Gestão é desafio para empresas brasileiras

A percepção da importância da inovação tecnológica é uma realidade entre as empresas brasileiras, mas há um longo caminho a ser percorrido no que diz respeito à estruturação e gestão de atividades de P&D. Um termômetro dessa realidade foi apresentado nesta terça-feira (20/5) pelo professor Ruy Quadros, do Departamento de Política Científica e Tecnológica da Unicamp, no painel “Estruturando e Gerindo Atividades de P&D nas Empresas” da VIII Conferência Anpei de Inovação Tecnológica, que está sendo realizada em Belo Horizonte, MG.



Quadros mostrou os resultados de uma pesquisa realizada junto a 50 empresas de grande porte que operam no Brasil, de capital nacional ou estrangeiro e vistas como referencial no mercado. Elas foram avaliadas de acordo com o grau de maturidade do conjunto de atividades de pesquisa e desenvolvimento e divididas em cinco grupos.



A maioria das empresas pesquisadas tem uma atuação mais tática do que estratégica no setor e não necessariamente empresas de setores de ponta apresentam grau de maturidade maior em suas práticas de gestão.



O maior desses grupos, com 42% da amostra, é composto por empresas que possuem atividades formais na área, com atuação mais voltada para desenvolvimento de produtos e obtenção de ganhos imediatos de mercado, embora com relativa capacidade de captação e ideação.



Na base da escala, uma fatia de 25% da amostra reúne empresas que dizem considerar a inovação muito importante, mas não têm áreas de P&D implantadas e se limitam à engenharia de aplicações. Uma minoria da amostra, 16%, tem setores de pesquisa estruturados e trata a inovação tecnológica como estratégia de longo prazo. Um outro grupo, com 18%, está estruturando atividades de pesquisa.



Para Quadros, sair de um estágio de “imitação” para a inovação é um processo de mudança de cultura empresarial, de realocação de poder e, portanto, de forte caráter organizacional. Ele ressaltou, porém, que há um processo de “aprendizado” para que se passe de um estágio para outro, ainda que possam ocorrer saltos mais largos, e que isso depende de decisões estratégicas e do posicionamento da empresa.


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