Durante o IV Encontro Nacional de Estudos de Consumo, realizado pela ESPM - Escola Superior de Propaganda e Marketing, pela UFF - Universidade Federal Fluminense e pela UFRRJ - Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, o professor Richard Wilk, da Indiana University, dos Estados Unidos, realizou uma palestra, via vídeo conferência, sobre os reflexos da globalização.
Em sua explanação Wilk explicou a teoria do consumo global através do uso de alimentos. "Em termos físicos, é um objeto simples, mas culturalmente e politicamente o hambúrguer é tão complexo e poderoso como aparelhos eletrônicos que, como os telefones, estão modificando o mundo", afirmou.
Wilk usa os alimentos para mostrar que, ao mesmo tempo em que determinados produtos conhecidos mundialmente fascinam, podem ser rejeitados por colocar em risco cultura e tradições locais. "A culinária é um meio excepcionalmente fértil para mostrar como a globalização trabalha, tanto como objeto cultural, quanto fenômeno econômico", avalia o professor.
Em sua opinião, "gostos e desgostos são incorporados à cultura. Uma coisa que sentimos como o gosto de uma comida atravessam aspectos conscientes e inconscientes da cultura". Para ele, os alimentos são um dos elementos que permitem pensar em uma ponte entre as diferentes culturas.
A rejeição local a algum produto, analisado por Wilk é associado ao medo de que algo nacional venha a ser perdido. Mas seu consumo é possível porque há uma atração pelos produtos estrangeiros justamente por eles serem diferentes, independente se essa ‘coisa’ seja comida ou a uma nova tecnologia.