Empresários dizem que a crise já reduz negócios

A crise internacional já chegou ao dia-a-dia das empresas no Brasil. Muitas delas recusam-se a divulgar o impacto nos negócios, mas as que o fazem são unânimes em um ponto: falta crédito, se não para elas, para seus fornecedores, clientes e consumidores finais.

O impacto é a redução nos negócios que, em casos extremos, resultam em anúncios de férias coletivas, como foi feito por montadoras e fábricas de eletroeletrônicos. A alta de 35% no câmbio, desde o início de agosto, tem levado empresas a rever projeções e planos.

Empresas beneficiadas pelo sistema tributário da Zona Franca de Manaus começam a anunciar, além de férias, cortes. Mesmo assim, os níveis de emprego mantêm-se em alta.

Segundo a Fiesp, o emprego na indústria aumentou 0,48% em setembro em relação ao mês anterior. "Quando a economia se desacelera, primeiro as empresas reduzem horas extras e dão férias coletivas e, só depois, demitem", diz Paulo Francini, diretor do Depecon (Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos) da Fiesp.

Para ele, emprego não é precursor de crise, é conseqüência. "Quem vai mostrar antes o efeito [da crise] será o INA [Indicador de Nível de Atividade]. Há uma defasagem média de quatro meses entre um e outro."

Porém, além da ameaça de desemprego, o consumidor já tem sentido o aumento das taxas cobradas por empréstimos. Segundo a Serasa, a inadimplência dos consumidores cresceu 7,6% entre janeiro e setembro na comparação com o mesmo período de 2007.

Para os técnicos da empresa de análise de crédito, o resultado reflete a piora da capacidade de pagamento dos consumidores e o maior endividamento, sobretudo em linhas de crédito mais caras, como cheque especial e cartão de crédito.

Tais dificuldades têm feito com que empresários passassem a observar mais cuidadosamente e a tomar decisões no curto prazo, adaptando-se às mudanças. "Não estou pessimista, mas sim cauteloso", diz Roland de Bonadona, diretor-geral da Accor Hotels.

João Pessoa Jorge, presidente da Sonae Sierra, diz que as vendas nos shoppings que administra caíram nos últimos dois meses, mas que continuam em forte alta no ano. Já Geraldo Ferreira, diretor-geral da empresa de papel e celulose APP, vê possibilidade de oportunidades na crise.



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