Eleição nos EUA inaugura a “Política 2.0”

O web-marketing, quem diria, está prestes a afetar a balança de poder da geopolítica global. É o que se conclui da atual corrida eleitoral à presidência dos Estados Unidos. Barak Obama, o candidato democrata, tem a internet como um dos grandes pilares de sua campanha contra o republicano John McCain – e tudo indica que a estratégia está dando bons resultados. Prova disso é o fenômeno causado pelos mais de 1.150 vídeos produzidos por sua equipe e postados no YouTube. Cada um deles é visto, em média, até 12 mil vezes. Mas alguns já registraram mais de 1 milhão de acessos. Foi o caso do vídeo com o discurso do candidato sobre questões raciais, que já ultrapassou mais de 4,6 milhões de visualizações. 

É isso o que conta a reportagem “The YouTube election”, da repórter Beth Kowitt, publicada no site da Fortune nesta sexta-feira (18). A matéria conta que, semana passada, a equipe de Arun Chaudhary - cineasta e professor da New York University - era mais uma entre tantas outras que se empilhavam para filmar o discurso de Obama no Hyatt Hotel, em Nova York. O que esta equipe fez de diferente? Simples: eles transmitiram ao vivo o evento pelo site oficial de Obama e, na mesma noite, disponibilizaram o conteúdo completo no YouTube. O sucesso foi instantâneo: em pouco tempo, o link registrava mais de 23 mil acessos. “É como colocar mais cadeiras na sala”, diz Chaudhary. Sala essa que pode ser o escritório, o quarto, ou qualquer outro lugar onde seja possível acessar a internet. 

Prova de que a internet ajuda cada vez mais a fortalecer sua imagem está no “retorno virtual” dos eleitores. Pessoas anônimas têm feito gravações com suas as próprias câmeras fotográficas e telefones celulares. Bruce Gronbeck, diretor do Centro para Estudos dos Meios e da Cultura Política, da Universidade de Iwoa, diz que “esta é a primeira vez na história que existem condições para fazer e distribuir mensagens com a mesma capacidade de acessá-las”. 

Do outro lado da disputa, o sucesso dos vídeos de Obama tem pouca importância para os republicanos – ao menos, aparentemente. Talvez porque, segundo a jornalista da Fortune, o YouTube tem apenas 220 vídeos relacionados a John McCain. “Essa é uma boa ferramenta para distribuir mensagens, mas a eleição será definida sobre coisas maiores”, avalia Brian Rogers, porta-voz da campanha de McCain. Ele lembra que um maior número de vídeos não significa, necessariamente, a mesma relação no número de votos.


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