As notícias de instabilidade no mercado financeiro afetam não apenas o desempenho das bolsas de valores ao redor do mundo, mas também a qualidade de vida dos executivos que lidam diretamente com a crise.
Segundo Sâmia Simurro, psicóloga e vice-presidente de projetos da Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV), os executivos precisam manter o equilíbrio emocional nesta fase de crise. "As dimensões de qualidade de vida, física, emocional, social, espiritual e intelectual compõem o todo do ser humano. E todas elas devem ser cultivadas e desenvolvidas no dia-a-dia, ao longo de toda a nossa vida. A receita é integração, equilíbrio e harmonia entre estas dimensões", afirma.
Para isso, Sâmia ressalta a importância de se evitar comportamentos que prejudiquem a própria saúde e bem-estar pessoais, como a 'histeria coletiva', na qual o executivo envolve-se de tal forma em determinada situação que não consegue avaliá-la de forma crítica. "É preciso ter controle e bom senso, adotando medidas sensatas, sem impulsos nem precipitações", explica a psicóloga. "É necessário ainda discernir o que é exagero e enxergar além da turbulência, analisando tudo dentro de um contexto mais amplo", completa.
Os números de pesquisas realizadas nos Estados Unidos, onde a crise se tornou mais aguda nos últimos dias, impressionam. Segundo levantamento da ComPsych Corp, empresa de assistência médica com sede em Chicago, nos Estados Unidos, o número de ligações telefônicas com pedidos de ajuda devido a pressões financeiras cresceu 21% em julho deste ano. No mesmo país, as admissões em hospitais para atendimentos psiquiátricos aumentaram 10% desde o início de 2008, de acordo com dados da UnitedHelph Group Inc., seguradora de saúde norte-americana.
Estresse Corporativo
A atual crise no mercado financeiro, na opinião de Sâmia Simurro, revela outro problema que há muito tempo afeta executivos que trabalham em grandes companhias: o estresse corporativo. Para ela, o fato de muitos profissionais trabalharem mais de oito horas diárias, adiarem projetos pessoais "em nome" da carreira e não conseguirem deixar as atividades ocupacionais nas horas de lazer são comportamentos que identificam níveis elevados de estresse. "O estresse chegou a tal ponto que o desgaste emocional tem levado muitas pessoas ao limite do insuportável", comenta.
A psicóloga afirma que tanto as empresas quanto os próprios executivos podem adotar práticas que minimizem os efeitos do estresse. Sâmia cita como iniciativas que podem ser desenvolvidas pelas corporações o horário flexível, estimulando os executivos a irem para casa e a não prorrogarem a jornada diária até tão tarde; a reserva do último dia da semana, no período da tarde, para que os funcionários possam cuidar de suas vidas particulares e a implementação de programas de qualidade de vida. "Muitas empresas começam a entender que cuidar do bem estar e da saúde integral de seus funcionários é fator de suma importância para que eles continuem motivados em seus trabalhos e se mantenham no seu mais alto nível de desempenho e produtividade", ressalta.
Individualmente, cada executivo pode ter mais qualidade de vida em seu dia-a-dia com "pequenas mudanças", acessíveis a todos. Sâmia sugere:
1.Busque entender de forma clara, as expectativas dos seus superiores. Para isso desenvolva a assertividade e capacidade de comunicação; 2.Procure situações de satisfação ou de reconhecimento. Se isso não for possível no trabalho procure satisfação em sua vida pessoal ou em um hobbie;
3.Equilibre o seu estilo de vida. Você precisa de tempo para manter seus relacionamentos, ter um sono repousante, praticar atividade física, ter uma alimentação saudável e praticar alguma atividade de lazer;
4.Mantenha o otimismo. Avalie seu estado de espírito e procure ver as coisas sob uma perspectiva positiva;
5.Desenvolva em si melhores habilidades de delegar tarefas aos subordinados, priorizar e focar naquilo que realmente importa;
6.Aprimore no seu planejamento diário. Evite desperdício de tempo com reuniões inúteis e improdutivas;
7.Utilize a tecnologia a seu favor. Use-a com bom senso e disciplina,
evitando checar e-mails de trabalho nas horas de lazer.