
Divulgação

O pacote de estímulo à economia anunciado pelo presidente Michel Temer e pelo ministro da Fazenda Henrique Meirelles pode ter um efeito contrário nos pequenos emissores de cartões de crédito, como o Nubank.

Uma das medidas que vêm sendo estudadas prevê a redução no prazo para o repasse do dinheiro da compra feita nos cartões de crédito ao lojista de 30 dias para apenas dois dias. A ideia é fazer a economia girar com uma injeção no fluxo de caixa dos varejistas.

Quando uma compra é feita no cartão de crédito, o lojista só é remunerado 30 dias após a operação, prazo muito superior ao de outros países. No entanto, a mudança deve aumentar os custos para todos os emissores de cartões de crédito no mercado.

“Atualmente, um cliente que usa o cartão pagará a fatura, em média, 26 dias depois. Assim, o Nubank, como emissor, receberá o dinheiro apenas após este prazo”, explica Cristina Junqueira, cofundadora da empresa, ao jornal Estado de São Paulo.

“Com o dinheiro, pagamos o adquirente – operador do cartão –, que leva mais dois ou três dias para pagar o varejista. Isso dá o prazo de 30 dias”, detalha.

Grandes bancos, como Itaú e Santander, têm poder de financiamento para suportar a mudança sem maiores problemas. O Nubank, que funciona apenas como emissor de cartões, não pode arcar com o prejuízo.

O serviço, que já emitiu mais de 1 milhão de cartões desde 2014 e tem uma longa fila de espera, tem como principal fonte de receita a cobrança de uma taxa de 5% a cada compra – não são cobradas taxas de anuidade aos usuários. A maior parte é destinada aos adquirentes (Cielo, Rede) e às bandeiras (Mastercard e Visa), enquanto o emissor embolsa 1,5%.

O modelo de negócios deixa o Nubank exposto à mínima alteração nas regras. Segundo Cristina, se o prazo for encurtado para dois dias, como vem sendo proposto, o negócio vai fechar as portas no dia seguinte à publicação no Diário Oficial. Se a redução for menos drástica, para 15 dias, a empresa precisaria do aporte imediato de R$ 1 bilhão para garantir os repasses aos varejistas.

O anúncio oficial com as mudanças nas regras deverá ser anunciado nesta terça-feira (20) pelo presidente do BC, Ilan Goldfajn. De acordo com analistas, além dos emissores independentes de cartões, pequenos adquirentes também podem encerrar as atividades se a mudança for confirmada.

Segundo apuração do Estado, o prazo para pagamento aos varejistas ainda está sendo estudado pela equipe econômica. Uma das alternativas é a mudança nos juros do rotativo do cartão de crédito, mantendo-se o prazo de 30 dias para pagamento aos varejistas.




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