Investidores brasileiros são conservadores demais?

48% dos investidores afirmam que o menor valor dos investimentos está intimamente ligado com a crise econômica que o país passa em 2016

Pedro Englert, Administradores.com,
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Segundo pesquisa realizada recentemente pela organização Anjos do Brasil, o valor dos investimentos no país tem diminuído. 48% dos investidores afirmam que o menor valor dos investimentos está intimamente ligado com a crise econômica que o país passa em 2016.

Atualmente são mais de sete mil investidores-anjo no Brasil e, ainda segundo a pesquisa, eles pretendem investir R$ 234 mil nos próximos dois anos, o que significa quase R$ 1,7 bilhão, no total. Para compararmos, em 2014 o mesmo levantamento apontava um potencial que chegava a quase R$ 3 bilhões, sendo que o número de investidores era cerca de 6.300.

Esses números mostram que o investidor brasileiro ainda é conservador em relação aos valores que dispõem para as startups e que os cuidados têm sido redobrados. De acordo com o fundador da Anjos do Brasil, os valores do Brasil são muito inferiores aos investidos em outros países, como Estados Unidos, que investiram mais de US$ 24 bilhões em 2015.

Somado à crise econômica, contribui para esse cenário mais “tímido”, as altas taxas de juros praticadas no Brasil, que fazem com que o custo de oportunidade do dinheiro seja alto e inibe os investidores a buscarem alternativas com risco alto.

Mesmo diante de um perfil menos agressivo para investir, o cenário para 2017 é otimista para as startups que procuram por aportes e valores que impulsionem seus negócios. A mesma pesquisa aponta que 64% dos investidores têm feito aportes há menos de dois anos e 80% deles pretendem realizar pelo menos mais dois novos aportes até 2018.

Ao mesmo tempo que ocorreu uma retração na disposição de investimentos pelos Anjos, é possível enxergar um movimento contrário em relação ao mercado de Corporate Venture. Cada vez mais as empresas buscam alternativas de inovação fora da sua estrutura. O Brasil Ventures, grupo que reúne as principais empresas do Brasil para discutir inovação corporativa, por exemplo, passou de 70 associados, no final de 2015, para 156 até o fim de novembro. Ou seja, há um movimento mais otimista para os próximos anos.

Por fim, vale destacar outro dado interessante e que deve estar no radar dos empreendedores em busca de seus “anjos”, é que 19% investem em áreas diferentes das quais atuam ou são gestores e as que geram mais interesse são internet (52%), saúde (43%), educação (41%) e energia (36%).

*Pedro Englert é CEO do StartSe, maior plataforma de startups do Brasil