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O que o início da era dos unicórnios representa para o empreendedorismo no Brasil

Os atuais unicórnios conseguiram atravessar a crise e provar sua relevância no mercado

Eduardo Küpper e Guilherme Freire, Administradores.com,

Tudo indica que 2018 será um ano incrível para o empreendedorismo no Brasil. Estamos iniciando o quarto mês do ano e no mercado brasileiro de startups já figuram três unicórnios 100% desenvolvidos no ecossistema tupiniquim. O primeiro deles foi a 99, dona do segundo maior aplicativo de mobilidade do País – apenas atrás da Uber – que foi comprada pela chinesa Didi Chuxing, por valor não divulgado. O segundo foi a Pagseguro Digital, plataforma de meios de pagamentos pertencente ao UOL que fez IPO (do inglês Initial Public Offering) ou Oferta Pública Inicial na NASDAQ com um valor de US$ 2,3 bilhões, e o terceiro foi a Nubank, banco digital que ingressou no seleto grupo no início de março e recebeu aporte de US$ 150 milhões.

A crise econômica afetou o interesse dos investidores, mas os empreendedores nacionais continuaram a desenvolver negócios disruptivos e a entender que o Brasil, como país continental que é, tem população consumidora maior até do que nações mais desenvolvidas.

Entretanto, nosso país está vivendo, agora, uma reconstrução paulatina de sua economia e, impulsionado pelos menores níveis de juros real da história, estamos atraindo a atenção de investidores nacionais e estrangeiros. Com o anúncio de três unicórnios brasileiros em tão pouco tempo, 2018 já se tornou um marco para o empreendedorismo por aqui. O mercado está animado, querendo explorar todo o potencial que essas pequenas novas empresas têm e ainda podem desenvolver: seja em inovação, tecnologia ou em segmentos que irão despontar muito em breve.

Os atuais unicórnios conseguiram atravessar a crise e provar sua relevância no mercado. Amadureceram e acharam seu lugar ao sol. É bom que se observe que as três empresas têm posições revolucionárias perante seus respectivos setores, focando, principalmente na desburocratização e conveniência do cliente. Acima de tudo, o consumidor está interessado em praticidade e soluções transformadoras. O co-fundador da 99 Taxi, Ariel Lambrecht, por exemplo, conseguiu resistir à crise sem perder o foco em ajudar a solucionar o problema de transportes em São Paulo. A meta, segundo ele, era deixar um legado à sociedade paulistana. Não por acaso, a empresa se tornou a primeira startup bilionária do Brasil.

O primeiro unicórnio brasileiro atraiu a atenção dos investidores de todo o mundo. Os holofotes se viraram para as startups, que passaram a ter apoio dos grandes players do mercado. Além do retorno gerado e sua representatividade, a operação aumentou – e muito – a confiança do ecossistema e dos profissionais que fazem parte desse setor. Afinal, uma startup que cresce, se estabiliza e passa a empregar centenas de pessoas, pode ser a garantia de uma carreira promissora que traz um bom retorno para quem aceita o desafio. É claro que no início os ganhos são menores, mas uma possível participação societária pode aumentar os lucros. Vale lembrar que na 99 muitos funcionários, além dos sócios, se beneficiaram muito com a venda da empresa. Isso faz com que o sonho de fazer dinheiro trabalhando em startup pareça mais real.

O Banco BTG pactual, por exemplo, criou o boostLAB, um programa de conexão e potencialização para startups. A iniciativa busca apoiar empreendedores com a possibilidade de criação de projetos e pilotos com o Banco, seus fornecedores, parceiros e clientes. Executivos de grandes empresas como Estapar e Grupo Pão de Açúcar poderão auxiliar com suas respectivas expertises, na conquista de networking, de métricas de precificação, dentre outros. A ideia é ser referência em novas tecnologias e oferecer a expertise necessária.

O empreendedorismo está mudando o Brasil: gera emprego, retorno aos investidores, movimenta a economia. Muito se especula quem será o nosso próximo unicórnio. A verdade é que pouco importa quem, e sim se haverá um ecossistema propício para o surgimento destas novas empresas. A aposta é que vai, sim, e ainda que não seja de desenvolvimento tão rápido quanto essas três citadas acima, o cenário deve continuar favorável para o "nascimento" promissores empreendedores.

Eduardo Küpper é MBA pela Wharton Business School e MA em Estudos Internacionais pelo The Lauder Institute, ambos na Universidade da Pensilvânia e Co-fundador da Wharton Alumni Angels Brasil- whartonangels@nbpress.com 

Guilherme Freire é MBA pela Wharton Business School na Universidade da Pensilvânia e Co-fundador da Wharton Alumni Angels Brasil – whartonangels@nbpress.com