8 verdades que não me contaram sobre empreender

São situações reais e muito comuns no dia a dia de quem tem uma empresa, mas que muitas vezes não ficam tão claras para quem deseja empreender

Thiago Carvalho, Administradores.com,
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Quando decidi empreender, tive que fazer algumas renúncias e tomar decisões bastante desafiadoras. São situações reais e muito comuns no dia a dia de quem tem uma empresa, mas que muitas vezes não ficam tão claras para quem deseja empreender.

Hoje, após quatro anos como CEO do Guichê Virtual, gostaria de compartilhar algumas experiências com quem está pensando em abrir um negócio ou que acabou de entrar para o universo das startups. Confira 8 verdades que não me contaram sobre abrir um negócio.

1) Envolver-se integralmente é fundamental

Dedicação parcial não é o suficiente para prosperar em um empreendimento. Se você não concentra 100% do seu esforço, a chance de dar errado aumenta muito. A lógica quando você é empreendedor é diferente de quando se tem uma carteira assinada. Você pensa 24 horas no projeto. Por isso, a decisão de se dedicar integralmente é essencial para o sucesso do negócio e, para tanto, é preciso fazer um bom planejamento financeiro.

2) Poupe! Investidores não se interessam apenas por boas ideias

Para sair do meu emprego com carteira assinada e abrir o Guichê Virtual tive que cortar os gastos e até mudar um pouco meu estilo de vida. Em 2012, me desfiz de um imóvel e enxuguei os gastos, deixando de comer fora com frequência e de viajar, por exemplo. Também fiquei dois anos sem salário, pois no início de um empreendimento os gastos são maiores do que a receita e os fundadores precisam investir capital próprio no projeto. Os fundos de investimentos não acreditam apenas em boas ideias; eles buscam por startups que tenham alguma solidez e maturidade, e isso só é possível se os sócios estiverem preparados financeiramente para essa jornada.

3) Você precisa estudar muito mais do que imagina

Quando eu comecei a me envolver com o setor de startups, antes mesmo do Guichê Virtual, eu me dediquei a entender quais eram as dificuldades em abrir um negócio que propõe alguma ruptura no mercado. Lia bastante, consultava materiais sobre empreendedorismo, como os da Endeavor, por exemplo. Mas o desafio é ainda maior depois que você começa o projeto. Por isso, leia um pouco de tudo! Aprendizado constante é essencial para o empreendedor. Sugiro a série de vídeos Blitzscaling e o material da Y Combinator, além dos conteúdos sobre as startups do Vale do Silício. São realidades bem diferentes, mas se olharmos com uma visão macro, é possível aproveitar as principais ideais e utilizá-las por aqui.

4) Esteja preparado para a tal da burocracia

Acredito que todos os países apresentam dificuldades para o empreendedor. Porém, o Brasil tem algumas adversidades culturais e estruturais que acentuam isso, como a escassez de mão de obra qualificada e a dificuldade em obter recursos, como o financiamento bancário. Além disso, os setores jurídicos e empresariais muitas vezes resistem às inovações do mercado. Nossas leis são um entrave à inovação e ao ambiente empresarial. Por isso, esteja o mais preparado possível para não ter muitas surpresas ao abrir um negócio. Desde o início, faça um planejamento alinhado com a burocracia do país.

5) Se cair, do chão não passa

Você sempre terá que fazer movimentos no negócio, e muitas vezes eles não darão tão certo quanto você gostaria. Normalmente, você não consegue prever o fracasso, afinal, você está confiando naquilo que está fazendo, não é? Por isso, conforme-se: o fracasso vai acontecer e, em diversos momentos, você não vai entender o porquê, pois está imerso naquele projeto. Entretanto, o aprendizado mais importante que tive sobre o fracasso tem a ver com o processo “pós-decepção”: não deixe que o problema te paralise. Tenha frieza, seja resiliente e entenda que existe vida após aquilo, que é possível continuar. Se cair, não abaixe a cabeça, absorva o impacto e bola para frente.

6) Entenda: leva-se tempo para ter sucesso

Saber que empreender é um projeto a longo prazo é essencial. A gente quer muito que o reconhecimento venha, mas isso se dá apenas com o tempo - e muito trabalho duro. Antes de entrar nesse barco, você precisa estar ciente que é uma jornada longa, que pode durar muitas vezes mais de 10 anos.

7) Sobre os riscos e as decisões solitárias

Abrir um negócio envolve uma carga emocional muito grande. Não só sua, mas de toda a sua família, que também coloca expectativas no seu projeto. Quando decidi deixar o meu emprego - que passava aquela falsa sensação de estabilidade - para investir em algo totalmente arriscado, foi um desafio. Aqui vai um conselho: não espere que as pessoas batam nas suas costas e dêem-lhe os parabéns pela decisão arriscada que tomou. Normalmente, você tomará essa decisão sozinho(a) e esse será um dos momentos de maior pressão em sua vida. O que realmente importa é que você entenda que ir contra o senso comum das pessoas a sua volta é incômodo, mas no fim é gratificante.

8) Não olhe tanto a cor da grama do vizinho

Não se sinta frustrado em ver um ex-colega de trabalho, ou da época de faculdade, sendo bem sucedido, enquanto você ainda está passando por dificuldades nos primeiros anos do seu negócio. Isso acontece muito! Eu não tive muito problema com isso, já que nunca fui apegado à ideia de planejamento de carreira, de pensar onde estarei daqui há 10 anos. Mas sei que existe essa competição e impressões superficiais sobre a carreira do outro. Se você levar isso com tranquilidade, entender o quão importante é o seu projeto, fica mais fácil.

Thiago Carvalho é CEO do Guichê Virtual




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